Publicada às 13h12
A secretária da Receita Federal, Lina Vieira, se encontra reunida nesse momento, em Brasília, com os dez superintendentes do órgão. Sete deles apresentaram à Secretária pedido de demissão dos seus cargos em solidariedade à demissão de Lina pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Lina Vieira agradeceu o apoio e pediu que os superintendentes permanecessem nos cargos, ressaltando que todos vêm realizando um trabalho na Receita Federal.
Até o final da tarde de hoje Lina será recebida pelo ministro Guido Mantega, quando será comunicada oficialmente de sua demissão.
Hoje os jornais da imprensa do sul e sudeste, nos editoriais, destacaram o trabalho realizado pela Secretária da Receita Federal.
O jornal Estado de São Paulo disse, em editorial, sob o título “Receita Perigosa”, diz que, “Se esperava uma secretária mais discreta e mais obediente às suas orientações, Mantega certamente se decepcionou. Lina Maria Vieira anunciou e pôs em marcha uma fiscalização mais severa das instituições financeiras. Não desagradou só aos banqueiros. Empresários de outros setores se queixavam de ter pouco acesso à Receita para discutir as questões de seu interesse.”
O jornal conclui o editorial afirmando que “Restam, portanto, poucas explicações críveis para a demissão de Lina Maria Vieira. A nova secretária não se mostrou dócil e disposta a viver à sombra do ministro. Com personalidade própria, criou atritos dentro e fora do governo. Um desses atritos foi com certeza decisivo. Ao contestar o critério contábil da Petrobrás, a Receita colidiu com a maior estatal brasileira, responsável pela maior parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e um dos itens favoritos da retórica político-eleitoral do presidente Lula. O conflito surgiu porque a empresa mudou a escrituração, trocando o regime de competência pelo de caixa. Com isso, poderia expurgar parte de seus ganhos do lucro tributável e ganhar cerca de R$ 4 bilhões. A Receita contestou a mudança. A empresa, segundo o Fisco, deveria ter mantido o sistema adotado no começo do período fiscal. Esta é uma discussão para especialistas, mas o ministro da Fazenda condenou publicamente, e sem demora, a ação da Receita. Consequência inevitável: se a Petrobrás pode, por que não qualquer outra empresa? O ministro parece nem ter percebido esse pormenor. Com a demissão da secretária, a CPI da Petrobrás, com instalação prevista para hoje, tem mais um motivo para incluir aquele episódio em sua pauta. É um bom assunto para discutir com o ministro da Fazenda.”