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ABC e seus ídolos

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Rubens Lemos Filho

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A regra é quase geral, mas no Rio Grande do Norte, o ABC guarda o lamentável histórico da ingratidão aos seus ídolos. São consumidos e jogados fora.

Símbolo do atleta competente e fidalgo, o goleiro Erivan Varela Barca(foto) conquistou no ABC os títulos de 1965/66/ 70/ 71/72/73, foi hexa e nem por isso deixou de ser mandado embora, para Riachuelo, Força e Luz e Alecrim.


Com o astro maior, Alberi, deu-se o cansaço na relação. Alberi nunca foi fácil de convivência e jamais teve do ABC o devido reconhecimento, recebendo até discos de Valdick Soriano e radiolas em renovações de contratos.
Em 1975, o ABC simplesmente mandou Alberi pegar beco. Desolado, o Negão foi para o Sergipe, não durou e acabou no América, onde seria campeão estadual de 1977 e acabaria demitido no ano seguinte, segundo noticiário de época, por conta do temperamento arredio e cobrador do que seu talento merecia.


Em 1978, ensaiou-se a volta de Alberi ao ABC. Seria formado o veterano meio-campo Baltazar, Danilo Menezes e Alberi, mas o Deus da Frasqueira foi barrado pelo técnico Waldemar Carabina.


Alberi tomou o caminho do Baraúnas de Mossoró e depois do Icasa do Ceará, até voltar, aos 36 anos, para o alvinegro em 1981.


Alberi ficou no clube apenas para treinar até 1985, quando menos de duas mil pessoas assistiram ao melancólico jogo de despedida contra o Botafogo(PB) numa noite chuvosa de empate por 0x0.


Para o Botafogo(PB), em 1980, outro ídolo foi enviado. O uruguaio naturalizado brasileiro Danilo Menezes, campeão em 1973/76/78, líder do time e melhor armador do ABC no século passado, foi perseguido pelo técnico Servílio de Jesus, que teria duas passagens frustrantes pelo clube.


Primeiro na linha sucessória de Alberi no Machadão, o meia Marinho Apolônio foi o craque do timaço abecedista de 1983, uma máquina de 114 gols, dos quais ele fez 31, um a menos que o seu parceiro Silva, com quem formou a melhor dupla atacante do Nordeste naquele período.


Marinho Apolônio brilhou no Bahia, foi cotado para a seleção brasileira em 1985 e, quatro anos depois, voltou ao ABC para ser escanteado. Sua técnica foi relegada a segundo plano e ele foi jogar no Guarabira(PB).


O caso mais doloroso: Dedé de Dora, falecido em 2017. Em 1983, formou com Nicácio e Marinho Apolônio histórica meia-cancha. Foi emprestado e jogou bem no Cruzeiro(MG). Esteve para ser comprado, os olhos gananciosos da diretoria do ABC o fizeram voltar e se machucar. Quase de graça, terminou quatro vezes campeão no América.


Em seu velório, puseram uma bandeira do ABC sobre o caixão. Ninguém entendeu. Dedé de Dora teria de ser homenageado em vida. Eis o ABC que suga o melhor da laranja boleira e joga a casca fora. Wallyson, este ano, humilhado por arremedo de entregador de camisas. Mais um na estatística da ingratidão em preto e branco.

Cinismo
Ainda sobre o tema acima. Homenagem póstuma deveria ser sinônimo de cinismo. Quer fazer por alguém, que faça em vida. Depois de morto, não vale nada. Velório é o retrato caricato da sociedade. Todos compungidos, em torno do infeliz deitado no caixão. Muitos que lhe negaram apoio, solidariedade e gestos enquanto ele estava vivo, em desespero e se tornara incômodo.

Assombrar

Quando morrer, não quero velório aberto. Quero ser cremado.
Nome de praça, de calçamento em paralelepípedo, de lagoa para despejo de detritos, escola, quadra, o que for, desde já não é bem-vindo.

Câmeras quebradas
A polícia até está tentando cumprir seu papel de identificar e punir os baderneiros que invadiram a sede do América no último dia 25 de novembro. Mas as câmeras de segurança do clube não estavam funcionando na ocasião. Imagine se Hermano Morais fosse o presidente.

Nem aí

A conservação e funcionamento da sede são de responsabilidade da Diretoria Executiva que terá tempo de sobra para transformar o local em algo funcional e atrativo. Manter câmera quebrada é só o que querem os vândalos. Gestão Souza parece estar “nem aí”.

Vizinhança Alguns bandidos foram identificados porque a polícia checou o sistema de segurança de empreendimentos próximos ao América. Sorte do América ter bons vizinhos. Sem tanto a fazer , a Diretoria tem a obrigação de manter um brinco a sede da Rodrigues Alves. A atual gestão não cumpriu a tarefa.

Há 45 anos Dia 6 de dezembro de 1978, o ABC, cheio de contundidos, entre eles seus melhores jogadores, Danilo Menezes, Berg e Jonas, usou reservas no clássico contra o América no Castelão e arrancou empate por 2×2. O ABC seria campeão estadual(19/12) sem vencer ao América.

Detalhes Com apenas 11.761 torcedores no Castelão(Machadão), o América ainda teve seu miolo de zaga expulso: Joel Natalino, o Papai Joel e Argeu. O ABC jogou com Hélio Show; Gelson, Domício, Airton e Rosemiro; Baltazar, Arié e Noé Macunaíma(Júnior); Tinho(Ponta Negra), Paulo César Cajá e Willians. América:Cícero, Valmir, Joel Natalino, Argeu e Humberto. Ronaldo, Gilmar e Ubiranir(Dotto); Ronaldinho, Davi e Erasmo.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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