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Estilistas

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Nos tempos em que Corcel era carro,Tupi uma emissora de televisão, Jece Valadão o macho personificado e presidente se escolhia nas conspirações sem liberdade, o romantismo do futebol estava nas duplas de meio-campo. O volante e o meia-armador arquitetavam os ataques fulminantes na base da cadência, da malandragem e da perfeição nos quesitos: passe, drible e lançamento.

Até nos times de botão escalava-se o 4-2-4. Os quatro de trás e o quarteto ofensivo dependiam dramaticamente da dupla que formava o centro de excelência da equipe. Na Segunda metade dos anos 60, os quatro grandes do Rio de Janeiro sacudiam 100,150 mil pessoas em clássicos de cumprir tabela no Maracanã. O charme, invariavelmente, vestia as camisas 5 e 8 ou 5 e 10.
O Botafogo tinha Carlos Roberto e Gerson. O Vasco, Maranhão e Danilo Menezes. O Flu, Denilson e Samarone. E o Flamengo, Carlinhos e Nelsinho. Trabalhassem numa fábrica de carros, seriam os projetistas, os articuladores de uma composição política. Era o que faziam, também, Dudu e Ademir da Guia no Palmeiras. E,província, no velho JL, Pedrinho e Valdomiro, Ilo e Véscio, Amigo e Caçote. Esquerdinha e Alberi. No idioma natalês.
Anos antes, na escalação brasileira de 1962(assim como fora em 58), Zito e Didi eram lidos pausadamente, depois que o narrador anunciava Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Gênio Santos; Aí, aquele suspense e, suavemente, o volante e o meia criativo. Que serviam de bandeja a arrincha, Pelé depois Amarildo, Vavá e Zagallo.
O ritmo da locução aumentava, quase ao nível de um páreo de jóquei. Naquelas tardes, comandadas pelos Cosme-e-Damião, o futebol podia até ser mais lento, mas a beleza extrapolava nas quatro linhas. Não havia robôs, mas bailarinos. Jogava-se em ritmo de Bossa Nova, de samba de morro, não de rap.
Quem me lê assim, acha que eu vivi aqueles tempos. É que me dá inveja e eu fico metendo a cara nas velhas revistas, nos filmes antigos, nas fotos amareladas, tesouros resgatados nos sebos. Já na década de 70, segunda metade, os técnicos passavam a escalar três na meia-cancha, má influência do desastre na Copa da Alemanha em 1974.
Mesmo com esse recuo filosófico, dizia-se o máximo de alguns trios amorosos: Pintinho, Paulo César Caju e Rivelino, da Máquina Tricolor em 75/76, o Vasco, de Zé Mário, Zanata e Dirceu. E o Flamengo com suas variações : Tadeu, Geraldo e Zico ou Andrade, Adílio e Zico nos anos 80. Luxo, porque Carpegiani lutava pela camisa. Pita do Santos e do São Paulo tinha um GPS nos pés.
Atuar na função que parecia extinta sempre foi mérito dos virtuosos. Dos que nunca fazem o convencional. Eu revi a espécie renascida, no esplendor de Geovani, e Juninho Pernambucano, meias puros, nem volantes nem pontas-de-lança, regentes do meu Vasco. Dois maestros, os últimos de um clube morrendo lentamente de incompetência.
PS. Na foto, de 1983, Geovani do Vasco, o Pequeno Príncipe, domina a jogada marcado pelo exuberante Pita, do Santos. Dois estilistas puros. Foi Vasco 2×0 Santos.

Copa do Brasil O América encerrou com dignidade sua participação na Copa do Brasil. Engrossou contra o Corinthians nos dois jogos e no segundo, a defesa contribui decisivamente para os gols tomados.

Manter O América só tem agora a Série D e tem que pisar no acelerador com a gana exibida em São Paulo. O América não pode continuar na quarta divisão.

Pagamento A SAF atualizou duas premiações atrasadas restando outras duas que estão sendo programadas pelos cartolas “estrangeiros”.

Nivelamento Um time de Série A(Corinthians), ganha duas vezes de 2×1 de outro da Série D. É a prova cabal no nivelamento (por baixo) do futebol brasileiro.

Santo forte Uma das piores contratações do ABC em todos os tempos, o meia Adryan é um cara de sorte. Já assinou contrato com a Portuguesa carioca para disputar a Série D. Coitados dos portugas.

Seleção do Papai O técnico Joel Santana escalou a seleção dos melhores jogadores com os quais trabalhou. Andrada(Vasco); Jorginho(Flamengo), Fábio Luciano(Flamengo e Corinthians), Mauro Galvão(internacional, Botafogo, Grêmio e Vasco), Juan(Flamengo) e Athirson(Flamengo) ; Dunga(capitão do Tetra), Geovani(Vasco), Mazinho(Vasco e Palmeiras), Bismarck(Vasco) e o baixinho Romário. Como treinador, escolheu Parreira.

Seleção da Coluna A seleção da coluna volta um pouco aos anos 1980: Taffarel(Internacional), Leandro(Flamengo), Oscar, Mauro Galvão e Júnior; Dunga, Falcão, Geovani e Zico; Bebeto e Romário. Técnico: Parreira. Telê não ganhou nada com a seleção.

Futebol feminino Não gosto do futebol feminino tanto quanto o vôlei. Questão de gosto, nada de preconceito. Mas se conseguir trazer jogos do Mundial de mulheres para Natal, a Federação de Futebol estará dando uma contribuição considerável para a divulgação da cidade.

Bom de bola O camisa 10 Garro, que o Corinthians usou contra o América, é um jogador habilidoso e taticamente correto.

Concentração ABC e América devem esquecer tudo, até os Beatles e os Rolling Stones pela rodada de domingo.

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