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Diversos

Dácio Galvão
Mestre em Literatura Comparada, doutor em Literatura e Memória Cultural/UFRN e secretário de Cultura de Natal

Entre diferenças vamos seguindo. Tentando livrar os espectros menores. De dicotomias reincidentes nessa primeira quadra no século XXI. Dos campos e espaços polarizados por árabes / judeus. Extrema-direita / extrema-esquerda. Nacionalista / identitário. Liberalismo / socialismo. Democracia / teocracia… Do ativismo cultural pueril em contraposição a cena militante de bandeiras afirmativas: Negritude. Povos indígenas. Escravizados. Ciganos. Mulheres. Idosos. Crianças. LGBTQIA+, PcD…
A história é cíclica. Espiralada. Inscreve etapas civilizatórias. Nos anos de 1910 o formalismo soviético muito contribuiu para criação cultural. O Círculo Linguístico de Moscou -Tzvetan Todorov, Mikhail Bakhtin, Vladimir Propp, Viktor Choklóvsky, Ossip Brik…- liderados por Roman Jakobson estudaram graus de cientificidade da língua. E da linguagem poética. Nada de abstrações na crítica literária. Contexto ou ideologia. Sim o texto. Sua voltagem literária: a Literatura em si. Como objeto. Importando a literariedade. O gatilho “que confere ao texto o estatuto de literário”. O Círculo Linguístico de Praga na década seguinte sequenciaria os estudos apurados. Incluso emigrados: os russos R. Jakobson, Nikolai Trubetzkoy e Sergei Karcevskiy. Participou também René Wellek… O impacto nas pesquisas desses linguistas derivou de impulsos das obras de artistas e literatos: “Picasso, Braque, Stravinsky, Joyce, Klebnikov, Le Corbusier”…
No Brasil a tradição de estatutos teóricos se legitimaria -fora das academias- a partir de movimentos de artes atritadas entre si: Concreta, neoconcreta. Práxis, poema-processo. Violão de Rua, Tropicalismo. E de seus desdobramentos. Do ponto de vista de coletivos das artes visuais podemos elencar os grupos: Abstracionista, tendo Manabu Mabe, Tomie Ohtake, Lygia Clark… Grupo Ruptura, apontando Waldemar Cordeiro e outros. O Grupo Frente de Ivan Serpa, Abraham Palatnik… O da Nova Objetividade Brasileira expandindo o inaugurador, Hélio Oiticica. Nova Figuração ou Pop Art brasileira pontuando José Roberto Aguilar, Rubens Gerchman…
Do ponto de vista conceitual os marcos iniciais polemizam teorias políticas, filosóficas, teológicas, ateístas… Na pós-modernidade, pós-utopia ou no pós-tudo sobrevivemos. No antropoceno. Na concreção destrutiva geológica patrocinada pela humanidade. O Rio Grande do Sul… A emergência climática resultante da atividade humana inadequada no planeta destampa riscos para vidas. Para a arte -“antena da raça”- são lançados novos desafios. Se constata contemporaneamente que Guimarães Rosa e Machado de Assis continuam gigantes. Fora de limites geográficos. Trabalharam a linguagem literária nas margens de convenções. As investidas dos escritores residiram na literariedade. Suas produções criativas contrariam dicotomias. São universais. Se amalgamam aos apontamentos formais de Roman e colegas de estudos. Lição da história.

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