quinta-feira, 15 de fevereiro, 2024
25.1 C
Natal
quinta-feira, 15 de fevereiro, 2024

Fica pra depois…

- Publicidade -

Vicente Serejo
[email protected]

Foto: Reprodução

O ano político acabou. Começou o grande recesso no calendário das conchambranças e conspirações. Não significa que os políticos desliguem seus celulares. Agora, o campo de todas as maquinações serão os alpendres. De perto e de longe. De Pirangi a Jacumã, se é o território do poder. Até que apaguem as últimas lâmpadas natalinas, calem os últimos clarins de Momo e caiam, abatidos e sem vida, os últimos caçadores das nossas valentes tribos de índios, nada será decidido. É que a política se faz no exercício da própria vida. E não há neste país tropical nada mais forte do seu calendário de efemérides. De festas, como prefere a linguagem popular. É cerimonioso o ciclo natalino. É condenado ao muxoxo todo aquele que até o ano novo praticar os atos profanos. Ainda que o ser humano tenha merecido apenas a pureza de ser feito à imagem e semelhança de Deus, tudo nele é pecado. Por pensamentos, palavras e obras, e como bem proclama a eucaristia.

Mas, quando a ressaca passar, e iniciada a contagem dos quarenta dias da Quaresma, nada vai impedir os raios das articulações. O ano é de eleições. Se não bastassem as disputas em todos os municípios, bases eleitorais dos deputados estaduais, federais, senadores e governador – é bom cuidar desde cedo – está em jogo a Prefeitura de Natal, esse segundo poder na ordem de grandeza. E é por ser um poder que os olhos lacrimejam de desejos súbitos, ainda que alguns não mereçam.


A tradição teme entregar Natal ao PT. Nega, mas teme. Tanto teme que o temor cimenta o desejo individual de todos e acima de todas as diferenças partidárias e ideológicas, se é que ainda existem. Foi sempre assim a prática desse saber que vem desde que o imponente marechal Deodoro da Fonseca, do alto do seu cavalo e de espada em riste, proclamou a República. Se somos pouco republicanos algumas vezes, convenhamos, a culpa é nossa. Nunca da boa-fé do velho marechal.


No caso da sucessão de Natal, a menos que se queira pôr em panos mornos uma verdade que lateja às claras, o comum a todos é a desconfiança. Todos desconfiam de todos e é possível que alguns, pelo que já fizeram ou deixaram de fazer, são mesmo inconfiáveis. Mas, o medo de perder o poder parece ser a força capaz de unir desiguais em nome da resistência. Como viver longe dos palácios, o Potengi e o Felipe Camarão, se o poder é o perfume embriagador da política?


Que venham as festas do Natal e Ano Novo. Sobretudo acreditemos nas mensagens, via e-mail ou trazidas pelos nossos carteiros. Que sejamos muito alegres no carnaval, mascarados ou não, se a máscara revela, ao contrário dos que pensam que esconde. Que sejamos contritos na Quaresma, compungidos com o sofrimento de Dele e felizes com sua ressurreição. E, se depois de tudo, vier a guerra dos poderosos pelo poder, tenhamos muita paciência. O resto fica pra depois…

Palco

ATENÇÃO – O Poder Legislativo precisa solicitar, formalmente, ao Governo do Estado, a dívida acumulada com a folha de pessoal e os seus fornecedores. A soma, afirmam as fontes, vai espantar.

VIDA – A tarde ainda estava cheia do sol luminoso do verão quando o editor Abimael Silva e o diretor de cinema Augusto Lula enfrentavam, felizes e altaneiros, um chambaril com pirão gordo.

TUBA – Para alguns, a nomeação do ex-deputado federal Rafael Mota para secretário do prefeito Álvaro Dias foi um ato natural. Mas, para outros, tem gato na tuba. Só resta saber se é só um gato.

– Um deputado com quase uma boa década de experiência em plenário dizia, ontem, que só o presidente Ezequiel Ferreira poderá evitar a derrota do governo no aumento da alíquota de ICMS.

MAS – Ao mesmo tempo, o deputado, por precaução, não garantiu a disposição do presidente da Casa de José Augusto forçar uma interferência. Pelos seus cálculos, é uma decisão que só desgasta.

TEMPO – Nenhuma fonte, no Palácio Felipe Camarão, acredita no início das obras de construção da trincheira nas avenidas Alexandrino de Alencar com a Hermes da Fonseca. Passou do tempo.

POESIA – Do poeta Carlos Drummond de Andrade no poema ‘Congresso Internacional do Medo’, assim: “Provisoriamente não cantaremos o amor, / que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos”.

RECEITA – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, e seu retrato do mundo como é: “São os pequenos ódios e os pequenos amores, sempre mesquinhos, que tornam da vida medíocre”.

Camarim

AVISO – O governo não tem caixa para manter em dia o salário dos pensionistas e aposentados do Legislativo e Judiciário. O Ipern deve aos dois poderes R$ 28 milhões, o que pode levá-los a suspender o acordo de antecipação. Os servidores poderão ficar, em dezembro, sem salário do mês e o 13º.

VOTO – É torcer para que a quinta Conferência Estadual de Cultura, ao contrário das outras e bem diferente da conferência municipal, produza mudanças. A mesmice enfadonha tem marcado as ações culturais das fundações de cultura. Não têm ido além das pompas e circunstâncias oficiais.

PIOR – As instituições, sem renovação, são dois cartórios na manutenção de mandos e privilégios oficialescos, mesmo disfarçados, e ainda quando acabam nos abismos do proselitismo populista. Estamos longe da vanguarda que exercemos no passado de tão caídos no velho fosso da servidão.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

- Publicidade -
Últimas Notícias
- Publicidade -
Notícias Relacionadas

Guardando as máscaras