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Retalhos da África

Alex RégisARTE- O artista Erich Ramalho e seus personagens andarilhos
15/09/2007 - Tribuna do Norte

Rafael Duarte - Repórter

O artista plástico carioca Erich Ramalho, 39 anos, traz à tona uma gente esquecida que, geralmente, só aparece na mídia em forma de tragédia. Em “Os Esquecidos”, exposição em esculturas criadas com goiabeira, fios  rígidos, retalhos de tecidos, sementes e pedaços de madeira, ele dá vida aos africanos alijados do conceito de cidadania. As 11 peças de Ramalho estão à disposição do público no restaurante Iá Batata, que fica na avenida Afonso Pena, 811, Petrópolis. Radicado no Rio Grande do Norte há 17 anos, o artista encontrou no paraíso de São Miguel do Gostoso um espaço de renovação. A exposição é um resumo, segundo ele, das situações que via em filmes, documentários e reportagens publicadas na imprensa. Sem, frisa, o toque sensacionalista. “Eu poderia colocar vários personagens mortos, sem braço, mutilados... mas não quis fazer sensacionalismo com isso. Prefiro falar dos esquecidos de outra forma. Para que as pessoas lembrem deles e não fiquem chorando pelos cantos quando aparecer qualquer problema pequeno comparado à realidade dos africanos”, afirmou.

Erich Ramalho não conhece o problema da África de perto. Viajar, segundo ele, é um projeto futuro. Ainda assim, afirma que por onde andou, no Brasil, reconheceu dificuldades semelhantes. “Nosso país tem um pouco da África. As favelas do Rio de Janeiro, alguns lugares do interior do Nordeste onde há gente abandonado na rua, passando por dificuldades. Viajei por muitos lugares e conheço de perto esses problemas. No próximo ano pretendo levar essa exposição para a Europa”, disse.

As peças de Ramalho, em tamanhos variados, podem ser compradas no local da exposição. Os preços variam entre R$ 100 e R$ 800.

Paralelo ao trabalho de artista plástico, Erich - católico que também acredita no espiritismo e budismo - segue uma filosofia de arte educação voltada para ajudar a população. Através de palestras e oficinas, passa a experiência acumulada, segundo ele, em mais de 40 profissões. “Sou professor de futebol, vôlei, jogo peteca, também sou jardineiro, tenho mais de 40 profissões no currículo. Vou estrear um monólogo chamado ‘Cidadão do mundo: Da revolução à evolução’, que conta a história de uma pessoa desde o momento em que acorda até a hora que vai dormir.  Ainda tem o projeto ‘Terra Desenvolvida’ que faço através de palestras, cursos. É um meio de ajudar as pessoas. Mandei duas cartas para o presidente Lula, mas até agora nenhuma resposta. Sei que vou conseguir ter o apoio do Ministério da Educação para tocar esse projeto em todos os estados do país. Algumas pessoas dizem que tudo isso é utopia, mas conheço os problemas da educação do Brasil, estudei tudo isso”, afirmou.  

Serviço

- Exposição “Os Esquecidos”, do artista plástico Erich Ramalho, hoje, no restaurante Iá Batata. Endereço: avenida Afonso Pena, 811, Petrópolis.



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