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Aeroporto, fruto de previsão errada, continua sem decolar

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Cassiano Arruda Câmara

A história do Aeroporto de Parnamirim é um resumo da própria História da Aviação Mundial.
Em 1927, quando o português Manoel Machado comprou e vendeu terras para abrigar o campo de pouso de Natal, os primeiros “campos de pouso” de Maryland (USA), Tempelhof (Alemanha), Crydon (Inglaterra) estavam oferecendo suporte à grande novidade que era a aviação, ainda sem uma definição como serviço de transporte de passageiros e cargas.


Na história da conquista do Atlântico Sul pelos ares, Parnamirim está presente em todas as suas fases.
Até a 2ª Guerra Mundial, quando Parnamirim virou “Trampolim da Vitória”, permitindo que as aeronaves norte-americanas pusessem cruzar o Atlântico, tendo Miami como origem para o transporte de tropas, armas (os próprios aviões), mudando o sentido da guerra e da própria aviação, ultrapassando a fase dos “raids”, uma espécie de grandes feitos esportivos.


A história dos aeroportos no mundo é vasta e abrange diversos modelos de gestão, incluindo a administração por entidades estatais e empresas privadas. Aqui estão alguns marcos importantes na evolução dos aeroportos, definidos por especialistas:

Primeiros Aeroportos:
O College Park Airport em Maryland, EUA, é considerado o mais antigo aeroporto operacional continuamente desde 1909.

Gestão Estatal Inicial:
Tempelhof Airport em Berlim, Alemanha, inaugurado em 1923, também é considerado um dos primeiros aeroportos significativos.
Muitos dos primeiros aeroportos foram estabelecidos e administrados por governos.
O Aeroporto de Croydon, em Londres, inaugurado em 1920, foi operado pela Royal Air Force.

Crescimento com Empresas Privadas:
Com o crescimento da aviação comercial, muitos aeroportos foram desenvolvidos e operados por empresas privadas.
Nos EUA, a privatização de aeroportos cresceu a partir da década de 1980.

Predominância de Modelos Mistos:
Muitos países adotam modelos mistos, onde o governo mantém a supervisão e regulação, mas a gestão operacional pode ser pública ou privada.

Estatais Predominam em Alguns Países:
Em alguns países, a gestão estatal de aeroportos ainda é predominante. Isso pode ser influenciado por questões estratégicas e de segurança nacional.
Exemplos incluem a China, onde muitos grandes aeroportos são de propriedade e operados pelo governo.

Parcerias Público-Privadas (PPPs):
Muitas vezes, a gestão de aeroportos é feita através de parcerias público-privadas, onde o governo mantém uma participação, mas a operação diária é realizada por uma empresa privada.

Aeroportos Internacionais e Hub:
Alguns aeroportos internacionais importantes, como o Aeroporto de Heathrow em Londres e o Aeroporto de Changi em Cingapura, têm uma combinação de participação estatal e privada.

Tendências Contemporâneas:
A privatização de aeroportos continua a ser uma tendência global em muitos lugares devido à eficiência operacional e à busca de investimentos. Em resumo, a história dos aeroportos é caracterizada por uma diversidade de modelos de gestão, com uma tendência crescente em direção à privatização em muitas partes do mundo. No entanto, a gestão estatal ainda é proeminente em alguns países, especialmente em considerações estratégicas e de segurança.

FIM DE UM CICLO
Ao que se sabe a aposentadoria do Aeroporto de Parnamirim foi decretada por um Estudo do Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), “preparando o Brasil para a grande guinada da aviação comercial que iria usar “super jumbos” para as ligações intercontinentais e necessitará de aeroportos para receber esses voos e de uma frota de aeronaves menores que redistribuirão as cargas.


Consta que o estudo do ENFA definiu a localização do super aeroporto do Nordeste, cujos primeiros investimentos começaram antes mesmo de se ter a confirmação da previsão feita sobre o modelo que aviação adotaria, e que justificou o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante.


A descoberta do Pré-Sal e a realização da Copa do Mundo garantiram a continuação da obra do primeiro aeroporto privatizado no Governo Lula II/Dillma, muitos ates dos super jumbos saíssem das pranchetas.


O fim dessa parte – assim mesmo – terminou com um disputadíssimo leilão na Bolsa de Valores de São Paulo, com 87 lances no viva-voz, o consórcio Inframérica formado pelas empresas brasileira Engevix e a argentina Corporation America venceu o leilão de concessão do aeroporto São Gonçalo do Amarante.


Pouco tempo depois a Engevix, atolada na Operação Lava Jato (que levantou a maior roubalheira do estado e todo o mundo), saiu de cena. A Inframérica se manteve no negócio por sete anos, até jogar a toalha na esperança de se livrar do prejuízo, estimado em R$ 185,8 milhões, e que tem se multiplicado.


Um novo leilão entregou o Aeroporto de São Gonçalo, “Aeroporto Internacional Aluízio Alves”, mas o Governo do Brasil não liberou R$ 505,9 milhões para a nova donatária, Zurich Airport Brasil começar a gerir o Aeroporto, com as esperanças da maioria dos norte-rio-grandenss, que acreditaram no novo aeroporto como uma alavanca do seu desenvolvimento.


Depois de tantas aventuras, ainda faltam R$ 505,9 milhões para que o Aeroporto ganhe a sua liberdade, e a empresa que ganhou o segundo leilão, a Zurich Airport, fique livre para voar, como tem feito, com competência, em Cofins, Florianópolis, Vitória e Macaé.

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