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Escutando com os olhos

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Woden Madruga 

[email protected] ]

Na gaveta dos papéis desarrumados encontro uma carta de Meira Pires (1928/1982) datada de 9 de maio de 1981, lá se vão 42 anos. Vai na íntegra:

“Meu querido Woden:
Você bem sabe que eu escuto com os olhos. Em consequência, quando vivemos o black-out inesperado, passei momentos difíceis. Como sou, hoje, um homem mais acomodado por culpa dos meus problemas cardíacos, não me preocupei muito e fiquei à espera da solução do angustiante problema.


Durante as noites da escuridão total, fiquei em casa lendo sob luz de gás. Durante o dia ia para o velho Teatro. Aproveitei para “passar uma vista” nas cópias dos meus ofícios que Hermilo costumava dizer que “eram a minha mais bonita obra”, espécie de memórias, porque neles está enfeixada toda minha grande luta pelo Teatro Alberto Maranhão e pelo teatro como arte.


São ofícios encaminhados ás autoridades públicas e privadas, aos órgãos culturais por cujos canais competentes, mesmos estreitos, ou, talvez, mais estreitos do que competentes, eu sempre me esgueirei no afã o nosso velho Teatro. É uma coisa tão séria o que li que estou executando um trabalho de seleção fascinante, para reunir num livro. Minhas memórias estão nesses ofícios, tanto quanta a insensibilidade de muita gente.


Farei um rodapé esclarecendo a razão de cada ofício, a batalha pela resposta, e, também, pela concretização do que neles eu pedia. Estou compenetrado de que a minha História está contada nesses expedientes. Estou pensando no título: “Os estreitos canais competentes…” (Recordações). Provavelmente, escolherei um título melhor. Ainda é cedo.


Há ofícios ironizando, pedindo, implorando e mostrando a necessidade de não desamparar o Teatro que é coisa séria, ou era no ‘meu tempo’… Há ofícios para todos os gostos e, sobretudo, todos eles, de um modo geral, provam que jamais cometi o pecado da omissão.


Quando tudo estiver pronto, mostrarei a você para passar uma vista e me dizer se faz sentido publicar, em livro, essa verdadeira Viagem de Ulisses que empreendi e ainda empreendo para manter o Teatro de pé.
Com um forte abraço do velho amigo de sempre,
Meira Pires
9.4.1981”.

Kleber Bezerra Anote em sua agenda: quarta-feira que vem, 1º de novembro, lua ainda cheia, é o dia do aniversário do querido amigo Kleber de Carvalho Bezerra: 90 anos muito bem vividos. Natalense, nascido na então Rua das Virgens, bairro da Ribeira, a mesma onde também nasceu o Mestre Luís da Câmara Cascudo, ambos, portanto, canguleiros legítimos.


Engenheiro civil, professor universitário (um dos fundadores da Faculdade de Engenharia da UFRN), político (deputado estadual em 2 mandatos), secretário estadual, empresário da construção civil e da agropecuária, presidente da Associação Norte-Riograndense de Criadores (ANORC), expondo na Festa do Boi, todos os anos, derna de 1964. Andou também pelos bastidores do rádio (Rádio Trairi) e do jornalismo. Um grande potiguar.

Política Nas mesas natalenses a conversa do meio da semana pra cá deu destaque para a pesquisa eleitoral do Instituto Datavero, no rastro das eleições para prefeito de Natal, ano que vem. O candidato Carlos Eduardo Alves, do PSD, se mante na liderança com folgada vantagem sobre o segundo lugar, que seria o candidato (ainda sem nome) apoiado pelo atual prefeito Álvaro Dias.


Carlos Eduardo aparece com 29,8% das intenções de voto. O candidato de Álvaro, 9,7%. Em terceiro lugar, Natália Bonavides, do PT, com 8,9%. Os demais candidatos abaixo dos 5 pontos. Branco e Nulo, 22,7%. Não sabem, 8,7%.


Carlos Eduardo, fechando nos 30%, vem liderando todas as pesquisas de todos os institutos.

Literatura Saiu a lista dos indicados ao Prêmio São Paulo de Literatura. Na categoria “Melhor Romance de 2022” (são 10 concorrentes) tem escritor potiguar: é o mossoroense João Almino, também diplomata de carreira e imortal da Academia Brasileira de Letras. Concorre com o “Homem de Papel”, seu oitavo romance, publicado pela Editora Record.
O Rio Grande do Norte é citado entre suas linhas por conta da deputada Virgília de Assis…

Feira Boa notícia vinda das terras gaúchas: começou sexta-feira, 27, a 69ª Feira do Livro de Porto Alegre, este ano com o tema “Quem lê, sabe o caminho”. Vai até o dia 15, montada na Praça da Alfândega. Estão programadas 700 atividades: sessões de autógrafos, oficinas de leituras, palestras, bate-papos. Presença de escritores de vários estados e também do exterior: Cuba, Bolivia, Colômbia e Noruega.
Destaque para o espaço infantil, escrito na fachada: “Quintal da História”. Gostei.

Nova Ucrânia Os moradores do Barro Vermelho estão querendo mudar o nome do bairro para “Nova Ucrânia”. Há muitos estragos em seus quarteirões. O asfaltamento da avenida Jaguarari começou, parou e não foi concluído. Na rua Heráclito Vilar, onde morou o grande poeta Luís Carlos Guimarães, tem um buraco da Caern já passando dos 4 meses. Postes com iluminárias apagadas por toda parte. Catabiu, muito catabiu.
Faz tempo que não tem comício na Nova Ucrânia.

Boa Música A boa notícia publicada na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo, de quarta-feira, 25:

As meninas da Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro) estão realizando uma turnê inédita em solo europeu com apresentações na Suíça até o dia 3 de novembro. O grupo é formado por 30 meninas, com idades entre 12 e 19 anos, todas estudantes da rede de ensino do Rio de Janeiro. ”

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