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De cortes e modelos

Vicente Serejo
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Em meados do maio que acabou de passar, uma notícia saída dos formulários do Gallup surpreendeu aos próprios norte-americanos: para 58% deles a Suprema Corte dos EUA não tem se conduzido de forma adequada. Na amostragem, o percentual dos que aprovam ficou em 41%, o que não chega a ser dos mais baixos, mas é inédito. Para mais da metade, a Corte tem tomado decisões muito à direita e, em certos casos, assume posições “extremamente conservadoras”.
O fato não pode ser visto apenas como o desenho de uma realidade interna de um país civilizado, dono de uma democracia estável, líder econômico e militar do Ocidente. Esses novos dados revelam, ao resto do mundo, os sinais de possível perda de visão do que as sociedades de hoje esperam da vida republicana. É como se avisassem que é preciso legislar, governar e julgar com os olhos voltados para os novos direitos nascidos de um mundo à frente dos seus líderes.

Quem tiver olhos livres de idiossincrasias para observar o mundo contemporâneo e suas novas preocupações, notará que são outras as prioridades e emergências. Estão na ordem do dia o debate sobre os direitos legítimos da mulher decidir sobre o aborto; os desafios ambientais; e as questões de gênero, para citar alguns exemplos. Os deveres republicanos não estão mais sob a égide dos poderes, mas da sociedade e, esta, bem acima de governadores, legisladores e juízes.
Numa de suas mais recentes edições, o New York Times lembrou, reproduzindo a foto, a imagem da bandeira Norte-Americana hasteada de cabeça para baixo na residência de um juiz da Suprema Corte como protesto pela eleição de Joe Biden. Seria natural o protesto, de tintura nitidamente partidária, se não tivesse drapejando nos jardins de um magistrado que julga as sempre elevadas questões constitucionais. Um fato muito eloquente para não ser bem pesado.
A pesquisa Gallup, ao contrário do que acontece aqui no Brasil quando das avaliações, levou o presidente da Suprema Corte, diante dos dados estratificados, a acelerar o processo de e a aplicação de um novo Código de Conduta. Ele sabe que não basta invocar a lei para a consagração de uma Corte. É preciso que a sociedade demonstre confiança, afinal, não há, e nunca houve, nas democracias livres, lei capaz de regulamentar a força das multidões nas ruas.
Ninguém pode negar o destemido papel do Supremo Tribunal Federal quando enfrentou, com desassombro, as ameaças à democracia. Mas, ainda assim, as pesquisas mostram que o STF está diante de uma urgência: retirar a Corte do ativismo que tem ferido profundamente sua imagem. É impossível preservar a integridade e autoridade de uma Corte sem manter com rigor o limite que protege a instituição e seus juízes. Só assim será a grande guardiã da democracia.

PALCO

URNA I – Na hipótese de um segundo turno contra Natália Bonavides, do PT, os votos dados a Paulinho Freire, caminhariam, por uma tendência natural, para o ex-prefeito Carlos Eduardo.

URNA II – Segundo a mesma pesquisa, guardada a sete chaves, assim como os votos dados a Natália Bonavides iriam, em sua grande parte, também para Alves, se enfrentar Paulinho Freire.

NOME – O advogado Paulo Linhares exonerou-se da previdência, na Prefeitura de Mossoró, e pode ser vice do prefeito Alysson Bezerra. Linhares é do PSB, partido de Carlos Eduardo Alves.

EXTREMOS – O deputado federal sargento Gonçalves acusa sua colega Natália Bonavides de extrema esquerda. Um dia ele vai descobrir que é tão sectário quanto quem é de extrema direita.
RUAS – Cassiano Arruda Câmara apresentará a edição do livro de Câmara Cascudo, até agora inédito, sobre a história das ruas de Natal. Deve sair dos prelos da UFRN até o final de agosto.

MACAU – Ao leitor Pedro Máximo: é justo elevar Macau a Diocese, homenagem a Monsenhor Honório, o Santo do Povo Macauense, pois nele a bondade e a humildade venceram a matéria.

POESIA – Do poeta José Bezerra Gomes pintando com versos uma Natal desaparecida, feita de coisas que ele nunca viu: “Cidade do já teve, / de boêmios seresteiros. / que não alcancei…”.

DOR – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, virando um último gole na tarde que anoitecia nos olhos tristes dos seus bêbados: “Às vezes, o passado dói de uma dor medonha”.

CAMARIM

PESQUISA – O Laboratório de Sono, Sonhos e Memória, da UFRN, com uma campanha de financiamento coletivo para a pesquisa do sono dos alunos na sala de aula, sob a supervisão do professor-doutor Sidarta Ribeiro, diretor Instituto do Cérebro, centro de estudos neurológicos.

BUSCA – Testada na UFRN – dobrou a velocidade de leitura dos alunos – a experiência vai ser levada à rede estadual de ensino público. Quem coordena esta nova etapa da pesquisa é Flora Assaf, aluna do mestrado. Para colaborar, basta acessar a página do Catarse e fazer sua doação.

SETENTA – A Editora Global lançou a edição comemorativa dos 90 anos de ‘Casa Grande & Senzala’, de Gilberto Freyre, mas, até agora, não informa se lançará até o final do ano a edição especial dos setenta anos do Dicionário do Folclore Brasileiro, obra magna de Câmara Cascudo.

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