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De Oswaldo para Zila

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Woden Madruga

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No meio da semana de boas chuvas pelos sertões potiguares encontro, na gaveta dos papéis desarrumados, uma carta (original) de Oswaldo Lamartine para Zila Mamede. Vai na íntegra:
“Rio de Janeiro, 21/jan/84

Zila,
A sua chegou ante-ontem. Li, surpreso, o convite que me fazem para abrir a série de palestras comemorativas do centenário de Zé Augusto. E, como lhe disse pelo telefone, isso me deixou confuso e constrangido. Primeiro porque vocês todos sabem de minha total e completa incapacidade de falar a um auditório. No centenário de meu pai respondi aos 90 minutos da bela e generosa fala de Nilo Pereira com 90 palavras lidas e gaguejadas.

Aqui, no Centro Norte-rio-grandense, o que disse em resposta a Berta Lutz, Maria Luiza Bittencourt, Maria Sabina e Gal. Diosculos Vale – estava rabiscado no verso de um cartão de visita. E tudo tartamudeado que nem montanha parindo uma catita. Assim, só posso atribuir a esse convite a uma carinhosa mamãezada dos amigos – o que não é a hora nem a vez dessas emboscadas de afetividade.


Segundo – Zé Augusto foi, além de parlamentar, escritor, amigo, etc, etc. – um dos melhores oradores de sua época. Creio que ainda deve haver por aí, entre os mais velhos, quem guarde na cachola trechos inteiros dos seus discursos na campanha do Partido Popular. Terceiro – ele tem, talvez vocês não tenham lembrado, um filho, MANOEL AUGUSTO GODOY BEZERRA, advogado, radicado no RS (o endereço pode ser obtido com Luiz GM Bezerra) que arremeda em brilho o falar do pai. E além desse, o CÂNDIDO, que é agrônomo e veterinário.

Quarto – a vida política dele foi acompanhada de perto por Aluízio e Dinarte – que melhor sabem e podem explicar cada passo do rastro de sua vida pública. Quinto – Se o juízo não me engana ele era de setembro. Por que essas comemorações em março?


Fico, repito, muito embaraçado com tudo isso. Ele e meu pai sempre foram amigos inseparáveis. Crescemos, lá em casa, aprendendo a gostar dele como parente e amigo. E a ele teria obrigação de dar, por merecimento e gratidão, sempre o melhor. Não sou, não estou, nem é do meu feitio me fazer de rogado. Apenas procuro ter um tiquinho de desconfiómetro e reconhecer minhas limitações. É por tudo isso que entendo ser meu dever ajudar – lembrando pessoas certas e qualificadas – no momento em que a FJA e o RN comemoram o centenário de um de seus melhores filhos. Encareço que considerem essas ponderações como uma melhor forma de ajudar as festividades – e reconsiderem o convite sem qualquer almíscar de constrangimento.


Naquela noite, no telefone, esqueci de lhe cobrar as informações pedidas sobre a Biblioteca de Serra Negra, Acari, ou outras do Seridó. É que as vezes posso conseguir alguns livros que poderiam ajudar ou distrair a quem vive naqueles mundos. Sim, e o estudo sobre Nísia Floresta? Seria possível conseguir ainda que fosse uma xerox?


Os nossos – meu e de Ludy – abraços. Do mesmo velho amigo e sincero Oswaldo Lamartine. ”

Livro Foi na manhã de ontem, sábado, no Sebo Vermelho, o lançamento do novo livro de Osair Vasconcelos, “Das mãos de seu Fausto para as mesas do Brasil – A reportagem que registrou o modo secular de fazer a carne de sol do Seridó”. Ótima leitura para se chegar aos sabores e saberes sertanejos.

Eloy de Souza Para não esquecer: amanhã, dia 4, é o aniversário de nascimento de Eloy de Souza (1873). Jornalista, escritor, político: deputado estadual, federal e senador. Sua trajetória política começou em Macaíba. Foi um dos mais importantes jornalistas potiguares, diretor de “A República”, autor de vários livros.
Imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, onde ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Pedro Velho, que, governador do Estado, lhe abriu as portas para política. Gostava de vaquejadas. Eloy de Souza morreu pobre em 7 de outubro de 1959, aos 86 anos.

Chorinho O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) declarou, quinta-feira (29), “o choro (chorinho) como o 53º Patrimônio Cultural Imaterial do país”. Ótima notícia.
A “Rainha do Choro” é a cantora potiguar Ademilde Fonseca, nascida em Macaíba, em 04 de março de 1921 (aniversário, amanhã). Tomara que haja uma serenata.

Sem celular Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

  • O tradicional Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio de Janeiro, proibiu o uso de telefones celulares durante o período escolar.
  • A decisão, segundo a direção, é baseada num relatório de monitoramento global da educação de 2023, da Unesco, que atesta a falta de curiosidade e bem-estar, instabilidade emocional, além do aumento de casos de ansiedade e diagnósticos de depressão entre os estudantes.

Cachacinha Outra boa nota que li na coluna de Ancelmo Gois, esta ilustrada:
“Veja a foto acima. Nela está o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, saboreando uma … cachaça baiana. É que Souza participou, nesta quarta-feira, da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), evento que reúne representações de cidades de diversos países. O Brasil, naturalmente, tem seus representantes. ”

Angicos Há muitos anos que o mês de fevereiro não era tão chuvoso no município de Angicos, Sertão do Cabugi, como foi agora. Na soma dos números da Emparn o acumulado entre os dias 11 e 29 chegou a 213 milímetros. Tudo verde por lá, tão verde quanto o verde da bandeira verde de Aluízio Alves.
Começando março, dia primeiro (sexta-feira), choveu 14 milímetros em Angicos. O bom inverno prossegue. Amém.

Chuva As melhores chuvas de primeiro de março foram na Região Central: Santana do Seridó, 85 milímetros, Timbaúba dos Batistas, 67, Fernando Pedrosa e Jardim do Seridó, 41, Serra Negra do Norte, 29, Currais Novos, 23. No Oeste: Campo Grande, 42 mm., Paraná, 41, Tenente Ananias, 21.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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