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Dácio Galvão
Mestre em Literatura Comparada, doutor em Literatura e Memória Cultural/UFRN e secretário de Cultura de Natal

A crise da expressão figurativa nas artes visuais iniciada em fins do século XIX -sinais na técnica pontilhista do artista Georges-Pierre Seurat- fora capturada por movimentos artísticos: cubista e futurista. Se estendendo na arte concreta. E repercutindo fora do campo exclusivamente plástico. Abrangeu o esteticismo racionalista e experimental passando a se constituir numa dominante construtiva da poesia concreta. Para compreensão é importante considerar o ativismo internacional da arte concreta. decorrente de discussões inerentes ao pictórico.


Fixando a trajetória vinda do início do século XX até meados da década de 50 discussões sobre o pictural envolveu assuntos relacionados à modernidade. Neste sentido vem se somar o arranque das referências de Picasso à escultura africana e pesquisas de Georges Braque sobre os espaços da linguagem plástica. Naquele momento o “espaço renascentista estava morto e a representação do mundo exterior esgotara-se”. Na Itália, o Futurismo de Marinetti e dos pintores -Umberto Boccioni, Carlo Carrà e Luigi Russolo – advogava contra museus e bibliotecas. Posicionava a “beleza da velocidade” e da música futurista.


Outros movimentos -o Raionismo do russo Michel Larionov, o Suprematismo de Kasimir Malevitch, o Construtivismo de Vladimir Tatlin, o Não-objetivismo de Alexander Ródchenko- introduziam noções e práticas da pintura sem figuração. Da pintura no espaço fora do quadro incluindo objetos e contra-relevos realizados em metal, vidro, madeira e plástico. Objetivando demonstrar a importância destas conquistas para a formação de procedimentos poéticos destacamos a convergência de formas artísticas acontecidas na Bauhaus. A matriz entre matrizes da estética racionalista. É o caso de Eliezer Lissitzky expoente russo. Sofreu influência do Suprematismo que desdobrado editou na Holanda -Van Doesburg/1922) os desenhos História de Dois Quadrados. Repercutindo na escola Bauhaus através do húngaro Moholy-Nagy.


Nessa perspectiva o Neoplasticismo holandês -1917- centrado em Piet Mondrian vigora. Passa a receber divulgação do grupo De Stijl -O Estilo-. Reunia feras: Mondrian, Van der Leck, Georges Vantongerloo, Kok e T. V. Doesburg que introduziu o dadaismo na Holanda e cunhou a expressão “arte concreta”. Doesburg escreveu na revista Arte Concreta -1930- o seguinte texto: Pintura concreta e não abstrata porque nada é mais concreto, mais real, que uma linha, uma cor, uma superfície.


A Staatliches Bauhaus e a Escola Superior da Forma (Hochschule fur Gestaltung) tiveram imensa importância para consolidação da estética racionalista. A primeira, fundada em Weimar (Alemanha,1919). Na frente o arquiteto Walter Gropius. Agrupando nomes potentes da arte contemporânea: Paul Klee, Wassily Kandinsky e Lazlo Moholy-Nagy. Foi fechada-1924- pelo reacionário governo local. Discórdante das propostas artísticas-pedagógicas. A escola Bauhaus seria transferida-1925- para a cidade de Dessau. Revisando cursos e enfrentando no reações. Instala-se em Berlim-1928-. É fechada por autoridades nazistas definitivamente em 1933. O seu fundador recebeu, contudo, vários convites para dar continuidade ao projeto idealizado. Apesar de ações descontinuadas em pouco mais de dez anos a Bauhaus conseguiu perpetrar marcas profundas nas linguagens da arte contemporânea. Assumidamente “livre de qualquer alusão figurativa”. os seus impactos chegaram na cartazística. Na tipografia. No lay-out. Escultura. Design industrial. Arquitetura. Música. Tecelagem. Vitral, metal, mural. Na cerâmica. Artes plásticas. Mobiliário. Dança. Marcenaria. Videografismo…

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