O diretor Rui Lopes: cenas externas no sertão de CaicóLonge do eixo Rio e São Paulo, o Rio Grande do Norte sempre fica à margem das grandes produções cinematográficas. Aos poucos esse cenário está se transformando e algumas obras começam a sair do papel e ganham vida e finalização nas telas do cinema. Mesmo com aquela velha dificuldade de não conseguir apoio, a vontade de produzir fala mais alto e consegue ir além dos muros de concreto que terminam dividindo o Estado do resto do País.
Três filmes, um longa e dois curtas metragens estão em fase de conclusão e chegam nas telas (locais, regionais ou brasileiras) brasileiras no próximo ano. Os filmes “João de Barro” de Rui Lopes, “Mariposa Blanca” do diretor Geraldo Cavalcante, e “Circulador” de Guaraci Gabriel estão em fases finais. Cada um com perspectivas, linguagens e propostas diferentes desejando o mesmo destino, um lugar nos olhos do público.
“João de Barro, canto de amor e sangue”, é uma ficção baseada na lenda do pássaro sertanejo que quando se sente traído, consegue emparedar a fêmea até que ela fique sem saída. O diretor e roteirista Rui Lopes pensou na história que era contada por seu pai e resolveu dar movimento trazendo o contexto social da violência doméstica, tema evidente ainda hoje no século XXI. “Acredito que o cinema tem o papel de transformar um pouco a nossa realidade. A violência contra a mulher, o machismo, é tão presente na nossa vida mas, às vezes, não damos tanta importância. Questionamentos que eram intensos já na década de 50 ainda são travados hoje, isso mexe muito comigo e quis trazer para o roteiro transformando o pássaro em um homem, dando vida a um casal”, explica.
Foram quatro meses de filmagens, que começaram em maio e estão em fase de finalização e edição. As cenas externas foram feitas todas no sertão de Caicó com a participação dos atores João Júnior e Tatiana Morais. O filme foi feito com o apoio da Lei de Incentivo Câmara Cascudo. “Esse é meu terceiro trabalho e as dificuldades sempre existem, mas precisamos nos organizar para evoluir nas produções cinematográficas, começar a ganhar espaço para que as pessoas acreditem em nossa arte”.
Mariposa Blanca, um filme potiguar nas terras cubanas
O imaginário social está presente também em “Mariposa Blanca”, dirigido por Geraldo Cavalcante e Guaraci Gabriel. Filmado em Havana, o longa, com aproximadamente uma hora de duração, é um drama documentário que costura ficção com depoimentos reais sobre Cuba, tendo como ator principal o cubano Jorge Perugorría, A produção começou em maio de 2006 e durante esse tempo, os diretores contaram apenas com o apoio de sua vontade própria e da Escola de Artes Cinematográficas de Cuba. A história é de um artista plástico cubano que não conseguia se adaptar ao sistema do seu país e vai tentar a vida em outro lugar. Anos depois ao retornar, seu olhar sobre Cuba se modifica e começa a enxergar a realidade como um estrangeiro. Mariposa Blanca é uma flor, símbolo de Cuba. “O filme não faz juízo nenhum, conseguimos colher depoimentos de pessoas de toda a América Latina, porque na época estava havendo um encontro lá. Isso foi muito importante para o filme. Então temos entrevistas em que as pessoas elogiam e outras detonam o governo de Fidel Castro. Acredito que é um filme transformador”, diz Geraldo Cavalcante. Fugindo da política cubana, os diretores conseguiram, segundo eles, mostrar os dois lados da moeda do País. “Percebemos que um País socialista tem os mesmos problemas sociais de um País capitalista. Então pensamos que o que falta no mundo é um novo sistema, esse que deveria ser mais humanista, atendendo aos interesses coletivos, isso é o que fica do nosso filme”. O lançamento está previsto para o próximo ano, no mês de julho e a edição será feita provavelmente em Cuba. “Não conseguimos apoio nenhum, nossa sorte é a idéia boa e a vontade. Cheguei ha pouco tempo do festival de curtas de São Paulo e percebi que temos a mesma qualidade da produção do sudeste. O que nos falta é criar mecanismos de uma política pública que possa criar pontes que nos leve ao eixo Rio - São Paulo, pois nossa grande dificuldade hoje é espaço para exibição ”, diz Geraldo. Para o filme, Valéria Oliveira interpreta a canção “Por trás de um cristal”, do compositor Carlos Varela.
Pegando carona na experiência como co-diretor , o artista Guaraci Gabriel se prepara para lançar seu curta “Circulador”, contando a história de um escultor que observa a arte de diferentes perspectivas e linguagens.
Siga-nos Novo
VC Notícia
| JULHO | ||||||
| T | Q | Q | S | S | D | S |
| 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 |
| Outros meses... | ||||||