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Com Dino, STF perderá o que restava de paz

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Vicente Serejo (Interino Danilo Sá)
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A escolha do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, para compor o Supremo Tribunal Federal (STF) é (quase) indefensável. E sob muitos aspectos. A única variável, neste caso, é se o argumento favorável vier pelo fato do seu lado político. E, mesmo assim, é no campo da esquerda onde o socialista acumulou uma série de críticos. Nestes quase onze meses de gestão, não foram poucas as tentativas intramuros do Planalto para queimar a ascensão de Dino. Fracassaram.


Os companheiros do presidente Lula jamais esconderam a preferência pelo nome do petista raiz Jorge Messias, atual comandante da CGU e conhecido pelo episódio “Bessias”, quando teve o nome citado na conversa telefônica entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula, vazada pelo ex-juiz Sérgio Moro. Já para a direita, o presidente dá, de bandeja, um novo campo de batalha, que vai alimentar os discursos contra o STF por tempo infinito.

Em menos de um ano no cargo, o ministro acumulou polêmicas. Primeiro, protagonizou uma visita ao Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, sem reforço na própria segurança. Uma das principais autoridades do país entrou e saiu de um dos locais mais perigosos da nação sem ser importunado. Depois, veio o episódio do sumiço das imagens das câmeras de segurança do Ministério da Justiça relativas aos ataques do 8 de janeiro. E ficou por isso mesmo.


Mais recentemente, veio a última tentativa de derrubar Dino da futura indicação agora confirmada: o caso da dama do tráfico amazonense. A visita da esposa de um chefão do crime organizado no Ministério tocou fogo em Brasília, mas também não foi suficiente para tirar a preferência lulista de ver o aliado com a toga preta nas costas. O fato é que, caso o Senado aprove a indicação, a imagem do Supremo seguirá sendo ainda mais dilapidada.


É bem verdade que Flávio Dino preenche os requisitos legais para ocupar o cargo. Mas, há tempos se afastou do cargo de juiz para se dedicar a política. E, na principal função de sua trajetória na vida pública, travou duros embates com os adversários. Para muitos, foi o ministro do atual governo que mais se afastou dos posicionamentos técnicos para adentrar o campo de batalha eleitoral.


Ao escolher Dino para o STF, Lula também joga fora de vez a imagem que construiu na campanha. Muitos já devem ter esquecido, mas o petista venceu a disputa contra Bolsonaro prometendo apaziguar os ânimos no país, governar para todos, dialogar com todos os lados. A indicação ao Supremo tem efeito exatamente inverso. Parece mais como uma afronta a metade do país que votou no seu adversário. Com Dino, o STF perderá o que lhe restava de paz.

PALCO

Minoria
Em tempo, com a chegada de Dino ao STF, a Corte estará formada com 10 homens e apenas uma mulher, a ministra Cármen Lúcia. Até agora, nenhuma palavra das feministas de plantão pelo fato do presidente ignorar a tal diversidade de gênero.

Reação
Nem bem teve o nome oficializado por Lula, e as articulações contra Dino no Senado já começaram. Podem anotar. Poucas vezes o Brasil verá tanto empenho de alguns para derrubar uma indicação ao STF. Resta saber quem vencerá daqui a alguns dias.

Marca
Sem ter muito o que apresentar nos dias em que ficou à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Dino deixará o cargo com recordes de violência nos estados da Bahia e Rio de Janeiro. A única grande marca, foi o permanente combate à venda de armas legalizadas.

Pressão
O governo Fátima Bezerra pode ter hoje um dia decisivo na Assembleia Legislativa, caso seja colocado em votação o recurso para garantir a tramitação do projeto que reajusta o ICMS de 2024. Com as contas no limite, o Executivo não contava com tanta dificuldade no Parlamento.

BILHETES DE VIAGEM – V

LISBOA
Manchete da primeira página do Diário de Notícias de Lisboa: “PJ investiga infiltração de gangues no consulado de Portugal no Rio”. A editora D. Quixote lança, aqui ‘A Palavra que resta’, o romance de Stênio Gardel, Prêmio Nacional Book Award, nos EUA. Dois livros de autoras brasileiras: ‘A Mesa de Deus’, de Maria Lectícia Cavalcanti; e ‘Homem-Objeto e outras coisas sobre ser mulher’, de Tati Bernardi. Destaque da ‘Radar’, a principal coluna da revista ‘Visão’, é a declaração de Jair Bolsonaro, com sua foto: “Estou quase a torcer pela Argentina no próximo jogo contra o Brasil”. É bom lembrar que a frase do inglês Samuel Johnson (1709-1784) – “O patriotismo é o último reduto dos canalhas” – não se refere ao patriotismo, mas aos canalhas. O patriotismo, falso e fruto do populismo, é a velha doença que mais vem corroendo a já tão superada e carcomida política populista do Brasil.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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