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De patriotismo

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Vicente Serejo
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Os conceitos resistem às deformações nas culturas maduras e assentadas. Nunca no varejo de opiniões reforçadoras pelo maniqueísmo sem visão crítica. É bem o caso do conceito brasileiro de herói vítima da prevaricação conceitual. Misturamos heróis e ídolos, líderes e chefes, estadistas e carreiristas, santos e demônios. Concedemos honras de estado a piloto de Fórmula I e jogador de futebol, quando são ídolos e não heróis e sem os compromissos republicanos com a sociedade.


Aliás, mais de uma vez o Brasil assistiu ao gáudio vaidoso da família quando empresta os seus mortos para que sejam usados como símbolos de um falso patriotismo que arrasta os corpos pelas ruas, sobre a plataforma de um carro de bombeiros. Enquanto a ditadura perseguia, prendia, e torturava brasileiros, sob o céu de anil. Tudo para amordaçar as vozes que denunciavam a repressão levada na ponta das baionetas e borzeguins, espetáculo dantesco do horror inesquecível.

Está na memória da história intelectual brasileira o encontro de José Lins do Rego, no Rio, com Alzira Vargas, quando protestou contra a prisão arbitrária de Graciliano Ramos. Contam que Alzira foi ouvir o pai, no Palácio do Catete, encimado até hoje por suas águias de bronze. Getúlio, dissimulado, teria respondido ser coisa dos militares, não do governo. Anos depois, a Academia Brasileira de Letras elegeu Getúlio Vargas imortal, o carcereiro do grande autor de ‘Vidas Secas’.


É intrínseco, parte inseparável do conceito de herói, as lutas em favor de reinvindicações de direitos individuais e coletivos. Ninguém é herói por ser bom empreendedor, como se eficiência e lucro, mesmo legítimos, fizessem heróis. Aqui, nesta aldeia de tão falsos heroísmos, nosso único herói é Miguelinho. Como o nosso grande benfeitor é Varela Santiago, se tudo que fez foi pelos outros. Assim, como o santo dos natalenses é o Padre João Maria, ungido pela bondade humana.


E o que temos feito por eles, em memória dos seus exemplos, em respeito à grandeza dos seus gestos? Soubemos, ao longo de dois séculos de Miguelinho, cultuar aquele que deu a vida em defesa da liberdade, sem delatar nenhum dos companheiros? Cuidamos da praça que tem o nome de João Maria, suja e abandonada? Ensinamos às novas gerações a grandeza humana de Varela Santiago, bem feitor que cuidou da vida das crianças e lutou para educá-las, como gestos de amor?


Na verdade, e posto que não é possível varrê-la para debaixo dos belos tapetes dos nossos nobres palácios governamentais, diga-se logo: somos, nós mesmos, os grandes traidores de nossa própria história. Tão humilde que é injusto empobrecê-la ainda mais. Não. Louvamos ídolos de pés de barro. Inventamos e reinventamos uma praça cívica como se no seu chão, com seu nome e seu busto, já não estivesse Pedro Velho, o proclamador da República no Rio Grande do Norte.

PALCO

IRA – A política também tem heróis populistas com iras de isopor. Como o deputado Paulinho Freire, de espada em riste e brandindo irado pelo impeachment do presidente Lula. Tem cada uma.

FUROR – Flor do mais novo bolsonarismo, o deputado Paulinho Freire está certo de que, assim, será o mais lídimo representante da direita radical. Sem precisar, sequer, de ostentar uma patente.

MISSÃO – O ex-deputado Henrique Alves tem agora uma missão árdua: convencer a seu primo, Carlos Eduardo Alves, a não exibir a sua prepotência. Missão que todos reconhecem: não é fácil.

RETRATO – Como muito poucas vezes, as três Dioceses do Estado – Natal, Mossoró e Caicó – estão sob a direção de bispos de fora do Rio Grande do Norte. Já não temos quadros com o antes.

GESTÃO – Para uma fonte ligada à Igreja, o Vaticano hoje precisa indicar bons gestores diante das dificuldades das Dioceses. Pincipalmente a Arquidiocese de Natal e a Diocese de Caicó. Será?

ILHA – O poeta Saddock Albuquerque lança dia sete de março, a partir das 17h30, seu livro de poemas ‘O Espelho da Ilha’, no terraço do América. Um longo poema sobre a Macau da infância.

POESIA – Do poeta Carlos Drummond de Andrade, na abertura do poema ‘Os Ombros suportam o mundo’: “Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus / tempo de absoluta depuração”.

RECEITA – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, de mãos repousadas na mesa do bar: “A primeira coisa que o proxeneta faz, se é proxeneta, é enterrar o pudor no fundo do quintal”.

CAMARIM

SERÁ? – O presidente do MDB, vice-governador Walter Alves, estaria pondo dificuldade para liberar o deputado Adjuto Neto dos quadros do partido. O gesto, mesmo velado, parecer ser, hoje, o ponto de maior atrito, e explosivo, do prefeito Álvaro Dias com o ex-senador Garibaldi Filho.

PEDRA – As avaliações negativas da gestão Fátima Bezerra nas pesquisas nacionais e locais são hoje uma pedra no crescimento da candidatura de Natália Bonavides a prefeita de Natal. Uma luta que começa cedo, no início do segundo semestre. Natália estacionou nos 15%, em segundo lugar.

DESAFIOS – O governo vem acumulando inadimplências em vários setores, mesmo tendo apoio do Palácio do Planalto. As fontes petistas estão convencidas de que a governadora pode fechar o ano com o governo de contas equilibradas. Afinal, agora, não tem Bolsonaro para levar a culpa.

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