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Avenida Paulista

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[instragram @alexmedeiros1959]
Era minha primeira vez no MASP. Não dá para estabelecer parâmetros do impacto daquela visita em se tratando de um garotão de 21 anos que só havia conhecido a Biblioteca Câmara Cascudo e uma galeria que existiu na Praça André de Albuquerque. Eu tinha debaixo do braço um canudo desses de arquiteto, contendo umas telas do artista plástico Carlos Soares, que iriamos levar até à casa do compositor Belchior, morador da Rua México, no Brooklin.

Não percebi a aproximação da moça, mas sua voz parecia sussurrar com os lábios tocando meus cabelos. Falou alguma coisa sobre a luz nas cores do quadro que eu olhava, um Wesley Duke Lee. Respondi afirmativamente, fitando sua beleza. Aquela garota de 19 anos, parada diante da parede, era simplesmente a jovem cantora de uma banda que começava a dar os primeiros passos no rock nacional, com pinceladas da tendência “new wave”.


Sim. Era Paula Toller, a lorinha carioca e vocalista do grupo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens. Nada melhor para marcar meus primeiros passos na grande artéria da Pauliceia que avança célere para seus 500 anos.

Eu e meu amigo tínhamos objetivos distintos para ir até Sampa a bordo de um ônibus da empresa São Geraldo, apesar da perspectiva comum de uma estadia prolongada se acertássemos nossos ponteiros.
Carlos viajou carregado de obras de arte, seu talento era um só para as variações de estilos, do pastel à aquarela, do bico de pena ao óleo. Eu apenas aventurava e levava a missão de convidar Belchior para o Festival do Forte.

Nossas andanças diárias culminavam quase sempre nas avenidas Vergueiro, por causa do Centro Cultural, e Paulista, pela imponência do MASP e suas calçadas repletas de gente e história. A primeira cerveja ali foi inesquecível.

No ano seguinte, lá estava eu de novo perambulando pelo cosmopolitismo da centenária avenida, após uma passagem por Belo Horizonte e Diadema. As resenhas no apartamento do músico Afonso Lima, o Fon, foram uma epifania.

A saborosa sensação de curtir os discos e livros de rock do irmão de Lola e Eustáquio no alto do edifício, e depois descer até à calçada para incursões num grande sebo e no bar que virou point, “O Engenheiro que Virou Suco”.

Em 1984, na terceira aventura por Sampa, a Avenida Paulista demonstrou que a força da grana de seus escritórios não destrói coisas belas. E provocou um encontro com o conterrâneo Glênio Sá, gente fina, apesar do insosso PCdoB.

Voltei para Natal de carona no ônibus do pessoal do DCE da UFRN, tendo à frente do comboio meu saudoso amigo Moisés Domingos. A tiracolo, trouxe a namorada de Piracicaba, uma bela morena do curso de psicologia na Católica.

No final de 84, já casado, fui morar na cidade de Cotia, parede e meia com Sampa, tipo Parnamirim com Natal. Nas folgas do trabalho, aos sábados, me danava para Pinheiros, Bela Vista, Consolação, e desaguava na Paulista.

Atravessava a Paulista nos dois sentidos, olhava as vítreas silhuetas dos prédios e sentia saudades do meu pai na nossa estreita Rio Branco em busca das cigarreiras para comprar minhas histórias em quadrinhos e figurinhas.

A Avenida Paulista não é citada na canção do Premeditando o Breque, “São Paulo, São Paulo”, mas basta viajar em sua letra e somos atirados no meio do seu trânsito, nas suas calçadas. Aquela aquarela de etnias tem fonte nas cores da velha avenida. Cores de um dia em que pintei minha juventude.

Interrogatório Tudo no Brasil vira piada pronta. Quinta-feira às 13h, alguns sites publicaram que a Polícia Federal tinha estratégia-surpresa para interrogar Jair Bolsonaro. E às 19h, eles publicaram: “Em depoimento, PF perguntou se Bolsonaro é cis”.

Conectados O canal de TV RTP, o jornal Público, a rádio Antena 1 e a Universidade Católica de Portugal divulgaram pesquisa mostrando que as redes sociais influenciaram 50% dos jovens do país a se identificarem e votarem na direita.

Redes Dados atuais do IBGE revelam que quase 80 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. O país continua na sua divisão de Belíndia, bem saneado nas redes sociais, mas desconectado na rede sanitária.

Cinema Quando eu atravessei a piscina da UFRN girando em rodopio, o professor perguntou “que diabo é isso”? Eu não sabia, mas disse “é nado parafuso”. Eu vi Esther Williams – esplêndida – fazer em Escola de Sereias, clássico de 1944.

80 anos Dirigido por George Sidney e protagonizado por Esther Williams e Red Skelton, o musical Escola de Sereias foi o primeiro de Esther e a estreia de Janis Paige. A pianista Ethel Smith toca Tico Tico no Fubá, sucesso mundial naquele 1944.

Poesia Do professor Doriélio Barreto, no seu livro “Fatos de Ontem” a ser lançado em 20 de março na Academia Norte-rio-grandense de Odontologia: “Eu queria vê-la / nem que fosse à luz de vela / eu queria tê-la / nem que fosse numa tela”.

Sambafogo O Rio de Janeiro ganhou a primeira escola de samba relacionada a um time de futebol, como já existe em São Paulo. A Botafogo Samba Clube venceu a Série Prata e vai desfilar na Série Ouro, em plena Sapucaí, a partir do próximo ano.

CarnaDiscol Neste sábado a partir das 15h uma legião de amantes dos discos de vinil e do bom pop rock se reúne no aniversário de 49 anos da loja Discol, que a partir de 1975 virou point de várias gerações de Natal. Fica na Rua João Pessoa, 87.

Beatles O diário britânico The Guardian publicou sexta-feira uma suposição sobre atores que poderiam interpretar John, Paul, George e Ringo nos quatro filmes de Sam Mendes: Barry Keogham, Leo Woodal, Finn Wolfhard e Harry Melling.

Chuteiras Mais uma bela crônica de Rubinho Lemos para os anais do ludopédio. As coloridas e reluzentes chuteiras dos boleiros atuais só faltam o balançar de lantejoulas. E ele nem viu Tiquinho (do Botafogo) com um pé de cada cor.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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