domingo, 14 de abril, 2024
29.1 C
Natal
domingo, 14 de abril, 2024

Heróis e monstros

- Publicidade -

Vicente Serejo
[email protected]

Não é fácil, mas também não chega a ser impossível, perceber o retrato do sectarismo que domina a retórica política dos intolerantes. Uma pista das mais precisas está numa frase de Millôr Fernandes, com a vastidão e a profundidade que poucos percebem. Está no livro ‘Millôr definitivo, a bíblia do caos’: “O principal problema ético-político do país é que a oposição é incapaz de reconhecer a honestidade dos governantes e estes são incapazes de demonstrá-la”.


Consideradas as diluições de significados, inclusive metafóricos, tanto a incapacidade de reconhecer como a de demonstrar não são questões de gesto, mas aquelas mais intrínsecas e, portanto, exatas. A oposição não cumpre o dever de reconhecer o certo e os que governam não demonstram, na prática, a honestidade que a sociedade espera. Ou seja: na política, feitas as exceções, a honestidade de uns e outros é sempre negada ou postergada como tática de luta.

O sectarismo é, como se sabe, a hipertrofia do radicalismo. O radical é duro na posição que defende, mas é capaz de debater ideias. O sectário, não. Vale a sua verdade e desconhece qualquer outra que possa demolir seus argumentos. Os sectários sabem que é preciso manter a sua verdade a qualquer preço, sob pena de sucumbir em pleno combate. E em política vale ‘o feio é perder’, enquanto no esporte o certo é saber competir. A vitória será apenas um desfecho.


O debate, se é possível expressar assim, sobre as investigações em torno da tentativa de golpe, revela a verdade da assertiva de Millôr Fernandes. Para o bolsonarismo, tudo é mentira; para o lulismo, tudo é verdade.

Os extremos afastam o debate, mas não inibem a posição firme do ministro Alexandre de Morais. Sabe mais do que pensam bolsonaristas e lulistas. No seu método, dosa a cada passo, os contrafortes das gravações, vídeos, documentos e tramas secretas.

As palavras, às vezes, são usadas como facas de dois gumes no efeito retórico de buscar desautorizar o raciocínio contrário. É a retórica a serviço do marketing. Quando da queda de Dilma Rousseff, o lulismo foi ágil, e gritou: “É golpe!”. Agora, o bolsonarismo nega a trama e alega que não há golpe sem armas. Esquecem que os generais nunca aceitarem classificar a tomada de poder em 64 como golpe. Sempre envernizaram com o pano morno de “Revolução”.

As palavras, como os militantes, quaisquer que sejam suas ideologias, são também vivas e fortes, e vão para as ruas com a mesma força, a serviço de uns e de outros. O discernimento, pois, não encontra espaço entre sectários. Ora, a eles não interessa respeitar o espaço saudável do debate livre de ideias. Os sectários escravizam a verdade. Só aceitam as que servem aos seus interesses. E é com a palavra escravizada que o marketing inventa heróis, anjos e demônios…

PALCO

DESAFIO – Ninguém se engane: o prefeito Álvaro Dias conta com o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira, na liberação dos recursos da União para a conclusão das obras municipais.

GESTO – Aliás, um gesto em favor de Natal que já deveria ter sido encampado pela bancada de senadores e deputados. Acima, inclusive, das disputas eleitorais que ocorrerão em outubro.

BAIXA – A atuação dos nossos parlamentares, em Brasília, tem sido realizada exclusivamente em função das bases e não das obras de efeito coletivo, como a engorda da Praia de Ponta Negra.

ALERTA – O desgaste do governo começa a chamar a atenção dos governistas que antes não aceitavam a perda de sustentação apontada nas avaliações. E mais ainda em ano de campanha.

VIVA – O Programa Memória Viva, da TV-U, deve voltar ao ar em março com Ciro Pedrosa entrevistando a médica e escritora Clotilde Santa Cruz Tavares. Numa data ainda a ser definida.

CANGAÇO – O editor Abimael Silva, do Sebo Vermelho, lança este mês o artigo histórico de Raul Fernandes sobre a presença do cangaceiro Antônio Silvino na velha Fazenda Serra Branca.

POESIA – Do poeta Fabrício Corsaletti no soneto 16 do seu premiado ‘Engenheiro Fantasma’, este verso assim, escavado entre a descoberta e o espanto: “Estou sempre diante do mistério”.

LIÇÃO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, vendo a mistura das ideologias sem pecado: “A política é uma grande escola. A única, aliás, que ensina a transigir sem rancor”.

CAMARIM

LEITURAS – São várias as leituras possíveis dos números da pesquisa mais recente aplicada dias 29,30 e 31 de janeiro e primeiro de fevereiro. Mas deixou na mesa dos candidatos muitas tarefas e a dúvida: quem hoje chegaria ao segundo turno para enfrentar Carlos Eduardo Alves?

POLOS – Os números revelam, mesmo em projeção estatística por amostragem: o retrato é de que já estamos diante de dois polos definidos: o liderado pelo ex-prefeito Carlos Eduardo Alves e o alavancado pela deputada federal Natália Bonavides, do PT, com a sua força de governo.

MAS – A luta do PT tem, na amostragem, não só uma baixa avaliação do governo petista de Fátima Bezerra, como sua tendência de mergulho. Em algumas pesquisas, ultrapassa a barreira dos 60%. Quadro que pode se tornar crônico pelo tempo reduzido daqui até a sua decisão final.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

- Publicidade -
Últimas Notícias
- Publicidade -
Notícias Relacionadas

PERSE