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Artista alemão expõe “As Cores da Música” no TAM

Alex RégisEXPOSIÇÃO - Marek leva para a pintura a face dramatizada do artista no palco
17/09/2008 - Tribuna do Norte

Michelle Ferret - Repórter

Tem vezes que a música é tão expressiva que é possível aparecer cores imaginárias entre os acordes. O jazz é um estilo que possibilita essa miragem. Quem percebe esse colorido e projeta em suas obras é o artista plástico alemão Marek Mann que está em Natal pela primeira vez trazendo doze quadros com expressões de músicos como Dee Dee Bridgewaterm, Jimi Hendrix e Ray Charles.  A exposição “As Cores da Música” começa amanhã, às 19h no Salão Nobre do Teatro Alberto Maranhão e segue até o dia 22 de setembro, das 9h30 às 19h.

Olhos azuis brilhantes e uma calma singular, Marek conversou com o VIVER no calor de uma manhã de segunda-feira. Ele conta que entrou para a arte tocando bateria em grupos de jazz na cidade de Lemberg. Sua paixão era tão grande pelo estilo que ele chegava a ouvir música o dia inteiro. O que mais chamava a atenção enquanto assistia aos shows eram as expressões dos intérpretes. “Os cantores precisam de uma concentração para tirar de dentro de si toda aquela música, é quase um sofrimento. E é isso que me interessa na criação. É nesse momento o parto musical”, disse o artista, que também, além de ser músico de jazz, é pintor, designer gráfico e vem de uma família de grandes artistas como o pai arquiteto e cenógrafo Roman Mann.

Para a exposição de amanhã, Marek trouxe 12 quadros pintados nos últimos dois anos. Utilizando a técnica de acrílico sobre tela, o artista escolheu trazer as obras mais acessíveis, por isso as de menor tamanho. “Como os quadros são grandes, geralmente com quase 3 metros por 2 metros, resolvi  pintar essa série”.

Em Natal, o público verá a expressão colorida de Jan Gargarer, Ray Charles, Diane Revees, entre outros. “Minha grande paixão é pela expressão do Jimi Hendrix, ele transmitia amor com os olhos”, detalha o artista. Além dos cantores de jazz,  Marek  pintou a expressão de Maria Bethânia, Elis Regina, Baden Powell, Falcão (do grupo O Rappa) e sua paixão atual que é Elza Soares. “Ela é minha cantora brasileira preferida. Me fascina a força daquela mulher”.

Para compor as obras, o artista    utiliza como inspiração algumas fotografias.  “Coloco a imagem como base, para não ficar muito distante da feição dos cantores. Mas o que me interessa são as cores que aquela expressão emana”.

Vermelho, amarelo, branco e tendo o como pano de fundo o azul ou o preto são as cores utilizadas por Marek. “Estou sintetizando cada vez mais as cores. Tem obras que consigo usar apenas duas. Acredito que o minimalismo faz parte do meu amadurecimento. A gente vive num mundo com tanta informação que se tiver mais cores cansa o pensamento”, acredita o artista. 


Musa, música e mulher

Quando perguntamos o que trouxe Marek Mann a Natal ele responde prontamente “minha mulher”. A frase dita em alemão é prontamente traduzida por sua musa, Fátima Correia, que veio acompanhando o marido e acompanha seu trabalho há 14 anos. “Ele é muito apaixonado pelo que faz. Seu processo criativo é impressionante”, disse. Para cada obra, Marek leva dias para concluir. “Ele ouve música seis horas por dia para começar a pintar e ter inspirações”, conta Fátima, que também faz fotografias para o marido, como a de Elza Soares. “Gosto de estar perto dele, porque a gente termina sendo contaminado pela pureza da arte”.

Além das fisionomias, Marek gosta de pintar o abstrato. “É para mim uma maneira de colocar na tela o que sinto, sem ser moldado por isso”. Quanto às paisagens que todo artista gosta de fazer, ele admite não ser adepto. “As paisagens corretas me incomodam”. Ele pintou a flora brasileira na Amazônia através do abstrato. “E é um trabalho fascinante, porque motiva o pensamento das pessoas”, disse Fátima.


Livros infantis

Mesmo com seu tempo destinado às pinturas, o artista dedica sua vida à composição de livros infantis que já foram traduzidas em 16 línguas. “Até agora são 48 livros infantis que ele mesmo escreve as histórias e ilustra”, contou Fátima.

Marek Mann tem 66 anos e nasceu em Lemberg. Na década de 60 estudou na Academia de Belas Artes de Varsóvia e em 1968 diplomou-se como Magistrado em Arte. Desde 1975 vive e trabalha em seu atelieer no Reno na Alemanha. Além de pintor é também designer, fazendo trabalhos para discos, livros, jogos e puzzels, além de autor e ilustrador de livros infantis conhecidos principalmente na Europa e nos Estados Unidos.



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