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A síndrome

Vicente Serejo
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É estranha, para dizer o mínimo, a história política da reeleição no Rio Grande do Norte, desde que foi implantada, aqui no Brasil, sob a força e a habilidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso. O primeiro governo, pelo timbre natural do poder governamental, é o útero que gera o segundo e, este, como numa síndrome, abre-se feito um abismo, sob os pés do governante e para ser o fosso de sua ruína eleitoral. Aqui, todos acabaram derrotados por suas próprias urnas.
Foi assim o segundo governo de José Agripino, Garibaldi Filho, Wilma de Faria, e parece que poderá ter o mesmo final melancólico o segundo mandato de Fátima Bezerra. Neste caso, e é justo registrar, pela rendição da tradição conservadora, no caso, o MDB e o PSDB, além do gesto da omissão planejada, para não dizer consentida, do hoje União Brasil. Aliás, um partido grande por aliciar nomes feitos e não por fazê-los, na medida em que é poderoso e não uma escola política.

Claro que essas verdades desagradam, mas são incontestáveis. O atraso que leva o estado a ser lanterninha, em quase tudo, tem causas remotas e hoje é crônico por acumular, em camadas ao longo de seus governos, há trinta ou mais anos, o empobrecimento que expõe a sua mais dura de todas as verdades: a orfandade de um povo sem líderes e, por consequência, sem conquistas, se comparada e mesmo espelhada a nossa pobreza na riqueza pujante de todos os nossos vizinhos.
E a síndrome parece mais estranha quando os nossos políticos resolvem pintar com cores vivas e paradisíacas o que realizaram quando sentaram na poltrona principal do Palácio Potengi. Como os novos Pinóquios, mas sem a criatividade dos bons Gepetos, seus inventores, ensinam aos novos o que nem sempre souberam fazer. Se tivessem feito, não arrastariam fins tão melancólicos, marcados por derrotas injustificáveis, como se o eleito tivesse um mandado de volta às suas casas.
O exercício do poder é como se fosse uma arte marcial: consagra e desconsagra. Reúne na mesma moeda a virtude e o vício, a glória e o fracasso, o ruído do aplauso e o rumor da vaia. Daí o papel dos que se julgam injustiçados e vão à opinião pública com lendas que fabulam como se fossem verdades. Pior: acreditam nas suas próprias lendas, aquelas que de tão pobres de fabulação não enganaram ao eleitor. Pontificam, como há de ser na vida dos chefes, mas não mais fascinam.
Os decaídos, plantam lírios nas ruínas e tentam esconder o passado. Não há novos líderes com a força renovadora das grandes ideias. Os jovens, são ventríloquos das mesmas fabulações e, por isso, não vencerão os desafios. Somos vítimas do ‘filhotismo’ que impôs seus filhos, sempre sem talento e sem espírito público. O que nos restou, foi essa herança desastrosa. Não há como construir um destino melhor para todos, se os políticos só cuidam de suas próprios futuros. Oxalá!

PALCO

ONTEM – Erra o prefeito Allysson Bezerra ao apostar na imagem do pobrezinho que derrotou o grupo Rosado. O marketing do coitadinho valeu naquela hora. Hoje já é de um populismo cafona.

PRESTÍGIO – Ficou fácil comprovar o prestígio do padre Valquimar Nogueira do Nascimento como o próximo nome do Rio Grande do Norte a ser elevado a bispo, como esta coluna admitiu.

COMO – Domingo, e depois de elevado a Monsenhor, o rito de apresentação o novo pároco da Catedral reuniu os quatro bispos eméritos em cerimônia presidida por Dom João Santos Cardoso.

RITO – Monsenhor Valquimar agora é ‘Pároco in solidum’ da Catedral, ou seja, solidário ao padre Valdir até que este assuma, em, Roma, o Colégio Pio Brasileiro. Só então assumirá a titularidade.

BISPO – Mesmo que a Diocese de Santana, em Caicó, venha a ser ocupada por outro nome, será provisório. Seridoense, será o primeiro posto de Valquimar, e numa homenagem, a Dom Eugênio.

MEMÓRIAS – ‘Bambino a Roma’ é o título do livro de Chico Buarque para marcar seus 80 anos neste 2024. Conta os anos de sua infância vividos em Roma, onde Sérgio, sem pai, foi professor.

POESIA – De Alex Polari, um fragmento do seu poema “A Nova Tática e o Velho Instinto” que avisava triste assim: em 1964: “Juro / não tem autocrítica / que me tire as saudades / de uns tiros”.

RASTRO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, olhando os fios do interesse na costura do arranjo: “As máscaras da amizade, mesmo bem feitas, nunca escondem os vassalos”.

CAMARIM

EFEITO – O Apoio do general Eliéser Girão, da área conservadora, caracteriza o bolsonarismo da chapa liderada pelo deputado Paulinho Freire, mesmo com todo seu esforço ao declarar-se de centro-direita. Embora seu partido, o União Brasil, tenha três ministros no governo Lula da Silva.

RETRATO – Na verdade, esse é o perfil político do Brasil. Os partidos não refletem sequer aquilo que suas siglas expressam. É o Centrão de Arthur Lira contra o Frentão de Lula. Duas mixórdias ideológicas, sem limites e sem fronteiras, mas ambas empurradas pelo invencível desejo de poder.

SOPÃO – No caldeirão fervente da mistura, com um pé no governo Lula e outro no bolsonarismo, o desafio de Freire não é escolher a quem vai fazer oposição. É como será sua retórica de oposição. Sob pena de passar a campanha justificando Lula e Bolsonaro na sua chapa com cara de acordão.

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