Vicente Serejo
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Três vezes estive com Carlos Heitor Cony. Na Manchete, quando pedi a Murilo Melo Filho para conhecê-lo; em Natal, durante o Festival de Cinema; e no Recife, quando fiz parte da mesa sobre jornalismo literário na qual ele era o grande expositor. Dos três, o verdadeiro encontro foi o almoço no desaparecido restaurante Cuxá. Estava em Natal a convite de Valério Andrade e aceitou, com agradável simpatia, ter à mesa este tão anônimo e humilde cronista de província.
Foi na Manchete que pedi o autógrafo em ‘Quase Memória, Quase Romance’, numa tarde de julho de l996. Lembrei do encontro quando li a matéria, de capa, do Folhetim, da Folha de S. Paulo, homenagem aos seus cem anos, na edição de sexta, 13 de março. Foi um encontro rápido, de apenas alguns minutos. Só foi possível com o empenho de Murilo, um homem educado que recebia como irmãos todos os natalenses. Era um diplomata nascido neste mesmo e velho chão.
O verdadeiro encontro foi no almoço, poucos anos depois. Veio ser jurado no Festival de Cinema. E, modéstia à parte, tinha um razoável leitmotiv, do interesse dele, pelo menos imaginei. Queria levar minha interpretação do seu romance memorial. Fui dizer que ele no romance, fizera um retorno mágico para viver, outra vez, ao lado do seu pai, e compreendê-lo nas contradições. Principalmente por manter uma relação amorosa com outra mulher e que ele, Cony, conhecera.
Senti um silêncio de espanto cobrir seu rosto, mas, como se revelasse nos olhos um raio de emoção discreta e sincera. Como o almoço estava terminado, sugeriu que passássemos para a borda da piscina, uma área aberta. Acendeu um charuto Montecristo e pediu, como se quisesse testar aquele leitor anônimo com os olhos cheios de vida: “Fale mais”. Detalhei alguns pontos, a figura bem humorada do seu pai, um acendedor de balões que sonhava vê-lo ordenado padre.
Até hoje, trinta anos depois, ainda acho que o instante singular daquela tarde, se existiu, foi ao encerrar aquela visão, de um anônimo, sem nenhum valor a acrescentar ao sucessos do livro já em sétima edição, naquele 1996: “Você voltou ao romance, vinte anos depois, para viver a vida outra vez ao lado do seu pai, como uma forma de compreendê-lo e perdoá-lo”. Cony disse apenas: “Lamento que a minha mãe já esteja morta e não possa mais ouvir essa sua história”.
Só agora desejei contar contar. Cony e Murilo estão mortos, os do primeiro encontro, julho de 1996, na Manchete, Rua do Russell, no aterro do Flamengo. Mas há uma testemunha viva que proporcionou o almoço: Valério Andrade. Foi o portador de um exemplar de “Quase Romance, Quase Memória”, de Antônio de Souza, Polycarpo Feitosa, livro póstumo, publicado em 1969. A coincidência, mesmo com o título na ordem inversa, também deve ter surpreendido a Cony.
PALCO
DÚVIDA I – Pelos números da pesquisa publicada na TN cabe algumas perguntas, sim: se a luta tão acirrada fosse hoje, para quem iriam os 6,3% de votos do PT, se não apoiaria Álvaro Dias?
DÚVIDA II – Outra: se Zenaide Maia e Fátima Bezerra (leia-se PT) estão hoje rigorosamente empatadas em 11%, e na ausência de Fátima, para onde marcharia o segundo voto para senador?
DÚVIDA III – A cômoda vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, é sinal de que o PT mantém sua maioria em Natal, a exemplo de algumas capitais do Nordeste? Inflenciaria na luta estadual?
DÚVIDA IV – Álvaro estaria certo na estratégia de preferir lutar contra o PT no segundo turno, levando Allyson Bezerra à derrota e ter o apoio derrotar o adversário comum? E se não for assim?
AVISO – Será em Recife, 28 de abril a primeiro de maio, o XII Congresso Latino-Americano e o XVIII Congresso Brasileiro de Higienistas de Alimentos com presença de vários nomes do RN.
AINDA – Durante os dois Congressos será realizado concurso para a concessão do título de Especialista. Inscrições podem ser feita pelo site higienistas.com.br ou pelo telefone 99445.4752.
POESIA – Rupi Kaur, a bela poetisa e artista plástica, nascida na Índia, em ‘Beleza essencial’: “Todos nascemos / tão bonitos. // A grande tragédia é que / nos convencem de que não somos”.
DOR – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, quando as dores antigas tomam conta da mesa: “Não acorde as feridas. É melhor deixá-las dormir, como se não fossem acordar nunca”.
CAMARIM
DESGASTE – Fontes próximas de Álvaro Dias estariam convencidas de que a tese das obras inacabadas que a oposição lança para desgastá-lo pode ter um poder muito ofensivo se entrar na campanha com o Hospital de Natal ainda de portas fechadas, depois de um ano e meio de gestão.
FOCO – Para essas fontes na gestão de Paulinho Freire a prioridade é a realização de um grande programa de obras sociais que só beneficiam a candidata Nina Souza. Para eles, as obras são importantes, mas a paralisação das obras obriga a Álvaro a tentar explicar no marketing eleitoral.
SAIA – A Sociedade Brasileira de Urologia – SBU-RN – lança uma campanha preventiva de alerta, ‘Saia do Molhado’, para o tratamento do que chama de “escape de urina”, principalmente em 45% das mulheres e 15% dos homens acima de quarenta anos. Acesse @sbu.rn no Instagram.
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