Natal

Natal, 24 de Julho de 2014 | Atualizado às 16:41

Medo faz moradores evitarem sair de casa no conjunto Vale Dourado

Publicação: 10 de Janeiro de 2009 às 00:00
Junior SantosCHACINA - Severina Soares vai deixar casa depois do homicídio de seu filho GilbertoCHACINA - Severina Soares vai deixar casa depois do homicídio de seu filho Gilberto
A violência da chacina ocorrida na última quarta-feira, no conjunto Vale Dourado (Zona Norte de Natal), tão cedo será esquecida pelos vizinhos e familiares dos jovens mortos a tiros, em plena luz do dia. O crime ocorreu na rua Prefeita Joana Ferreira da Cruz, bairro de Nossa Senhora da Apresentação, localidade da zona norte da capital potiguar.

A reportagem da Tribuna do Norte visitou o local do assassinato, dois dias após o crime. O clima de medo ainda impera entre os moradores que, ao verem qualquer presença diferente na rua, correm para dentro de suas casas e trancam as portas, com receio de uma nova visita dos executores. Uma das poucas pessoas que permaneceram na rua contou que, minutos depois do fato, uma ligação foi recebida em um telefone público localizado no final da rua, com ameaças aos moradores. “Eles ligaram para cá e disseram que voltariam aqui para meter bala em todo mundo”, disse uma moradora.

Com os olhos cheios de lágrimas, a aposentada Severina Soares de Andrade, de 57 anos, soluçava enquanto mostrava a foto do filho, Gilberto Andrade da Costa, de 23 anos, que foi morto enquanto conversava sob a árvore na rua Joana Ferreira da Cruz. “Perdi meu filho mais novo. Todo mundo aqui gostava dele. Não brigava com ninguém, não fazia nada de errado. Vamos vender a casa e sair daqui”, conta ela, acrescentando que o filho não tinha envolvimento algum com qualquer tipo de crime.

Em outra rua, mas com uma dor semelhante, lamentavam os familiares de João Paulo Moreira da Silva, de 25 anos, também assassinado durante a chacina do Vale. A irmã dele, Aracely Moreira, disse que João Paulo era amigo de todos na região e que, apesar de morar no Parque dos Coqueiros, tinha muitas amizades, inclusive no Vale Dourado, onde morava sua namorada e um bebê de um mês e cinco dias. “Ele ficou esperando a namorada chegar para ficar com os dois. Foi quando tudo aconteceu”, conta.

Já a família de Daniel Vitor Silva Lima de Mesquita, que morava na mesma rua onde ocorreu o crime, não estava em casa e, segundo alguns vizinhos, eles  estariam hospedados na casa de familiares desde que ele foi morto.

A reportagem visitou ainda a residência onde morava João Maria de Oliveira, de 28 anos, conhecido também como “Coito”. A irmã da vítima contou que João Maria havia saído de casa para passear com o cachorro. Cinco minutos antes da sua morte, a mãe dele teria passado pelo local para pegar o cãozinho e voltou para casa. Em seguida, foram ouvidos os tiros. “Ele estava no lugar errado, na hora errada”, disse ela, dizendo ainda que o irmão não era envolvido com drogas ou crimes.

No entanto, de acordo com o delegado Francisco Jodelcir, titular  da 9ª Delegacia de Polícia de Natal, na Zona Norte, “Coito” tinha passagem pela polícia e respondia pelo crime de assalto à mão armada. Já as outras vítimas não tinham passagens ou inquéritos transcorrendo em seus nomes.

Delegado fala sobre a investigação

As investigações sobre o crime começaram desde a quarta-feira, dia em que os quatro rapazes foram mortos. Segundo o delegado, muitas informações novas estão chegando à polícia, mas há a necessidade de um cuidado para que uma pista falsa não seja seguida. “Temos recebido uma série de informações, algumas inclusive para desviar o foco da investigação, por isso precisamos de calma para analisá-las”, afirmou Jodelcir Pinheiro.

O delegado lembra que uma pessoa será ouvida na próxima semana, na condição de declarante e que ela poderá colaborar no andamento das investigações. “Esse homem que vamos ouvir esteve com os rapazes minutos antes do crime e acreditamos que alguma pista mais consistente possa surgir para auxiliar no processo”, afirmou.

Sobre a existência de pistas a cerca dos assassinatos e dos executores, o delegado afirma que existem linhas de investigação para tentar solucionar o crime e que todas estão sendo analisadas. “Estamos trabalhando. Uma das linhas que estamos seguindo é de que essa chacina possa ter alguma relação com a morte de um cabeleireiro (Rodolfo) cerca de quatro dias atrás, nas proximidades”, explicou.
Tags chacina, familiares