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Centrões, frentões…

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Vicente Serejo
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É evidente que os políticos brasileiros sabem a receita saudável de como construir o centro verdadeiro. Se não o fazem, e preferem centrões e frentões, é pelo vício nutrido com as cartas de uma jogatina no tabuleiro dos interesses. Não fazemos fusões pela convergência dos princípios básicos de cada partido, dos pontos comuns e em busca de garantir o melhor para a sociedade. Das fusões, nascem os centrões, sempre bem azeitados pela bastardia que faz da política um jogo bruto.

Foi assim, numa repetição monótona e deslavada, quando da fusão dos Democratas com o PSL e, do conúbio, nasceu o União Brasil. Esta coluna foi criticada quando duvidou que esse novo partido exerceria o papel de Centro. Ao escolher seu ministério, o presidente Lula já anunciou a presença de três ministros do União. Explicou com a velha desculpa que há anos é a jurisprudência da conchambrança: a governabilidade, sempre posta como gesto de sacrifício pelo bem do Brasil.

Não precisa ser cientista político, basta ser um cidadão capaz de exercer a sua cidadania consciente, para constatar o espetáculo deprimente do jogo parlamentar no deslimite dos devaneios que pratica cara-a-cara com a Nação. Os que sobem à tribuna do Senado e da Câmara, ostentando sejam quais forem seus partidos, cobram providências do governo para evitar o monstruoso déficit público nas contas do Tesouro, mas antes aprovam R$ 58 bilhões de emendas, fundos e fundões.
Disse muito bem Paulina Leite, a líder social na Favela dos Sonhos, quando no tiro certeiro declarou, referindo-se aos favelados: “A pobreza não é só de dinheiro”. E não é. Muito mais grave é a pobreza de humanismo dos quadros atuais que integram esta república. Os dados de uma recente pesquisa Datafolha mostram a clara manifestação de descrédito dos três poderes, se a Nação, formada por todos seus estamentos sociais, é quem pode julgar todas as suas instituições.
O surto de dengue, mesmo com a existência de vacina testada e aprovada, hoje a alcançar números estratosféricos, é bem o exemplo. Não se pode comparar com a letalidade da Covid. Não faz sentido. Mas, também flagra a ineficiência do Ministério da Saúde, ainda que se reconheça o preparo da cientista que exerce o cargo de ministra. Por sorte, o mosquito da dengue é muito menos letal, mas contaminou o desempenho do governo que, na oposição, denunciou o passado recente.
É um erro buscar justificativas como se fossem cataplasmas de última hora. Tudo nasce do baixo nível a que chegamos. Estamos diante de um governo desatento ao dever de enfrentar com agilidade a nova peste que não é novidade, como fora a Covid. Com um Congresso que não cumpre seu dever constitucional de fiscalizar as ações do Executivo; e um Judiciário que, à espera de ser provocado, não saiu das suas togas para gritar. Continuamos vítimas de centrões e frentões. E só.

PALCO

BRILHO – O jornalista Jean Valério ganhou uma página na edição da ‘Isto É’, consagrando o seu talento no livro ‘Acelere na Adversidade’. E num texto assinado pelo jornalista Felipe Machado.

ESTILO – O presidente Emmanuel Macron, da França, recebeu um exemplar da biografia de Jean Mermoz escrita por Roberto da Silva e publicada por Abimael Silva e apoio do consulado francês.

GESTO – Foi levado, autografado, por Caroline Martins, representante consular da França em Natal. Vai ficar no Palais de l’Elysée, em Paris. E a honra, pelo prefácio, é deste cronista aldeão.

TROCO – O trato grosseiro de Jair Bolsonaro ao acusar a mulher de Macron de velha e feia, custou caro. Macron fez questão de condecorar Janja, gesto bem simbólico e forte, típico dos franceses.

SOPRO – Isaura Rosado aceitou o convite e começou o trabalho de organização e catalogação da biblioteca da Academia de Letras. Ela vai demonstrar como se aceita, e se vence, mais um desafio.

INJUSTO – Um técnico teria sido demitido, ou estaria para ser, pelo pecado de se apaixonar por uma de suas atletas. O amor proibido, na vida e na literatura universal, sempre fortaleceu o amor.

POESIA – Do poeta José Bezerra Gomes no poema ‘Circo’ na sua Antologia Poética, publicada há cinquenta anos, em 1974: “O malabarista, engolindo labaredas, monumentava o silêncio geral”.

DEFEITO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, olhando o defeito congênito de algumas figuras da vila: “Há aqueles que nascem com uma dobradiça no lugar da espinha dorsal”.

CAMARIM

DIALÉTICA – As especulações em torno da sucessão de Natal também são banhadas pelas águas da dialética do Potengi. Há os convencidos de que o segundo turno, se houver, em qualquer quadro, será favorável ao ex-prefeito Carlos Eduardo Alves que lidera as pesquisas já aplicadas até agora.

HIPÓTESES – São duas. Na primeira, contra Natália Bonavides, é avaliada como o mais provável aos especuladores que Alves terá os votos de Paulinho Freire. A segunda, contra Paulinho Freire, ele também teria, por gravidade natural, os de Natália. Já há quem faça essas pesquisas de projeção.

AINDA – Há uma terceira hipótese: o papel do prefeito Álvaro Dias. Se apoiar Carlos, a campanha pode encerrar no primeiro turno. Mas, mesmo forçando para gerar o segundo turno, com candidato próprio, não tem como votar em Natália. Chegaria enfraquecido à mesa da sucessão, lá em 2026.

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