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Brinquedo é o de menos

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[Instagram @alexmedeiros1959]
Brasília tem sido um equívoco desde o comício de Juscelino Kubitschek, em abril de 1955, na cidadezinha goiana de Jataí, quando o corretor de seguros Antônio Soares lhe indagou se ergueria uma nova capital federal em substituição ao Rio de Janeiro.

Em quase sete décadas, a pretensa modernidade urbana imaginada por Oscar Niemeyer e projetada por Lúcio Costa foi se expandindo no mesmo ritmo ensandecido das metrópoles e sofrendo abalos morais no contorcionismo político dos seus palácios.


Quase sempre, o que sai dali é bom para o stablishment das castas dos três poderes e ruim para o Brasil. Do pouco que escapou de bom, registre-se o rock e as baladas das suas bandas e seus compositores dos anos 1980 e 1990.

Se alguém prestar-se ao trabalho de elencar os zilhões de projetos malucos e as leis grotescas que são vomitadas no Congresso Nacional, fará uma nova versão, real e ampliada, do festival de besteiras de Stanislaw Ponte Preta.

Desde que anularam o voto soberano do povo no plebiscito em favor da venda de armas, impondo o famigerado Estatuto do Desarmamento (fruto da vontade de vestais), que se aprovam leis contra armas de brinquedo, até peido de véia.

O auge da sandice pacifista foi o prefeito de Salvador proibindo o uso de pistolas de água no icônico carnaval baiano. Faz tempo se proíbe importação e venda de revólveres e rifles de plástico, que seriam um perigo nas mãos infantis.

Seria antevisão educacional, se não estivéssemos no 3º milênio, onde os efeitos da mídia policial, das novelas televisivas e dos jogos eletrônicos já não tivessem anulado com sobras as supostas influências nocivas dos brinquedos.

Ora, santa hipocrisia, Batman, grita o menino prodígio debaixo do headset, manuseando um potente joystick, executando 28 soldados muçulmanos com um rifle AK-47 e explodindo corpos com mísseis despencando de drones.

Assistir a molecada entre 7 e 27 anos nos PCs e consoles, dedilhando teclados e dando ordens auxiliadas por iphones conectados nos jogos, é uma loucura. Esmagam milhares nos games tipo Hell Let Loose, Call of Duty, Rising Storm…

Há de ser muito inocente quem imaginar desvios psicológicos no uso de uma pistolinha d’água. Aliás, todo dia a gente vê delinquente matando inocentes e sendo abatido com armas automáticas. TV aberta, sim, é venal para crianças.

Passei a infância montando cavalos imaginários e derrubando bandoleiros com revólveres que papai botava debaixo da rede como encomenda do Papai Noel. Nas ruelas de Santos Reis e das Quintas matei mais índios que John Wayne.

Os atos bélicos da meninice ficaram nas boas lembranças da minha geração, onde todos se transformaram em pais de família responsáveis, invictos em surtos de violência. Os meninos de agora massacram soldados no Battlefield.

É risível, para não dizer ridículo, que em plena era dos games online e dos consoles ligados à TV, educadores ainda elejam como vilão da formação social as ultrapassadas armas de plástico, que sequer atraem os bebês de um ano.

A violência real transmitida ao vivo, numa corrida ensandecida de TV e sites pela audiência quantificada, esta sim é nociva, até sobre adultos. O escudo discursivo da liberdade de expressão impede a condenação do expediente.

A violência foi coisificada – para usar um termo recorrente entre sociólogos dos anos 70 – e fez dos assaltos e dos assassinatos um lugar comum. As imagens grotescas vendidas como produtos do horário nobre são mais um reality show.

Perversão A Ilha do Marajó se transformou numa versão da ilha Little St. James do milionário Jeffrey Epstein, onde ricos, famosos e poderosos se divertiam com adolescentes. Mas a cópia brasileira é mais demoníaca, violenta, vil e nojenta.

Pedofilia As denúncias de Damares Alves em 2022 sobre um mercado negro de exploração sexual de crianças foram ironizadas pela esquerda, desmentidas pela grande mídia e ignoradas pela Justiça e MP. E agora foram confirmadas.

Grito e canto A jovem e talentosa cantora e compositora marajoara, Aymeê Rocha, usou seu talento para pedir socorro. Seu apelo musical bombou e sensibilizou até quem não acreditou em Damares Alves. Mas o silêncio ainda é grande sobre o caso.

Proteção Assim como aconteceu com os criminosos da ilha de Epstein, os iguais do Marajó estão sendo protegidos por gente poderosa, pela esquerda e pela imprensa engajada na pauta identitária. E as crianças sumindo e morrendo.

Impulsos Sites esquerdistas como Carta Capital e Brasil de Fato estão desmentindo Aymeê como fizeram com Damares. Mas políticos cristãos investem nas redes impulsionando os vídeos com a cantora e com a senadora. Vamos impulsionar.

Seita Do jornalista Roberto Motta, que tem raízes potiguares: “progressismo não é ideologia. É um culto religioso. É a religião do rancor contra os mais prósperos, contra os mais competentes e contra quem tem mérito. É contra as famílias”.

Jornalistas Gentileza e elegância do Comodoro Kaleb Freire, filho do saudoso Nilson Freire, em ceder o espaço do Iate Clube para o encontro de 70 jornalistas no sábado. Várias gerações da mídia impressa matando a saudade das resenhas.

Mossoró Nesses dias de caça cinematográfica em Mossoró e a confirmação no Iate de muita gente das antigas redações de jornais, bate saudade de Canindé Queiroz. Imaginem o que ele estaria escrevendo diariamente na sua coluna?!

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