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Agnelo Alves fala sobre o livro de Cassiano Arruda

30/06/2009 - Tribuna do Norte

O livro “Hotel de Trânsito”, que será lançado amanhã, na livraria Siciliano, está sendo aguardado com expectativa por um leitor especial: o jornalista Agnelo Alves, ex-prefeito de Parnamirim, que foi preso junto com Cassiano Arruda, autor da obra, na época em que era prefeito de Natal. “Estou curioso ou talvez mesmo ansioso para ler o livro de Cassiano Arruda reportando a prisão dele e a minha, com a minha deposição da Prefeitura de Natal”, comentou o jornalista Agnelo Alves, confessando que o episódio ocorrido há 40 anos exatos retrata “muito bem o que é um regime ditatorial aos aspectos mais dramáticos de perseguição política, de tortura física e mental hoje”.

Para Alves, depois de tanto tempo, o episódio pode ser visto tanto como “ridículo pela motivação, hilário pela vaidade pessoal de um general medíocre e grotesco, tanto quanto afrontoso à sociedade civil indefesa”.

O lançamento do livro será amanhã às 19h na livraria Siciliano, no shopping Midway Mall. O título da obra, “Hotel de Trânsito”, foi dado pelo fato de ter sido nesse local onde Cassiano Arruda permaneceu preso por   49 dias.  Na obra, o autor é minucioso, cita datas, nomina e detalha pessoas. Sem ser um historiador, mas tão somente um repórter acreditado, com bom texto, chega a detalhes de que o próprio Agnelo havia optado por esquecer.

“Respondia a 17 Inquéritos Policiais Militares (IPMs) ao final dos quais o coronel Estevão Mosca e seus dois colegas, um da Marinha e outro da Aeronáutica, sob reserva, mas registrando a sua indignação e de seus colegas diante de tantas denúncias sem fundamento, que resolveram se adiantar – a comunicação deveria ser feita pelo general Duque Estrada que nunca comunicou – que decidiram me dizer da conclusão de que nada desabonador fora comprovado na prefeitura e que tinha todo o direito de saber quem foram os denunciadores”, comentou o jornalista.

Agnelo Alves disse que, naquele momento, de pronto, agradeceu a comunicação que recebia, mas recusou ter conhecimento dos delatores. “Sou grato à comunicação de que os senhores estão me fazendo, reconhecendo a lisura das investigações. Mas não quero saber do nome de nenhum dos meus detratadores. Moro nesta cidade (Natal), sou o seu prefeito por decisão popular e não quero a toda hora cruzar com essas pobres criaturas e nem tão pouco que meus filhos cresçam ressentidos”, lembrou o jornalista e ex-prefeito de Natal, acrescentando que “tem o coração para amar e não para odiar”.

No livro “Hotel de Trânsito”, Alves traz uma colaboração, a pedido do próprio autor. É um depoimento, mas sem dramatizar,  como testemunho de um fato. “Eu mesmo nem me lembrava mais do dia e do ano do hoje burlesco episódio”, diz ele, adiantando a mais forte lembrança que guarda do episódio e relata no livro de Cassiano:  “A lágrima de minha mãe  no dia de minha libertação, além de alguns episódios que relato como Fragmentos”.  O ex-prefeito de Parnamirim avalia que o livro de Cassiano Arruda servirá de documento para a história.


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Comente esta notícia | Ler Comentários (1)
irvisoncosta@... | 30/06/2009 - 16h05
Lembro-me daqueles dias horríveis, de 1964.Chegava ao Colégio, e ouvia o zumzum.Nunca tinha visto coisa tão terrível.Eram comparáveis as cabildas:
vivemos perseguições, truculências e mortes.Torturas nas prisões.Irmão foragido, professor e aluno servindo de
espião na Faculdade de Economia aqui
em Recife.A sensação de que a esperança em dias melhores tinha ido para o espaço.Uma vergonha para o Exército de qualquer nação, uma mancha que nunca lhe será tirada.Somente em republiquetas da África estamos vendo coisa igual.Mas a tentativa de golpe, vinha de longa data:
a tentativa de golpe no soicídio de Getúlio, que não deixou de ser um golpe, e tentativas no governo de JK.
Por fim o golpe de 1º de abril.O desejo vinha de longe.Lembro-me da cassação
do Agnelo, que muito me entristeceu.
Depois de Aluízio.
É preciso que se continue a escrever
sobre tudo aquilo, sobre todas as ações
antidemocráticas, para que não mais aconteça a desonra, o martírio e a desesperança.

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