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Natal, 23 de Abril de 2014 | Atualizado às 11:20

Polícia encontra corpo de produtor cultural

Publicação: 08 de Janeiro de 2008 às 00:00
Augusto César BezerraCRIME - O corpo foi encontrado em um matagal próximo à estrada de JenipabuCRIME - O corpo foi encontrado em um matagal próximo à estrada de Jenipabu

A Polícia Civil localizou às 6h30 de ontem, num matagal próximo à estrada de Jenipabu, em Extremoz, o corpo do advogado e produtor cultural Derval Gonçalves de Amorim Filho, 50 anos, desaparecido desde o último dia 30 de dezembro. A vítima estava em avançado estado de decomposição e seu corpo estava embaixo de densa vegetação. A polícia só chegou ao local depois de apreender os dois autores do crime, um adulto e um adolescente de apenas 15 anos. O motivo do crime ainda não foi revelado, mas a polícia informou que os acusados eram conhecidos da vítima.

O caso é investigado pelo delegado Ronaldo Gomes, da Divisão Especializada em Combate ao Crime Organizado (Deicor) com o apoio do delegado Cleyton Pinho, da Delegacia Especializada de Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov). Nas primeiras horas de ontem, o delegado localizou os dois suspeitos do crime em bairros da zona norte de Natal.

Embora não tivesse encontrado o corpo, o delegado tinha forte convicção da participação deles no sumiço de Derval Gonçalves. Em rápida conversa com os suspeitos para apresentar os indícios da autoria - não informados à imprensa - um dos dois suspeitos levou a polícia ao local da desova. O delegado, aos jornalistas, explicou que não poderia relevar como identificou os suspeitos para não atrapalhar futuras investigações. “Não posso detalhar. Só posso informar que foi através de investigação”, disse.

O corpo não foi enterrado. Estava coberto com vegetação nativa a 200 metros da Estrada de Jenipabu e a três metros de uma estrada de terra. Derval Gonçalves vestia a mesma roupa (bermuda e camisa) do dia em que desapareceu na Redinha. O corpo estava em decomposição e queimado pelo sol.

O local foi isolado até a chegada dos peritos do Instituto Técnico Científico de Polícia (Itep). Eles examinaram a área e o cadáver ainda no chão. A polícia procurou evidências sobre a causa da morte e, superficialmente, não localizou sinais de tiros. Um dos suspeitos confessou que a vítima foi esganada. O assassino teria sufocado a vítima pressionando uma barra de ferro contra o pescoço.

O corpo só foi removido ao necrotério do Itep às 10h10. Lá, o cadáver foi necropsiado, mas o laudo com a causa da morte só ficará pronto em duas semanas.

Ronaldo Gomes explicou que os dois suspeitos - nomes mantidos em sigilo - foram autuados em flagrante delito por ocultação de cadáver e responderão a inquérito pelo homicídio. O policial justificou o sigilo alegando que outras pessoas podem ter participado do crime e que as investigação ainda precisavam ser aprofundadas.

A polícia, por exemplo, não sabia onde e em que circunstâncias o produtor cultural foi morto. O local em Jenipabu, segundo as investigações, teria sido usado apenas para a ocultação do corpo. Um dos acusados disse informalmente aos policiais que matou a vítima por sofrer ameaças. A polícia não acredita nessa versão.

Vítima sumiu na véspera do réveillon

Derval Gonçalves foi visto pela última vez com vida na tarde do domingo, dia 30 de dezembro. Saiu da casa de praia da família, na Redinha, dizendo que voltaria logo. Seu sumiço foi rapidamente comunicado à polícia, porque ele não costumava ficar sem dar notícias à mãe, de 85 anos, e ao sobrinho, seus únicos familiares, com quem dividia moradia no Tirol.

O carro dele, o Palio prata, placas MYN-7543, foi abandonado na quarta-feira passada e passou 24 horas para ser localizado no Pajuçara, zona norte de Natal. O veículo estava intacto, sem qualquer sinal de que alguma coisa tivesse sido roubada.

O caso começou a ser investigado pelo delegado da Especializada de Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov), Cleyton Pinho, mas foi encaminhado ao delegado Ronaldo Gomes, da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), no dia da localização do veículo.

A polícia, ao encontrar o carro, passou a suspeitar que o produtor cultural pudesse ter sido vítima de um assassinato, uma vez que ele não tinha perfil de vítima de seqüestro. Outro indício é que o carro foi visto com dois homens que, segundo testemunhas, “davam cavalo-de-pau” com o veículo.

Amigos lamentam morte

A proprietária do Nana Banana, na Redinha, Maria de Fátima, conhecia Derval Gonçalves há cinco anos. Assim que soube da localização do corpo, ela se deslocou ao local para confirmar se o cadáver realmente era do amigo. “Ele era uma pessoa muito calma e amiga. Não sei o motivo de alguém para fazer isso com ele”, lamentou.

Maria de Fátima contou que o produtor cultural prestava serviço à Fundação José Augusto e que  também era advogado. Ela informou ainda que o amigo ia passar o réveillon na casa da Redinha com a mãe e o sobrinho.