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A praça abandonada

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A Tribuna do Norte do dia 12 deu destaque especial para o abandono em que se encontra a Praça Augusto Severo, na Ribeira. A matéria foi chamada de capa, “Enquanto reforma segue sem previsão de conclusão pelo Governo do Estado, a Praça Augusto Severo virou palco para moradia de pessoas em situação de rua”, e manchete da página 8: “Praça está abandonada há 4 anos”.

Dia desses caiu na minha bacia das almas um emeio da leitora Margarida de Alencar Feitosa, dizendo assim: “ WM, desci hoje ao bairro da Ribeira passando pela finada Praça Augusto Severo. Que abandono, que tristeza! Saudades do nosso tempo da Faculdade de Direito, cujo prédio histórico também está abandonado. Andar pela Ribeira de hoje dói nos pés, nas canelas, nos olhos e na alma. Como dói! ”

Dói mesmo e muito. Pego na estante ao lado o livro de Lenine Pinto, “Natal, RN”, publicado em 1975, pela Gráfica do Senado Federal. No capítulo III Lenine imagina um reencontro com o ex-governador Alberto Maranhão, de volta à Natal. Conta assim:

“Compartilhava com Newton Navarro e Albimar Marinho de uma mesa no recinto ‘privée’ da Confeitaria Delícia – uma espécie de pub londrino de Natal -, consumindo umas Brahmas Porter (cervejinha preta fortíssima que o poeta e pintor havia descoberto no Ship Chandler aprovisionador dos cargueiros ingleses), quando entra o Dr. Alberto Maranhão e solta a frase:

– “Esta Ribeira era um espelho! ”.
Caímos no alumbramento e, logo lhe servimos um copo – que recusa, por preferir algo menos amargo -, mas não enjeita o tira-gosto de queijo do reino com molho inglês do legítimo de Santa Cruz. E vai discorrendo, com juvenil entusiasmo sobre o que fora o nobre bairro:

– “Aqui vivia a nata: os Barreto, os Lyra, os Cicco. As moças bonitas, como Alba Garcia, nossa primeira Miss; as elegantes, como as Barbalho (…). As senhoras não apenas cumpriam suas obrigações caseiras, mas também cuidavam, como dona Bebé Cicco, cada uma de um canteiro da Praça Leão XIII (atual Cap. José da Penha). Os homens eram respeitabilíssimos”.

– “Isto aqui era de um cosmopolitismo, tudo de tanto bom gosto, tão refinados os espíritos, que as pessoas liam romances nas edições francesas (e os alunos do Padre Calazans chegavam mesmo a falar grego clássico; nas mesas não faltava um vidro do legítimo “Lea & Perrins – Worcestershire Sauce”; as ‘raffinées’ desfilavam no comércio e nas noites de retretas os mais recentes lançamentos da Etoile, Via Veneto, Carnaby Street, embora que confeccionados aqui mesmo pelas mestras costureiras do bairro.”

Lenine Pinto acrescenta à sua imaginação o final da conversa e a saída do doutor Alberto Maranhão da Confeitaria Delícia:

– Dr. Alberto seguiu pela rua das Virgens, pois lembrou-se que prometera dar uma passadinha na casa de Lettieri. ”

A casa que foi dos Lettieri continua de pé. Saudades da Ribeira onde, menino besta, estudei no Colégio Pedro II, do professor Severino Bezerra. Ficava na rua Sachet, oitão do Teatro Carlos Gomes (hoje, Alberto Maranhão). Anos de 1943/4, Segunda Guerra Mundial, soldados americanos nas ruas. Tinha um clube deles na praça Augusto Severo.

Calendário

Nota dez para o calendário de 2024 do Ministério Público do Rio Grande do Norte: “RN em prosa e verso” (Curadoria de Manoel Onofre Jr.) Homenageia escritores e poetas potiguares:

Auta de Souza (mês de janeiro), Jorge Fernandes (fevereiro), Nísia Floresta (março), Polycarpo Feitosa – Antônio de Souza (abril), Luís Carlos Guimarães (maio), Zila Mamede (junho), José Bezerra Gomes (julho), Deífilo Gurgel (agosto), Newton Navarro (setembro), Oswaldo Lamartine de Faria (outubro), Myriam Coeli (novembro) e Luís da Câmara Cascudo (dezembro).

Noronha e Natal

Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

A Azul Linhas Aéreas teve crescimento de 44% nos voos para Fernando de Noronha em relação ao ano de 2022. A companhia realizou um total de 2052 voos, partindo das cidades de Recife (PE) e Natal (RN).

Xilogravura

Está montada na galeria Newton Navarro, da Fundação José Augusto, uma exposição de xilogravuras da Oficina Rossine Perez. São 21 trabalhos de 11 artistas potiguares. Fica aberta ao público até o dia 31. Dá uma passada por lá é uma boa dica.

Forró

Boa leitura a crônica de Andreia Braz no portal Papo Cultura, com o título “Tributo ao Forró”. Começa dizendo: “Minha paixão pelo forró é coisa antiga. E com ela nasceu meu encantamento por Luiz Gonzaga”. Mais adiante, depois de citar Dominguinhos, ela inclui no seu time de encantamentos o potiguar Elino Julião, matuto de Timbaúba dos Batistas, autor de o “Forró da Coréia”, “que só tem véia, só tem véia. ”

Cinema

Deu no jornal O Globo:

A série “Betinho – No fio da navalha”, do Globoplay, foi selecionada para a edição deste ano do Berlinale Series Market, mostra que faz parte do Festival Internacional de Cinema de Berlim. O evento acontecerá entre os dias 19 e 21 de fevereiro. Criada por José Junior e estrelada por Júlio Andrade, a série conta em oito episódios a trajetória do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, figura marcante na História do Brasil. ”
Betinho, o irmão de Henfil.

Buraqueira

Janeiro já passou da metade, o ano vai avançando e a buraqueira continua, firme e forte, nas ditas rodovias estaduais do Rio Grande do Norte. Este cenário já tem dois, três anos. Ou mais. Viajar por estes caminhos é quase uma tortura. Ou é.

Chuva

Semana de poucas chuvas. As melhores no Rio Grande do Norte foram no domingo, 14: Lagoa de Velhos e Alexandria, 39 milímetros, Jandaíra, 37, José da Penha, 34, Major Sales, 32, Luís Gomes, 19, Jardim do Seridó, 17, Ipanguaçu, 15, Serra Negra, 14, Mossoró e Almino Afonso, 13.

Na Paraíba grandes chuvas. Em alguns municípios passaram dos 100 milímetros, de uma tacada só: Jericó, 123, Bom Sucesso, 112, Matogrosso, 110, Vista Serrana, 100. Em Paulista, 96.

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