sexta-feira, 19 de abril, 2024
26.1 C
Natal
sexta-feira, 19 de abril, 2024

O impacto do estereótipo masculino no diagnóstico tardio do autismo em mulheres

- Publicidade -

Letícia Queiroz
advogada, escritora e autista nível 1 de suporte, diagnosticada tardiamente aos 23 anos.

Nos dias atuais, cresce o questionamento sobre a predominância do autismo no sexo masculino.
O Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC), ligado ao governo dos Estados Unidos, atualiza seus estudos a cada dois anos. Em 2023, constatou-se que a prevalência do diagnóstico de autismo continua sendo maior em homens, com uma relação de 3,8 homens para cada mulher.


Entretanto, diversas discussões estão em curso para revisar os critérios diagnósticos atualmente adotados. Desde os primórdios da década de 1940, quando o autismo começou a ser estudado, especialmente por Leo Kanner e Hans Asperger, os estudos tendiam a focar em indivíduos do sexo masculino e suas características.
Contudo, estudos recentes de neurociência revelam que a estrutura cerebral de meninos e meninas no espectro autista difere significativamente. Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia, analisou cerca de 1.000 ressonâncias magnéticas em meninos e meninas autistas, concluindo que os critérios de diagnóstico devem considerar especificidades de gênero.


No cérebro das meninas autistas, observa-se uma menor incidência de comportamentos repetitivos, além de uma maior desenvoltura nas áreas ligadas à linguagem, o que resulta em menos deficiências na comunicação e interação social. Esses são sintomas cruciais no diagnóstico infantil do espectro autista.


Kaustubh Supekar, PhD e professor assistente clínico de psiquiatria e ciências comportamentais, um dos principais autores do estudo em comento, argumenta: “Quando uma condição é descrita de forma tendenciosa, os métodos de diagnóstico seguem a mesma tendência”.


O diagnóstico precoce é fundamental, pois oferece à criança autista a melhor chance de desenvolvimento funcional, ao receber o tratamento adequado desde cedo.


Infelizmente, as meninas autistas estão sendo privadas desse diagnóstico precoce e, como resultado, sofrem graves consequências. É crucial promover mais discussões sobre o autismo, especialmente sobre o autismo feminino, a fim de superar as barreiras que limitam o acesso das mulheres autistas ao diagnóstico, muitas vezes devido a avaliações tendenciosas.


É hora de reconhecer que o autismo não tem gênero e que as mulheres autistas merecem ser ouvidas, compreendidas e apoiadas em suas jornadas.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

- Publicidade -
Últimas Notícias
- Publicidade -
Notícias Relacionadas