PESQUISA - O setor público lidera o ranking, seguido do comércio e serviçosO Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte somou R$ 20,6 bilhões em 2006, 4,8% superior ao de 2005 e quinto maior do Nordeste. Um resultado cuja base tríplice é a mesma que vinha movendo o Brasil: aumento do crédito, da renda e do emprego. Mais uma vez, o setor com maior potencial econômico foi a administração pública, com seus salários e investimentos. Na área privada, comércio e serviços mantêm-se em destaque, com cerca de R$ 2,3 bilhões movimentados naquele ano.
O crescimento do RN em 2006 foi igual ao do Nordeste e ambos ficaram acima do nacional, de 4,8%. Esse incremento potiguar foi o sexto no Nordeste - cresceu mais que Alagoas, Sergipe e Bahia. Já em nível nacional o RN fica na 13ª posição.
De acordo com os dados e análise divulgados ontem pelo IBGE, os três principais setores da economia potiguar são administração pública (inclui saúde e educação pública), comércio e serviços e indústria extrativa mineral. Esta ordem e o peso de cada uma das atividades (veja gráfico) são os mesmos observados em 2005.
Outro dado relacionado ao PIB é que, quando se divide o valor total pela população, o PIB per capita (por cabeça) do RN fica em R$ 6.754 - 46% acima do que o registrado em 2005, a terceira maior variação do país. “Como a população cresce a uma taxa relativamente baixa, o impacto do crescimento da economia é expressivo no PIB per capita”, explica o analista sócio-econômico do IBGE, José Aldemir Freire. Quando considerado apenas o valor, a posição nacional é a 20ª e, no Nordeste, é a terceira.
O IBGE também mediu a variação do Valor Adicionado Bruto – VAB, valor do PIB sem os impostos, com exceção daqueles que se transformam em incentivos e subsídios - entre 2003 e 2006. Neste cálculo, a economia do RN cresceu 12,8% no período. Essa variação foi a sexta mais baixa no país e, no Nordeste, foi a mais baixa de todas.
Destaques
Como não são separados os impostos por setor, o desenvolvimento de cada atividade econômica é medida pelo VAB. Considerando o VAB, que em 2006 foi de R$ 18 bilhões, os dados mostram que a agricultura foi o setor que mais cresceu (36,5%). De acordo com a análise, de um lado, isso se deve ao fato de que 2005 foi um ano de baixa pluviosidade no estado com um nível de produção agrícola muito retraído. Assim, com a volta das chuvas em 2006, a produção agropecuária melhorou consideravelmente. Além disso, cultura do melão teve um expressivo crescimento naquele ano.
Em seguida, vêm a construção (11,08%); produção e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana (10,57%); e comércio e serviços de manutenção e reparação (10,16%). Segundo o IBGE, “essas atividades estão associadas, fundamentalmente, a setores com elevada demanda, sobretudo em função de aumentos da renda da população, de redução dos juros e aumento do crédito e dos prazos de financiamento”. Esse é o caso, por exemplo, das atividades de comércio e da construção. Os analistas destacam ainda que, naquele momento, o estado vivia um “boom” imobiliário, associado principalmente à venda de imóveis para turistas estrangeiros.
Economia potiguar poderá perder seu dinamismo
Para os analistas do IBGE, a economia potiguar pode estar perdendo dinamismo quando comparada com a região Nordeste e o Brasil. Um dos dados que apontam nesta direção é a comparação do Valor Adicionado Bruto (VAB) do RN com o do Nordeste e o do Brasil, considerando o período entre 2002 e 2006.
Em relação ao Brasil, como pontos positivos para o RN, a análise destaca os casos do comércio e da construção. Mas, em termos gerais, entre 2002 e 2006 o crescimento do VAB do RN foi cerca de 0,22% menor do que o crescimento brasileiro. Observando as atividades isoladas, os piores desempenhos potiguares em relação ao país são a indústria extrativa mineral (-29,71%.), a indústria de transformação (-15,51%) e os serviços de informação (-13,18%).
Em relação à indústria extrativa mineral, segundo o IBGE, um dos fatores que causa essa grande diferença é que, no Brasil, esse setor foi fortemente beneficiado pelas exportações minerais destinadas à China. Além disso, também pesa o esforço nacional para se alcançar a auto-suficiência em petróleo. Há outro agravante: no estado, esse setor vinha sofrendo problemas com a estagnação e retração desde o início da década, com a redução da produção de gás e petróleo.
De acordo com a análise, o menor dinamismo da indústria de petróleo e gás no estado – que tem peso expressivo no PIB - acabou por representar uma queda na indústria extrativa mineral do estado, e, conseqüentemente, na economia potiguar como um todo.
Quando comparada ao Nordeste, a economia do estado também vem registrando perda de dinamismo. Entre 2002 e 2003 o crescimento do RN foi de 3,76%, inferior ao do Nordeste. Por outro lado, construção e comércio e serviços foram positivos.
O setor de construção foi o que apresentou maior diferencial de dinamismo em favor do RN. Enquanto no RN as atividades de construção, entre 2002 e 2006, cresceram 25,1%, no Nordeste esse percentual foi de somente 10%. Na atividade de comércio e serviços de manutenção e reparação o RN também cresceu expressivamente mais que o comércio da região.
Economista prevê tendência de alta em 2007
Os resultados do PIB por estado são divulgados pelo IBGE com dois anos de atraso. Mas o analista sócio-econômico José Aldemir Freire, fez uma avaliação e prevê que o PIB de 2007 deverá manter o ritmo de crescimento observado em 2006. Aldemir se baseia no bom desempenho que o comércio e a construção tiveram no ano passado, também puxados pelo aumento do emprego, da renda e do crédito. Além disso, outros setores, como a indústria, não tiveram grandes oscilações.
Porém, Aldemir destaca que o PIB poderia ter registrado resultados melhores nos últimos anos se a produção da Petrobras não tivesse entrado em declínio. Uma situação que pode mudar a partir de 2011, quando a companhia pretende chegar aos 115 mil barris/dia, recuperando-se dos 80 mil barris dia que produz atualmente.
Afora o movimento econômico gerado pela Petrobras, Aldemir prevê que em 2008 poderá haver uma redução no crescimento. “Podemos repetir 2007, mas vai depender muito de como sairemos deste último trimestre”, diz ele, referindo-se aos reflexos da crise financeira internacional no comércio e na construção local.
Para 2009, Aldemir diz que, apesar das más perspectivas devido à crise, o RN poderá ser beneficiado com a possível manutenção do dólar acima dos R$ 2, tendo em vista a importância das exportações para a economia local. “Vamos ter que esperar para ver como o câmbio vai se comportar”, comenta.
Independente desses fatores, Aldemir defende que o RN chame para si a produção de mais bens e serviços consumidos no estado. “Se tivéssemos uma estrutura produtiva maior, o PIB responderia melhor”, avalia.