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Boatos sobre fim do Bolsa Família foram ‘ato planejado’

Brasília (AE) – Os boatos espalhados sobre o fim do Bolsa Família, no último fim de semana, podem ter sido um ato planejado. É o que acredita o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que destacou essa como uma das hipóteses com a qual a Polícia Federal trabalha nas investigações. “Evidentemente houve uma ação de muita sintonia em vários pontos do território nacional, o que pode ensejar a avaliação de que alguém quis fazer isso deliberadamente, planejadamente, articuladamente.”, disse nesta terça-feira, após a cerimônia em que assinou atos com o governo e prefeituras de Goiás do Programa “Crack é possível vencer”.
Eduardo Cardozo: ação em sintonia em vários pontos do Brasil
O ministro disse não ser possível tipificar, no momento, o crime que houve, o que ocorrerá apenas após identificado o que motivou a situação. Ele garantiu, porém, que punirá os responsáveis quando a Polícia Federal os identificar. “Garanto, a partir do momento em que conseguirmos identificar os responsáveis por isso, independente de quem seja, nós faremos a lei agir”, ressaltou.

Um dia depois que a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, gerou polêmica ao acusar a oposição de espalhar os boatos e foi repreendida pelo Planalto, Cardozo afirmou que seria “leviano” classificar a motivação para o ato como política “As pessoas podem ter suas teses, suas impressão, mas o ministro da Justiça tem que fazer com que a Polícia Federal conduz com absoluta imparcialidade e republicanismo a investigação”, destacou. Uma linha de investigação se situa em Manaus, um dos primeiros focos de saques atípicos.

Embora não tenha adiantado nada das investigações da polícia, para as quais se negou também a dar um prazo de término – a legislação determina 30 dias, prorrogáveis – o ministro concordou que a quantidade de estados atingidos pelo falso rumor chama a atenção. “Não é um delito fácil de ser investigado por força da atuação difusa em todo o território nacional. Isso chama a atenção. Não podemos afastar a hipótese de ter havido algum tipo de orquestração desse boato.”

A grandiosidade dos boatos, que gerou uma corrida da população a agências da Caixa Econômica Federal em 10 estados, tem gerado perplexidade. Nesta terça, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, destacou que cerca de 920 mil saques foram realizados no fim de semana, quando o banco teria adiantado os pagamentos – ontem a situação já se normalizou.

O pico da procura, segundo a ministra, ocorreu no sábado, 18, quando o movimento foi cinco vezes maior. Entre o sábado e o domingo, 19, segundo informou a Caixa, cerca de R$ 152 milhões foram sacados por famílias em benefícios do Bolsa Família.

Prevenção

Para evitar que situações como essa se repitam, Tereza Campello destacou que uma das ideias do ministério é passar a enviar mensagens de texto aos beneficiários com informações do programa. Para ela, uma das questões que contribuiu para que a falsa notícia se espalhasse foi o fato de o boato ter surgido no fim de semana, quando as agências da Caixa Econômica estavam fechadas, o que impediu um contato da população com funcionários que poderiam ter desmentido as informações e acalmar a população Além disso, a ministra acredita que as redes sociais contribuíram em grande parte para a confusão de alastrar.

Ao participar do programa Bom Dia Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Campello reforçou, por diversas vezes, que os repasses do programa estão garantidos. “O dinheiro (do Bolsa Família) está garantido. Nunca houve a menor possibilidade (de o programa acabar). O recurso do Bolsa Família nunca foi contingenciado. Nunca faltou dinheiro: isso nunca aconteceu e não vai acontecer”.

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