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Minha pátria é minha língua

Lenilton Lima e ong EtniaIMAGENS - Fotógrafo Lenilton Lima leva a etnia potiguar na exposição que viaja por vários países
02/08/2007 - Tribuna do Norte

Michelle Ferret - Repórter

Buscar pátrias perdidas no mundo é ter a possibilidade de encontrar um espelho da própria cultura no olhar de povos diferentes. Países como Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, Timor Leste e São Tomé estão em continentes distantes do Brasil, mas suas culturas se  encontram na forma da língua portuguesa.

Com um processo de colonização doloroso, restou nos povos africanos e brasileiros a força cultural da criação artística, correndo em suas veias os toques dos atabaques misturados as cordas, pinturas, danças e  expressões artísticas. Puxando o fio que liga os mapas desses países, a ong portuguesa “Etnia”, coordenada por Mário Alves, realiza em Natal a partir de sábado no Teatro de Cultura Popular  o projeto “Na Ponta da Língua”, trazendo em suas malas música, cinema, teatro e uma exposição fotográfica que revela o olhar e o modo de vida dos povos que falam a mesma língua, mas pouco se conhecem. O evento tem entrada franca, exceto a peça, cujo preço de ingresso é R$ 5,00 (meia) e R$ 10,00 (inteira).

 Com o objetivo de integração entre esses países, focando na essência da diversidade cultural de cada lugar, a ong começou a circular em 2004, passando por quatro cidades de Minas Gerais. “Começamos o projeto pelo Brasil, por ser o maior país do mundo que fala a Língua Portuguesa. O que percebemos estando aqui é que as pessoas pouco conhecem dos países africanos como a Guine Bissau e Cabo Verde, ou seja, pouco conhecem da suas origens. A idéia do projeto, não é focar apenas na questão da língua, mas promover um intercâmbio cultural, mostrando a diversidade desses países”, conta Mário Alves. 

Na programação, a mostra de cinema Lusófono começa no sábado, a partir das 14h, no auditório Franco Jasiello da Fundação José Augusto. Os filmes estarão divididos em duas partes, a primeira, só de filmes portugueses, será exibida no sábado, dia 4. Estarão na tela “Outro País”,  “Outros Bairros”, “Rapace” e “Calado não dá”. Na mostra africana que acontece no domingo, dia 05, a partir das 14h serão exibidos “A guerra da Água”, “Os Olhos Azuis de Yonta” e “A Tempestade da Terra”, de Fernando d´Almeida.

Na linguagem das artes cênicas, a peça “Darwin ou o Canto dos Canários Cegos”,  será apresentada pela companhia portuguesa “A Barraca”, no TCP, às 18h. Já a música potiguar estará presente na sonoridade do grupo “Songa Também dá Coco” interagindo com “Djumbai Djazz” de Guiné Bissau, logo após a apresentação do Coco, viola e Pandeiro e o grupo Lundum Ensemble de Portugal e Cabo Verde, que acontece no sábado, às 18h.

O artista escolhido para girar com o projeto foi o fotógrafo potiguar Lenilton Lima, participando com 16 imagens na exposição fotográfica coletiva que inicia no sábado.

“O que conseguimos trazer para Natal foi um pedaço do projeto maior, estamos plantando a semente aqui para colhermos nos próximos tempos. Acreditamos na arte como transformação do ser humano, essa que pode revelar nossas origens”, finaliza Mário.

Fotógrafo potiguar  expõe no evento itinerante

Revelando em imagens a expressão do norte-rio-grandense, em diferentes comunidades, o fotografo Lenilton Lima é o representante potiguar na exposição “Pluralidades  - Memórias, Espaços e Olhares Lusófonos”, que reúne imagens dos nove países representados pelo festival. As imagens de Lenilton foram batizadas de Orerová, em Tupi significa “a nossa cara”.

Lenilton optou por unir diferentes  comunidades do RN. “Como a mostra vai para o olhar de pessoas, eu quis levar as fotos das comunidades indígenas que estou visitando e também de pessoas de vários lugares do RN. Preferi retratar a beleza das pessoas, mesmo com o sofrimento estampado no rosto”, diz. As fotos trazem comunidades indígenas como Amarelão, Canelas de Ferro, Catu e Baía da Traíção na Paraíba. “Descobri que temos comunidades indígenas que estão fortes na sua luta em existir”, disse.  O festival passou r por Fortaleza e lá o fotografo começou a perceber que o encontro é uma chance de descobrir as raízes da cultura brasileira. “Depois de conhecer a cultura dos nove países, percebi que eu apenas imaginava como eles eram. Descobri, por exemplo, que na Guiné Bissau as pessoas são católicas e pouco sabem dos terreiros. Isso foi muito forte para mim”, conta.

Bate papo

Mário Alves - Produtor do Na Ponta da Língua

Como surgiu a idéia do projeto?

 “Na Ponta da Língua” nasceu de contatos e experiências através da Ong que dirijo em Portugal chamada Etnia. Percebemos, depois de caminhar por outros países e trocar idéias com pessoas de várias etnias, que os países que falam a mesma língua conhecem muito pouco a cultura que tem. Pensamos num projeto que integrasse a essência cultural e fosse uma ponte para o intercâmbio entre pessoas desses lugares. O objetivo não é centrado na preservação da Língua, mas na valorização da cultura.


Você estão vindo para Natal com uma estrutura menor do que a original. Como foi o caminho para chegar aqui?

Esse ano não tivemos recursos suficientes para a dimensão total do festival, com todos os grupos de teatro e música que fazem parte do projeto, mas tenho a certeza de que estamos plantando a semente para o futuro. A idéia do festival não é ser efêmero, como são quase todos os festivais do mundo, mas sim que possa ser uma vitrine anual de intercâmbio e não se esgote nele próprio. Para isso estamos criando as casas de lusofonia, que possam abrigar a arte e cultura.



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