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Brasil pelo avesso

[Instagram @alexmedeiros1959]

Minha geração viveu o início da puberdade e o auge da adolescência na encantada e conturbada década de 1970, um período repleto de sonhos e de conflitos nas pessoas e também de grandes mudanças na cultura, na política e nas instituições.

Naquela época havia muitos livros e reportagens abordando o futuro de uma nova era, a aproximação do ano 2000 e o fim do século que se dizia ser das luzes. Nós convivemos então com duas visões de mundo, ou de fim de mundo, que se encontraram por ali.
A visão dos nossos avos, leitores das escrituras ditas sagradas, e a visão dos profetas hodiernos, devoradores de livros de filosofia que abundavam então. Guardadas as devidas e largas diferenças de abordagem do tema, ambas as visões acreditavam nos sinais que anunciariam o fim do mundo.
E nestes sinais, a parte mais relevante nem eram as pragas, as intempéries da natureza e as guerras entre os povos. Tanto aqueles idosos folheando a Bíblia quanto aqueles jovens adultos misturando astronomia com astrologia, diziam que no fim dos tempos aconteceriam coisas estranhas, paradoxais.
Pregavam que o mundo viraria pelo avesso, os filhos se voltariam contra os pais, os valores morais e os conceitos do que é certo e errado seriam invertidos e subvertidos. Tudo fazia parte do Apocalipse, segundo a vovó religiosa; e da Era de Aquário, segundo o porta-voz do caos.
Meio século depois daqueles anos, agora com minha geração na idade dos avós, fico observando a confusão generalizada porque passa a vida, a nossa vida, e recordo os sentimentos e prognósticos que eram vistos como profecias.
Vejam o caso do Brasil que parece estar totalmente de cabeça para baixo. Todos os dias a gente vê um bandido sendo libertado e alguém que critica esse estado de coisas sendo preso ou perseguido.
Na TV, no rádio, nos jornais e na internet há um bolsão estabelecido numa tendência canalha de condenar policiais e defender marginais, de cultuar corruptos e demonizar quem combate eles.
Causa espécie, ou para usar a linguagem do povo, causa nojo constatar que autoridades judiciárias, legislativas e militares estejam invertendo as leis, botando o país pelo avesso. No campo político estamos acompanhando a novela grotesca da libertação de chefes de quadrilhas do tráfico e de chefes dos esquemas de corrupção.
Desde o dia que a nossa versão de Ali Babá foi descondenada e trocou as grades da cadeia pelas portas de madeira de lei dos palácios, todo dia um integrante dos 40 companheiros se torna homem de bem diante da vesga justiça.
Nem sei ao certo se o mundo está perto de acabar, mas diante das coisas estranhas ocorrendo no Brasil, arriscaria dizer que por aqui já operam os monstros da Era de Aquário e os demônios do Apocalipse.

Nuclear
A Rússia ameaçou e está cumprindo. Iniciou ontem treinamentos militares fazendo experimentos práticos com o uso de armas nucleares estratégicas. E num momento em que suas tropas avançam em diversas frentes na Ucrânia.

Espaço
E também ontem o Pentágono informou que a força aérea russa lançou um novo míssil de capacidade antiespacial e tecnologicamente apto a atacas os satélites dos EUA em órbita da Terra. Como estará o relógio do fim do mundo?

Terrorismo
Incentivados pela ONU, que cada vez mais se torna um órgão de apoio ao globalismo, Espanha, Noruega e Irlanda decidem aderir ao clamor esquerdista em favor do terror palestino. E na prática rompem suas relações com Israel.

Vergonha
No mesmo espaço de tempo em que o Papa Francisco abençoou o banditismo do MST, os ministros da Alta Corte de Justiça no Brasil inocentaram os corruptos Zé Dirceu e Marcelo Odebrecht e aprovaram a ridícula língua neutra.

Identitarismo
A esquerda ainda está atordoada buscando como reagir ao livro “A Esquerda não é Woke”, da renomada escritora americana Susan Neiman, que preside o Instituto Einstein, na Alemanha. Ela declara que o “coitadismo” não é esquerda.

Elegebesteira
Susan Neiman aborda com profundidade um debate iniciado ainda na pandemia quando a esquerda na Europa desidratou e alguns analistas perceberam que a pauta gay e vitimismo anularam as bandeiras do marxismo.

É o Brasil
No dia em que uma turma do STF decretou que Zé Dirceu é um cidadão de bem, um ficha limpa, dois canais de TV debatiam em suas bancadas a lei que cancelou multas sobre uso de máscaras e outras besteiras em São Paulo.

Silêncio
Lula sancionou lei que impõe sigilo em processos de violência doméstica. Nelson Rodrigues diria que as feministas calaram e só as mulheres normais reagiram. É a lei “Agressão do Lulinha em ex-mulher ninguém mete a colher”.

Comunicação
Contagem regressiva para as convenções partidárias e as três principais candidaturas (por enquanto) começam a formatar suas equipes de marketing e o grupo de jornalistas e influencers para cuidar das redes e mídias digitais.

Livraço
O jornalista Adriano de Sousa concluiu o livro que conta a história do ABC FC, uma obra que levou anos de minuciosa pesquisa. Com mais de 500 páginas e um belíssimo projeto gráfico, uma primeira edição já está indo para o prelo.

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