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Grafite se aprende na escola

João Maria AlvesEDUCAÇÃO - Hingrid Dantas aprende a grafitar
25/08/2007 - Tribuna do Norte

Os olhos dos adolescentes da Escola Municipal Francisco Varela, no bairro dos Guarapes estão mais coloridos. Há dois meses o artista e professor Barros Neto conseguiu furar os muros de concreto que envolvem a estrutura de uma escola pública e levar a oficina “Arte Contemporânea em Grafite” para transformar um pouco a maneira de observar as próprias atitudes. A atividade extra classe, tem como meta diminuir as pixações no bairro.

Para começar, o professor trabalhou a percepção dos alunos ensinando história da arte, desde os primeiros registros do homem até os dias de hoje. Depois a oficina ganhou um caráter de observação, caminhando com todos os alunos pela escola, quando eles anotaram tudo o que precisava mudar. “Notamos que a escola estava muito suja, que poderíamos pintá-la, deixando tudo colorido. Esse projeto tem a meta de transformar o olhar deles, trabalhando a percepção, o conhecimento da técnica e de sua própria cultura.”, diz Barros.

 Durante esse processo de exercitar o olhar, o tema escolhido pelos alunos foi a cultura popular, pesquisando em livros e na própria comunidade, inspirações para as pinturas em grafite. “Escolhemos personagens como o Boi de reis, a mula sem cabeça, a sereia, mamulengos e outros que tecem nossa arte. Foi uma descoberta e um prazer”, revela.

Depois de tudo pesquisado começou o processo prático. Primeiro as imagens foram recortadas em moldes de papel e depois os alunos utilizaram o jet (tinta para pixação) e pintaram salas, refeitório e pátio. “A primeira vez que peguei na tinta eu me emocionei! Muita coisa transformou depois disso, deu uma sensação boa, de liberdade”, conta a aluna Hingrid Dantas, 13 anos.

A professora de artes Vera Anjos abraçou a idéia e se prontificou em ajudar nas pesquisas sobre a cultura popular, unindo a atividade com as aulas. “O mais interessante nesse projeto é que os alunos que estão aqui são os que tiveram problemas com pixação na escola. Em dois meses muita coisa mudou aqui, percebo que os alunos estão mais unidos e conseguem assimilar os conhecimentos de arte com a prática. É um estímulo que renova a vida da gente!”, diz a professora Vera.

No projeto, muitos alunos que antes pichavam ou rabiscavam os muros da escola e do bairro, começaram a compreender o outro lado da arte, o de conhecê-la.

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