ARTE - Intervenção urbana "Arte Incendiada" feita pelo artista mineiro Dácio BicudoA arte respira nas ruas, nos homens, nos quadros e além deles. Esse ar de liberdade poderá ser sentido hoje no dia do Artista Plástico, comemorado exclusivamente em Natal. Artistas de diferentes escolas, vertentes e pensamentos estarão expondo seus trabalhos nesse grande salão que é a cidade.
A Capitania das Artes abraçou a programação de diversas instituições e movimentos isolados. Além da tradicional Mostra Coletiva que começa às 19h30 com o tema “Interativos e não Contemplativos”, sob curadoria de Plínio Sanderson e Célia Albuquerque, tema que está tirando o sono de muitos artistas tradicionais, haverá também mostras paralelas, exibição de vídeos, intervenções urbanas e oficinas.
Às 10h começa o diálogo entre o artista plástico, cineasta e cenógrafo mineiro Dácio Bicudo com o público. A conversa acontece na no auditório da Funcarte às 10h. Na ocasião o artista fará uma intervenção urbana levando para as ruas de Natal um cubo gigante construído com os alunos de “Construção e Elementos da Intervenção urbana e da Perfomance”, oficina realizada nos dias 06 e 07 de maio. “Vamos caminhar como uma procissão. O importante é a participação das pessoas e o movimento que isso irá ocasionar”, contou Bicudo em entrevista ao VIVER.
Às 9h no Centro de Convivência Djalma Marinho na UFRN o curador Vicente Vitoriano traz a programação chamada “8 de maio no Campus”, com exposição, aulas públicas de desenho de observação (na Galeria Conviv’art), produção de arte ao vivo e instalações. Todas as atividades são realizadas por alunos e professores dos cursos de licenciatura em artes -visuais e em educação artística. A programação conta com a participação do artista convidado Fábio de Ojuara que mostrará sua instalação “Toda merda agora é arte”, reunindo obras de mais de 100 artistas do mundo inteiro.
Na cidade alta a Associação dos Artistas Plásticos Potiguares composto por 78 artistas do Estado, estará expondo 230 obras. Sob a curadoria de Vitor Hugo o evento está inserido na programação da Capitania mas o curador se disse triste por não ser aceito na Mostra “Não Contemplativos e Interativos”. “Não consigo compreender essa proposta da curadoria. A arte tem sim o direito de ser livre, mas precisa respeitar as técnicas básicas e estéticas das pinturas”, reflete Vitor Hugo.
Discussões a parte, até porque entender o processo da arte contemporânea e as transformações humanas é o mesmo que tentar explicar a existência de Deus, a programação continua na Pinacoteca do Estado, em bares, nas ruas, em intervenções, nos becos, nas paredes, na Assembléia Legislativa, em galerias e onde houver um artista desejando se expressar. (confira a programação completa)
Bate-Papo / Dácio Bicudo (artista plástico, cineasta e cenógrafo)
VIVER: Em seu olhar de artista contemporâneo, comente a proposta da curadoria na mostra coletiva de hoje. “Interativos e Não Contemplativos” que mexeu com muitos artistas tradicionais.
Dácio Bicudo: A arte mudou porque o homem mudou. Hoje a gente não consegue mais expressar o que a sociedade sente utilizando apenas uma tela. A vida está mais ampla. Essa ação da Capitania das Artes é uma ação de liberdade. Quem é contra isso deveria entender que quando você faz algo para ser contemplado você tira apenas de você e quando você faz algo interativo você traz o coletivo junto, A denominação artista plástico não condiz mais com o que vivemos hoje. Tudo está muito ligado. A idéia dessa exposição é importante para Natal, para Nova Iorque, para São Paulo, ou seja, é importante para o homem.
No seu diálogo com o público hoje você falará sobre a arte urgente e perfomance. O que o público pode esperar?
Será uma conversa sobre o processo vivido na oficina nesses últimos dois dias, falaremos sobre a liberdade da arte contemporânea. Depois sairemos com a intervenção urbana pelas ruas, levando um objeto quadrado semelhante a um “Bumba Meu Boi” sem remeter diretamente a essa imagem. O importante nisso tudo é o movimento, o que irá mover na sociedade.
Pegando carona nesse movimento, a arte contemporânea hoje é o quê?
A arte contemporânea abraça todos os lados. O importante não é a discussão do que é arte e o que não é. Essa é uma discussão louca que não faz sentido nenhum. Hoje em dia o que se valoriza é o processo que está carregado de todas as vertentes humanas saudáveis. A vida não é lógica, a academia precisa ser lógica, mas a vida não é. Um dos males do ser humano é o medo do prazer, precisamos na arte sair dessa zona de conforto e puxar o tapete da gente. O dia que pudermos perceber que a arte é a salvação do mundo tudo irá mudar. O mundo está um caos e a arte é a passagem de liberdade que ultrapassa o medo. A arte contemporânea tira o artista como mestre e o coloca como indivíduo, como ser humano.
Programação
Capitania das Artes: 19h: Lançamento do Catálogo Virtual 08 de Maio de 2007, Catálogo de Livro dos Artistas e Revista Formas na Capitania das Artes
Exposição Matizes Potiguares - de Franklim Serrão
Hora: 20h no Bardalos
Mostra Coletiva de Pintura da Associação dos Artistas Plásticos Potiguares, 18h na Pinacoteca
UFRN “8 de Maio no Campus”
Hora: 09h às 15h
Ignoto Mundo - Exposição de Ivo Maia, 19h.
Local: Assembléia Legislativa
“ConversAfiadas” no CMAI:
Dia 14 - Flávio Freitas - Desenho;
Dia 15 - Civone Medeiros - Performance;
Dia 16 - Max Gurgel
Fotografia
Coordenação: Roberto Medeiros e Gláucia
Hora: 10h
Local: CMAI - Zona Norte
Mostra Colaterais
Coquetel de abertura da mostra, 19h no Salão da Capitania das Artes
- Guerra Santa - Marimbondo Caboco - UFRN;
- Coleta de Excremento Social - Fábio di Ojuara;
- Ovo e dor - Alan / Nilson
- Óleo - Cátia Machado - Portugal;
- Lembranças - Jardel Liter;
- Grafitagem ao Vivo - Coletivos Filhos da Mãe - Curadoria - Eduardo Medeiros
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