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A lenda de Jane Calamidade

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[Instagram @alexmedeiros1959]


A primeira vez que eu vi o nome foi numa revistinha do Mickey, nos anos 1960, em que o ratinho da Disney, na companhia do dileto amigo Pateta, se salva das tramas do inimigo João Bafo de Onça com a ajuda da pistoleira. Era uma historieta de faroeste onde os personagens procuravam ouro. Com o auxílio de Jane Calamidade, Minie e Clarabela armavam uma emboscada contra o vilão.

Ontem, no repouso da quarta de cinzas, assisti o mais novo filme centralizado na vida e na lenda da primeira mulher famosa no ambiente masculino americano do velho oeste. Quem encarna Calamity Jane é a atriz canadense Emily Bett Rickards, na trama do diretor Terry Miles, um cara fissurado no gênero bang bang. Jane caça o assassino do seu marido Wild Bill Hickok.


De mais de uma dezena de filmografias sobre Martha Jane Canary Burke (seu nome de batismo), este compõe o trio dos melhores, somando-se a “Calamity Jane”, feito pra TV em 1984, e “Ardida Como Pimenta”, um musical de 1953.

O de 1984 narra o encontro de Jane com Wild Bill Hickok, com a atriz Jane Alexander roubando as cenas. Aliás, ela é também produtora do filme onde Jane e Wild casam bêbados em cerimônia feita por um bispo também bêbado.

O segundo filme tem a mítica Doris Day num papel que se não foi o melhor da sua carreira, a marcou pelo sucesso que fez. O roteiro, antes repetido em livros e musicais da Broadway, mostra como Jane foi cultuada em Deadwood City.

Numa terra sem belas mulheres, o teatro-bar contrata por engano um ator que o proprietário imaginava ser uma cantora de cabaré. Diante da turba masculina enfurecida, Jane promete trazer de Chicago uma artista linda e profissional.

Mas, numa confusão, ela traz a assessora da cantora, que apesar de não ser artista atrai o assédio dos marmanjos, principalmente do tenente bonitão que Jane está apaixonada e do próprio Bill Hickok, que ainda é só seu amigão.

Talvez o primeiro filme sobre a figura lendária seja o de 1936 com o glorificado Cecil B. DeMille realizando um verdadeiro crossover do velho oeste juntando Calamity Jane, Wild Bill Hickok, Buffalo Bill e o General George Custer.

A atriz Jean Arthur e o ator Gary Cooper emprestam suas famas na tela ao casal Jane/Wild. No entrelaçar da linha do tempo, DeMille coloca Frank McGlynn como Abraham Lincoln e um jovem Anthony Quinn como um índio.

Essa mesma pegada roteirista foi repetida 30 anos depois, em 1966, com Don Murray no papel de Bill Hickok e Abby Dalton como Calamidade. Há uma semelhança enviesada na trama com a produção que acaba de ser lançada.

Se no novo filme, Jane salva o futuro marido num tiroteio, no de 58 anos atrás é Hickok quem salva a donzela pistoleira de um ataque de índios. Por sinal, há um caso semelhante que, dizem, ser verdadeiro na biografia de Calamity Jane.

Na primavera de 1877, ela galopava numa trilha e viu uma diligência em disparada que havia sido atacada por um grupo de guerreiros Cheyenne. E sem pensar duas vezes pulou no banco do cocheiro e assumiu as rédeas.

Mantendo a carruagem em trote seguro, ela descartou as bagagens dos mortos e outras cargas, protegeu a correspondência e entrou na cidade de Deadwood, sendo recebida como uma heroína. Mas há também versões com delinquência.

Era isso que provocava sua fama de atirar bem, beber muito, jogar baralho e se vestir como vaqueiro numa época que não se imaginava gestos assim de uma dama. Jane gostava de ser fotografada com porte altivo e uma cara de durona.

Outro filme que sem dúvida é o quarto melhor após o trio que citei é “Calamity Jane e Sam Bass”, de 1949, onde a colocaram ao lado do famoso fora-da-lei que ela nunca conheceu na vida real. E quem a encarna é Yvonne De Carlo.

Yvonne era figurinha carimbada nas sessões vesperais do Cine São José, nas Quintas. Encarnou Salomé, foi rainha de piratas, esteve em Gigantes em Fúria e em Os Dez Mandamentos. Acumulou aventuras entre os anos 1960 e 1970.

Na produção de 1949, um lance inspirou o filme com Doris Day quatro anos depois: o ciúme de Jane. O bandoleiro Sam Bass, interpretado por Howard Duff, vai à cidade de Denton atrás de emprego se envolve com outra garota.

A bela atriz Dorothy Hart faz papel de Kathy Egan, que é dona do cavalo mais rápido do pedaço. Mas ele vê o ferreiro fazer um procedimento errado e aposta em outro, exatamente o cavalo de Calamity Jane, que facilmente vence.

Com a derrota do cavalo de Kathy, ele a convence a vendê-lo por valor baixo e, fazendo o reparo no erro do ferreiro, passa a apostar em corridas para fazer dinheiro e casar com a garota. Só que a outra, Jane, também está a fim dele.

Calamity Jane também está num filme de 1963, com a atriz e bailarina Carol Burnett repetindo as ações do musical que fez. Dez anos depois do filme de Doris Day, as cenas iniciais são praticamente da sua chegada em Deadwood.

Os vaqueiros do lugar estão ávidos por ver mulher bonita, e aí Calamity Jane vai a Chicago uma famosa atriz de teatro. E quem vem é a empregada, que divide casa com ela, mas também divide o interesse pelo bonitão de Jane.

Carnaval Em que pese a profusão de cantores, bandas e músicas que nada têm de carnaval, a folia de rua explodiu este ano em todo o país. E se em Natal já vinha crescendo, registre-se o forte resgate com blocos no litoral e interior.

Turistas Não foi agora que o carnaval recuperou a presença de turistas estrangeiros. Nos números da Embratur, foram 200 mil visitantes, o que é pouco na comparação com anos pregressos. No RN não deu para formar um bloco.

Claques Logo na abertura do carnaval, quando o prefeito Álvaro Dias entregou a chave da cidade ao rei momo, um grupo de foliões disparou uma saraivada de vaias. Quem estava perto percebeu os seguidores da pré-candidata Natália Boavida.

Espelho Já no último dia da folia, na multidão que todos os anos invade Caicó, a vaia despencou sobre a governadora Fátima Bezerra. Se não deu pra identificar a turba, vale lembrar que ali é a cidade-natal (trocadilho involuntário) de Álvaro.

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