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Natal, 29 de Julho de 2014 | Atualizado às 19:48

Memória multimídia

Publicação: 14 de Novembro de 2008 às 00:00
DivulgaçãoMEMORIAL DE NATAL - Torre, projetada por Oscar Niemeyer, abriga museu que estará aberto para o público a partir de hojeMEMORIAL DE NATAL - Torre, projetada por Oscar Niemeyer, abriga museu que estará aberto para o público a partir de hoje

Dez mil anos de história da área que corresponde ao território do Rio Grande do Norte é o que poderá ser visto no Memorial Natal, que está sendo inaugurado hoje a partir das 8h30 da manhã. Trata-se de um projeto da Prefeitura do Natal, desenvolvido através da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte). O memorial foi montado na parte interna do mirante do Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, projetado pelo consagrado arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer. A estrutura oferece ambiente climatizado, com assentos para observar toda a exposição montada no local, dois elevadores sociais e um de serviço, escada, box de vendas de lembrancinhas e banheiros.

“O mirante foi construído para abrigar um restaurante, mas tivemos a idéia de montar um memorial. Fomos conversar pessoalmente com Niemeyer sobre a nova idéia, e ele, antes mesmo que concluíssemos a proposta, começou a se deleitar com o novo projeto”, conta o presidente da Capitania das Artes, Dácio Galvão, que no primeiro semestre deste ano esteve no Rio de Janeiro com o prefeito da cidade, Carlos Eduardo.

O memorial foi construído para  preencher uma lacuna na cidade de Natal, que é o de ter um espaço destinado à preservação da história do Estado do Rio Grande do Norte, numa linguagem sincronizada com as novas tendências dos museus contemporâneos.

“Há muito tempo que a gente ouve dizer que  Natal é uma cidade que não preserva a sua história, que só presa por seus recursos naturais. Agora já podemos dizer que este discurso se tornou um mito”, declarou o prefeito Carlos Eduardo Alves, em entrevista por telefone.

O grande desafio para o idealizador do memorial, Dácio Galvão, foi transformar a linguagem árida, resultado das intensas pesquisas históricas e arqueológicas, em uma linguagem que pudesse alcançar ao variados públicos. Foi então que surgiu a idéia de transformá-lo num memorial visual. “O Memorial Natal foi saudavelmente contaminado pelo Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Lá eles trabalham a origem da palavra, aqui o foco é dado a origem do nosso Estado”, revelou Dácio Galvão.

O acervo visual do memorial é o resultado da pesquisa de arqueólogos e historiadores do Estado, que coletaram informações preciosas que abrangem da pré-história aos dia de hoje.  “No território, que chamamos de Rio Grande, há registros da passagem do homem datada de 10 mil anos no interior do Estado e 4 mil anos no litoral”, explica Iago Henrique de Albuquerque, um dos arqueólogos responsáveis pelo projeto do memorial.

O acervo digital foi  disponibilizado em quatro totens multimídia, em painéis infográficos e em vídeos documentários, que são exibidos no salão do mirante. Cada totem remete a um período específico da história. Totem 1: Arqueologia, O Espaço Natural; totem 2: Colônia, Sobre Origens e Fundamentos de Natal; totem 3: Século XIX, O Despertar da Cidade; e o totem 4 Séculos XX E XXI, Natal na Era das Máquinas. O vídeo matriz, como denomina Décio Galvão, é um documentário de 17 minutos, dirigido por Edson Soares, que faz uma retrospectiva dos 10 mil anos da história da passagem do homem no território do Estado. “Para falarmos destes 10 mil anos em 17 minutos, foi utilizado recursos cinematográficos de atemporalidade”, esclarece Dácio Galvão.

Além do acervo digital, como vídeos, fotos e textos o memorial expões 20 objetos que remontam a diversos períodos da história do Rio Grande do Norte. Os objetos foram solicitados a diversas instituições e foram cedidos em sistema de comodato. O grande destaque é uma pedra encontrada durante a      restauração da igreja matriz de Nossa Senhora da Apresentação, primeiro templo religioso da cidade, localizado na Praça André de Albuquerque, Cidade Alta. 

O idealizador do memorial fala que a pesquisa e os cuidados com a linguagem para divulgá-la foi tão intenso, que as informações disponibilizadas atendem, tanto aos pesquisadores, quanto ao visitante comum. “Uma visita mais acurada ao memoria, vai levar cerca de duas horas e meia, mas se for um passeio pelo museu, leva cerca de 40 minutos”, informou o idealizador.

Serviço:

O Memorial de Natal vai estar aberto de terça a domingo, a partir de hoje, das 9h as 17h. A entrada é gratuita e as visitas para um grupo com mais de 50 pessoas devem ser agendadas pelo telefone  32324599.

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