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Do velho…

Vicente Serejo
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Outro dia, talvez por ser livre do siso grave dos poderes, mesmo sabendo e tendo provado, na própria carne, a dor e a delícia de tê-los conhecidos de perto – como diz a canção popular, o cronista acabou causando desgosto. Tudo por projetar, sem nada inventar, o futuro político deste elefante de poder findar reeditando a boutade do filósofo Antônio Gramsci, tão caro aos marxistas, e só porque um dia advertiu na sua dialética que “o velho está morrendo e o novo não pode nascer”.
A projeção do velho está na fibra da carne e no cerne do espírito dos que se anunciam na busca do voto no pleito deste ano. É que, na hipótese da eleição de Carlos Eduardo Alves, o que não é impossível, mesmo que não seja desejado por muitos, o ano de 2026 pode ser o retorno ao poder do grupo Alves. Um fato pode ser, por si só, vício e virtude. Pode coincidir com a posse de Walter Alves, vice, no governo. Dois Alves nos dois palácios, nossos maiores símbolos de poder.

O desgosto, por suposto, veio no juízo de valor do ‘velho’ atribuído pela coluna diante de um ‘novo’ que não consegue nascer. Ora, são os mesmos, com as mesmas promessas e as mesmas intolerâncias. Quem virá, indaga-se, ainda que tangidos pela legitimidade do voto, trazendo o novo? Carlos Eduardo Alves, com a sua falsa socialdemocracia? Paulinho Freire, com o seu União Brasil, um aliado do PT, em Brasília, e do PL aqui, sob o comando do senador Rogério Marinho?
Diria, quem sabe, um petista empedernido: o novo é Nathália. Ela é jovem, com certeza, e tem a juventude que a distancia dos anos da velhice. Mas, e os métodos, são novos? E o peso da avaliação do governo Fátima Bezerra, no patamar superior a 70%? Mais: uma pesquisa, mesmo que se leve em consideração as distorções da sondagem por amostragem, não apontaria a estranha e tão feroz dificuldade do eleitor de apontar uma obra importante no segundo governo em curso.
Não há análises contra ou a favor, se baseadas em dados reais. São volúveis e sinuosos as ondas do sentimento coletivo, mas há, nessa volubilidade, traços de permanência que desenham o que pode ser decantado. Não significa que amanhã a avaliação não possa ser outra e positiva, como as urnas poderão eleger a deputada Natália Bonavides. Em qualquer das hipóteses, será sempre da governadora Fátima Bezerra a tarefa de reconstruir sua capacidade de empatia para virar o jogo.
Convenhamos, e foi, sim, dito com ênfase: o novo não nasce das urnas se nas urnas forem eleitos os representantes do velho. A gestão política brasileira não tem revelado capacidade de construir uma prática de ações que reinaugurem a indispensável perspectiva de uma vida melhor para todos, e não só para os mesmos estamentos que aprofundam as desigualdades. E não virá de forma isolada, da esfera pública ou privada. Mas, do Estado, o mediador da prosperidade da Nação.

PALCO

JOGO – Bom jogador – jogou nos campos de Garibaldi Filho, Wilma de Faria e Fátima Bezerra – Jean Paul Prates deixou as mágoas no bolso interno do paletó e saiu de boa, agradecendo a todos.

ALIÁS – Prates sabe que, politicamente, deve a vitrine de ser senador ao PT, mesmo e certamente, por gratidão. E depois, um bom jogador, nunca fecha portas. Muito menos no seu campo de ação.

REAÇÃO – Negar a aprovação da Secretaria de Cultura foi revanche dos deputados irritados com a não liberação de suas emendas. Mas, o fato e suas evidências, não acabam na decisão legislativa.

COMO – A secretaria é um claro arranjo político, sem função prática, apoiada na Fundação José Augusto que, apesar de toda sua tradição, não conseguiu planejar e executar uma política cultural.
MAIS – Com orçamento praticamente restrito aos números da folha de pessoal, a área cultural do governo Fátima Bezerra, ao longo do seu sexto ano de exercício, é um retrato fiel da ineficiência.

ÍCONE – A Riachuelo é a única presença do Rio Grande do Norte na relação das 100 empresas mais influentes do Brasil na edição especial da ‘Veja’. Pelo seu papel na geração de renda no RN.

AGENDA – Dia 6 próximo, a partir das 16h, na sede da OAB, o lançamento do livro ‘Monólogos On-Line’, do jurista e escritor Ivan Maciel. Com a sua renda em benefício da Liga contra o Câncer.

MISSA – A família e os amigos do deputado Leonardo Arruda Câmara estarão reunidos, nesta sexta-feira, a partir das 19h, na Catedral Metropolitana de Natal, na celebração da missa de 7º Dia.

CAMARIM

VAZIO – A decadência política do grupo Rosado é o grande vazio ocupado pelo prefeito Allysson Bezerra. As oligarquias sempre cometem o erro da hegemonia absoluta, renegam qualquer aliança fora do grupo familiar e findam exauridas. Desafiam o cansaço e o desejo coletivos de mudança.

JUDEUS – Luiz Fernando Pereira de Melo, nosso maior genealogista, lança amanhã, no calçadão do Sebo Vermelho, das nove ao meio-dia a segunda edição, revista e atualizada, do seu ‘Um Ramo Judaico dos Medeiros no Seridó’. E já incluindo as reproduções de vários documentos históricos.

MORRER – Ficou bem mais caro o pobre morrer e ser sepultado com dignidade em todo o Brasil. É o que revela o levantamento da Carta Capital, nas bancas. A privatização dos serviços funerários acabou por inibir e acomodar as prefeituras na construção de cemitérios públicos. É uma distorção.

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