sexta-feira, 24 de maio, 2024
28.4 C
Natal
sexta-feira, 24 de maio, 2024

A educação norte-rio-grandense em pleno 2024

Rosângela Trajano
Escritora

Enquanto os países desenvolvidos usam novas tecnologias para o ensino-aprendizagem das suas crianças nós procuramos consertar uma carteira da sala de aula para que o aluno não assista aula em pé. É uma tristeza andar pelas escolas do Rio Grande do Norte.


Antigamente, não tão antigo assim, mas nos anos 70 e 80 a gente aprendia soletrando as sílabas, decorando a tabuada com material didático em que as lições falavam de bichos e pessoas de perto de nós, ou seja, era um ensino que se preocupava com a cultura e tradições das nossas crianças.


Nem vou falar do nosso querido Monteiro Lobato com os seus diversos personagens do Sítio do Picapau Amarelo que educou muitas crianças com as suas histórias, hoje é perseguido por racismo. Isso é outra história que depois discutimos. Há tempo.


Quero falar mesmo das escolas pelas quais visito no interior do Rio Grande do Norte com alunos eufóricos e professores ansiosos dentro de uma sala de aula quente sem sequer um ventilador e em outras escolas nem janelas têm nas salas. Lembrei-me do filósofo francês do Renascimento Michel de Montaigne que fala no seu bonito ensaio “Da educação das crianças” sobre as salas de aulas necessitarem de conforto com janelas, jarros de flores na mesa do professor e arejadas. Isso é sonho para muitas escolas do Rio Grande do Norte!


Mudaram a forma de ensinar as crianças a serem alfabetizadas e implantaram como regra para tudo uma tal de BNCC – Base Nacional Comum Curricular. Os professores não podem fazer nada sem estarem baseados por este documento. É um Deus nos acuda para alguns professores terem que planejar aulas dentro desde documento! Sou testemunha disso porque recebo muitas mensagens de professores me pedindo auxílio para fazerem um planejamento.


Não sei de que tem adiantado a BNCC desde a sua criação porque a educação está cada vez mais precária e só para ficar aqui no Rio Grande do Norte onde somos um dos piores Estados do Brasil no ensino-aprendizagem das nossas crianças o índice daquelas que não sabem ler nem escrever aos seis anos de idade é de fazer vergonha. Os alunos do ensino médio não veem uma luz no fim do túnel e largam as escolas que nada lhes oferecem de solução para os seus problemas de leitura e escrita. A governadora pousa com elegância nas redes sociais de que vai construir mais institutos federais no Rio Grande do Norte.


Quanto mais os governos federais, estaduais e municipais procuram acobertar de que seus índices de alfabetização estão bons, mais vemos as universidades particulares crescendo com jovens pobres que não alcançam notas de corte suficientes para entrarem numa universidade pública. Isso é uma vergonha para um estado governado por uma professora. Talvez a nossa governadora pense que ensinar é só fazer os exercícios do livro didático, mandar os alunos para quadra esportiva brincar de qualquer coisa que os distraiam até o término do horário escolar, mas ensinar é um vaso com flores na mesa e um tantinho de vontade de dizer ao aluno que o a-bê-cê soletrado é mais bonito.


Experimentem educar as crianças como antigamente, veremos que muitas serão alfabetizadas mais rapidamente e não desistirão da escola mesmo sendo ela quente e com carteiras quebradas.

Últimas Notícias
Notícias Relacionadas