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Ecoansiedade e as angústias climáticas de uma geração

Danielle Mafra
Executiva ESG

Quando acompanhamos de “tão perto” resultados catastróficos provocados por vários fatores, mas desencadeados por um evento climático extremo, começamos a dar um peso diferenciado à percepção do que está de fato ocorrendo. Indicadores reais das mudanças climáticas pioram de forma acelerada, e as ações para mitigar o aquecimento da temperatura do planeta têm se demonstrado ineficazes e lentas, seja pela falta de suas implementações, seja pela ausência de mudança nos hábitos das pessoas.
Diante desse cenário, o termo “ecoansiedade” começou a aparecer na literatura na década de 1990, quando os eventos climáticos extremos se tornaram cada vez mais comuns e mais propagados virtualmente, gerando o sentimento de pessimismo quanto ao futuro e ressentimento, principalmente da geração Z, nascidos entre 1997 e 2010. De forma prática, a ecoansiedade é um termo que se refere às angústias relacionadas às mudanças climáticas e ao “medo crônico da catástrofe ambiental” e segundo a Associação Americana de Psicologia (APA em inglês) é um fenômeno mundial que afeta principalmente os jovens e tem ganhado, gradativamente, mais presença na mídia.
Importa ressaltar que nesse texto proponho aproximar o leitor do tema, destacando que se trata de conteúdo meramente informativo e que reúne conceitos que podem elucidar percepções individuais, mas que pode e deve orientar para busca por ajuda profissional nos casos que assim couber.
A ecoansiedade não é, contudo, considerada (ainda) uma doença. Ela se apresenta como uma resposta racional a uma condição real, é a mente acendendo um alerta com a possibilidade de um evento que gere transtornos sociais provocados pelas consequências das mudanças climáticas. Sendo assim, essa reação parece afetar sobretudo aqueles com mais consciência ecológica, pois pessoas de camadas sociais com menos recursos apresentam, na maioria dos casos, uma noção mais microecológica (como limpar a praia, reciclar o lixo, economizar água) do que uma perspectiva climática global. É como se aumentasse a percepção de que estamos atrasados para resolver um problema urgente e à medida que os problemas relacionados ao clima crescem, o termo ecoansiedade também aparecerá com maior frequência e os sintomas nas pessoas serão também mais percebidos. De fato, um dos relatórios pioneiros sobre o impacto psicológico das mudanças climáticas, o Mental health and our changing climate: impacts, implications and guidance (APA, 2017), já alertava que a angústia climática das pessoas estava aumentando. Esse fenômeno de angústia coletiva pode exercer um papel importante agora: um chamado para reconhecer os desafios e encarar a crise de frente. Pois esse risco de emergências climáticas já vem sendo apontado há um bom tempo. Não é novidade! Mas ainda continuamos a viver como se nada estivesse acontecendo, parece que vivemos ainda uma espécie de negação coletiva.
Mas você pode se perguntar quais são esses grandes problemas ambientais associados às mudanças climáticas que estão provocando isso nas pessoas? Destaco a multiplicação de fenômenos meteorológicos extremos (ondas de calor e incêndios, ciclones e tufões, terremotos e enchentes, etc.), o aumento percebido da poluição e seu impacto direto na saúde, o acúmulo de lixo, da perda de biodiversidade, as secas extremas e escassez de água, a exploração excessiva dos recursos naturais, o aumento do desmatamento, o aumento do nível do mar, entre outros fatores.
Para os especialistas no tema, com esses eventos extremos recorrentes, a forma de aliviar a ecoansiedade pode incluir a busca por fontes confiáveis sobre os eventos, a participação na ajuda às vítimas, evitar o compartilhamento de fake news ou notícias sensacionalistas sobre o assunto, a autogestão de emoções, o contato com a natureza em condições “normais”; e em casos em que a angústia possa estar impactando a qualidade de vida, a busca por ajuda profissional, como um psicólogo ou psiquiatra, é fundamental.
Por fim, trago um trecho de um dos relatórios recentes da ONU que menciona que estamos num “momento-chave” para a intervenção humana e “que esta é a década da ação, se nós quisermos mudar esse quadro” tanto para o planeta, quanto para as espécies.

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