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Chuteiras pretas

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A bem da verdade, o assunto foi levantado no Facebook pelo ex-zagueiro Ivan Xavier, seguro e tranquilo quando estava em campo, defendendo, entre outros clubes,o Sport(PE), o América(RN) e o Alecrim(RN).Ivan Xavier viveu o auge do assassinado Estádio Castelão (Machadão) na década de 1970 e hoje brincaria de ser titular em qualquer time não só do Rio Grande do Norte,mas do Nordeste.

Ivan Xavier protestou pelo desaparecimento em escala industrial das chuteiras pretas, símbolo emblemático do futebol bem jogado nos tempos dele em campo. Peguei a deixa,dei uma revisada pelas internets e revistas da vida e constatei: o futebol virou baile funk com os boçais dos gramados mais enfeitados do que penteadeira de puta.


Além de transformar cabelos em muros redondos cheio de cores berrantes,exageradas e narcisistas, os novos boleiros desviam a atenção do principal: simplesmente jogar bola com talento e seriedade. Usando roupas ridículas, algumas de fazer inveja às artesãs da Feira do Carrasco em Natal, a meninada coleciona pisantes invocados.


Outro dia,numa loja esportiva de shopping center em Natal, olhei para o mostruário das chuteiras e vi pares em vinho, azul, escuro e claro, amarelo berrante, estilo colete de guarda de trânsito, verde, laranja de queimar os olhos. Menos um parzinho sequer em preto. “Não temos, a procura quase não existe”, me disse uma vendedora nota zero em simpatia. Minha cara de pobre afugenta.


Havia regras adoráveis que simplificavam o futebol. A primeira: time titular veste camisa de 1 a 11. Era assim. A defesa com o goleiro(1), o lateral-direito(2), o zagueiro-central(4), o quarto-zagueiro(4) e o lateral-esquerdo(6); Volante(5), meia-armador(8 ou 10) e ponta de lança(8 ou 10); Ponta-direita(7), centroavante(9) e ponta-esquerda(11). Fácil para o torcedor decorar.


Várias vezes cheguei na Loja dos Esportes de Paulinho Ramos e gritei no balcão:

  • Paulinho, me dá aí a camisa 10 de Danilo Menezes e a 8 de Zezinho Pelé.
    Vinham lindíssimas, nos dois padrões do ABC, o todo branco e o listrado. Sem atropelos, nem frescura. Camisa pesada, tecido grosso, gogó apertado. Saía feliz como se estivesse de calção de banho para dar um mergulho na Praia do Forte.
    Peladeiros sem pé no chão duro dos paralelepípedos, usavam as marcas Topper, Pênalty e, os mais ricos – compravam estoques da marca Adidas, que servia a seleção brasileira principal, com Zico, Rivelino e Roberto Dinamite. Nos anos 1960, proliferava a Gaêta.
    Chuteira preta, numeração padronizada, restava ao atleta procurar exibir o melhor drible, tentar dar uma caneta humilhante no adversário, chutar com efeito, evitar rasgões profundos, comuns nas mais baratas e populares nos bairros de periferia: Chuteiras Ideal, feitas de maneira artesanal, sem nunca tirar o rebolado de quem a usava.
    Quando o rico – especialmente nos jogos escolares ou em categorias de base menosprezava a chuteira pobre, pagava levando cinco fintas consecutivas ou assistindo a um golaço em que todo o ataque se mexia em toques rápidos iguais à batida do sambista no tamborim.
    O universo fashion-babaca dos influencers dos campos no Brasil, está contribuindo para o rebaixamento do nosso futebol do primeiro nível para o patamar intermediário. Essa frescura deveria ser banida pelos técnicos. O vaidoso passa o jogo se olhando, chega no bairro cantando de galo sem jogar patavina, tentando conquistar as marias-chuteiras em fase inicial, ainda no infanto-juvenil.
    Didi, o Príncipe Etíope, usou exclusivamente chuteiras pretas. A do pé direito, o dos shows, vinha amaciada por um juvenil, macete para torna-la cansadinha e facilitar as curvas sensuais oferecidas ao povo pelo gênio. Hoje, Didi estranharia o mundo milionário dos babacas que se enfeitam e enfeiam o futebol.
    Até na Copinha, que é quando o moleque está começando, se via a bossa, a marra que eles aprendem dos toscos titulares. O fim da chuteira preta não é um problema estético.
    É tradicional. Quanto menos frescura, mais o brasileiro dava espetáculo. Hoje, é nenhuma modéstia, máscara acima do tolerável e derrota de quatro em quatro anos.

Felicidade Cerca de R$ 1,8 milhão em premiação, um empate fora de casa (ABC) e uma vitória do América quisera a coluna que afugentasse de vez a má fase dos clubes. Segundo tempo do ABC foi de muita garra.

ABC Erick Varão, jogando de forma regular, joga mais do que os volantes do ABC. Erick Varão, com Wellington Dias, jogam mais do que qualquer dupla de volantes do futebol do Rio Grande do Norte.

Força Digam o que quiserem: mas 20 clubes dispostos a participar do campeonato potiguar é uma demonstração de força da Federação. Sem clubes, não existe mantenedora. Sem mantenedora, não existem os clubes.

Elenco do América Futsal

O futsal do América está completo: Rapadura, Elhinho e Dudu; Fixos: Rogério, Cleudisson e Paulo Vitor; Alas: Anderson Tangará, Dedê, Joan, Petersson Bruno, Sabará e Vynicius Bigode; Pivôs: Betinho Potiguar, Beto e Thierry. Técnico: Roberto Pereira.
(“Corre Bagadão!, diz o técnico Piguela no América de 1971. Corra o senhor! Responde o impávido Bagadão”)

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