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Natal, 24 de Julho de 2014 | Atualizado às 12:52

Pacientes enfrentam dificuldades

Publicação: 08 de Abril de 2006 às 00:00
DivulgaçãoLIGA - O tratamento do câncer vem avançando, mas problemas ainda precisam ser sanadosLIGA - O tratamento do câncer vem avançando, mas problemas ainda precisam ser sanados
Todo o mundo se une hoje em prol de um objetivo: o combate ao câncer. Palestras, ações e orientações são voltadas para o dia Mundial Contra o Câncer e o Brasil e o RN também se enquadram nisto. A Liga Norte-riograndense Contra o Câncer, principal instituição do Estado que cuida do tratamento da doença, vem desenvolvendo ações objetivando melhores condições no atendimento aos pacientes, mas uma série de dificuldades ainda precisam ser contornadas.

Uma das principais diz respeito a problemas de gestão que vêm dificultando o atendimento de pacientes do interior do estado. O diretor da Liga, o médico Roberto Salles, explicou que há cerca de um ano foi criado o Programa de Pactuação Integrada que conecta municípios do interior com Natal. Por meio disto, pacientes que residem em qualquer outra cidade, fora a capital, devem procurar o seu município para obter uma autorização, vir à Natal e também conseguir este documento para se encaminhar ao Hospital Luiz Antônio, que atende exclusivamente pelo SUS, e marcar uma consulta.

“Acontece que diversas vezes, o município de origem repassa um tratamento que não é o mais adequado e o paciente tem que voltar a sua cidade e fazer todo o procedimento novamente. Ou ainda, ele vem a uma consulta inicial em Natal e é pedido uma biópsia, por exemplo, ele tem que voltar a cidade e para o novo pedido”, detalhou Roberto Salles. Ele disse que, desse modo, existe uma angústia generalizada pela piora no acesso dos pacientes, pois há maior capacidade de atendimento do que este em si. “Só nos resta alertar sobre o problema”.

Apesar disso, os pacientes de câncer no RN também têm o que comemora. Em 2005, a Liga fechou o ano com um aumento de atendimentos, cirurgias e tratamentos nas três unidades: Hospital Luiz Antônio, Policlínica e Cecan. Comparando com 2004, os ciclos de quimioterapia aumentaram em 93% e as cirurgias em 18%. Segundo o diretor do Hospital Luiz Antônio e da Liga, Roberto Salles, mensalmente, cerca de 2.300 pacientes são atendidos na quimioterapia, 300 na radioterapia e 600 pequenas e complexas cirurgias são realizadas.

Além disso, foi inaugurada a Casa de Apoio ao Paciente com Câncer Irmã Gabriela Freire da Silva, no bairro das Quintas, que possuí a capacidade de acomodar 60 pacientes do interior que estão na cidade em tratamento pela Liga e não precisam de internamento. Sob o custo de R$ 600 mil, cerca de 50% do financiamento da construção foi doada pela Parnamirim Energia e o restante foram recursos da Liga, Município, Estado e campanha Cidadão Nota 10.

Também houve a ampliação do atendimento às crianças e adolescentes com câncer com a construção da Unidade de Oncologia Pediátrica (Oncoped). “Antes, funcionava no Hospital Luiz Antônio, mas a capacidade estava sendo extrapolada. Com a mudança da Oncoped, e apoio que sempre tivemos da Casa Durval Paiva, para a lateral da Policlínica, o número de leitos aumentou de sete para 16”, diz o diretor da Liga.

Em todas as Unidades, segundo Roberto Salles, existe infra-estrutura mais do que o suficiente para o atendimento da demanda.

Com relação às queixas ao sistema de gerenciamento de recursos, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou insistentemente a chefe do departamento de planejamento e informação da Secretaria Municipal de Saúde, Terezinha Rêgo, que poderia explicar detalhes do Programa de Pactuação Integrada entre os municípios, mas ela não foi encontrada nem retornou as ligações até o fechamento desta edição.

Câncer de próstata é o mais comum

De acordo com pesquisas do Instituto Nacional de Câncer, cerca de 1.210 novos casos de neoplasia maligna em homens devem surgir neste ano. O câncer de próstata é o mais comum no país, e no RN se estima 570 novos casos, contra apenas 20 de pele melanoma - o menos registrado.

Nas mulheres devem aparecer cerca de 1.820 casos em 2006, sendo 490 câncer de mama, também o mais comum no Brasil, seguido por 250 de colo do útero. Para atender a tal demanda que cresce continuamente, o Ministério da Saúde estará implantando em breve uma Política Nacional de Atenção Oncológica que trará mudanças das mais diversas no Centro de Alta Complexidade em Oncologia (CACON), mas ainda não negociadas ou conhecidas pelos diretores da Liga no RN. O CACON oferece toda a estrutura necessária ao atendimento de pacientes com câncer no RN, realizando todos os procedimentos, cirurgias e mesmo transplantes, com apoio das equipes de Recife e Jaú (SP).  Estas mudanças devem adequar ainda mais o tratamento e gestão do Centro que já tem cinco anos no RN. “Durante este tempo tivemos grande crescimento e ainda esperamos mais. Por exemplo, estaremos abrindo mais um prédio em Caicó, que irá atender mais à população do Seridó nos serviços de oncologia”, finaliza o diretor da Liga, Roberto Salles.