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De quem são os mortos?

Woden Madruga

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No meio da semana, noite de lua cheia, caiu na minha bacia das almas uma nova crônica de Laurence Nóbrega (Florentino Vereda) com o título daí de cima. Vai na íntegra:

“(…) Deus quis que a terra fosse toda uma. Que o mar unisse, já não separasse…” (Fernando Pessoa).

“Saíram da Mauritânia, não para conquistarem novos mundos, como outrora fizeram portugueses e espanhóis. Em vez de embarcarem e naus e caravelas, apinharam-se em um barco de quinze metros de comprimento por dois de largura, onde não podiam sequer se deitar. Vinte e cinco pessoas; quanta mulheres, quantas crianças? Fugindo do seu país, fugindo do seu passado, em busca de um futuro na Europa, onde seriam vítimas da xenofobia que assola o continente dito civilizado. Sem vela, sem motor, sem leme e sem rumo, ao sabor das correntes e dos ventos, atravessaram o Atlântico e foram parar na costa do Pará. Ninguém para contar a história. Como morreram? Fome? Sede? Nunca se saberá.


Será que, como disse Fernando Pessoa, Deus quis mesmo que a terra fosse toda uma? O mundo nunca esteve tão separado. Nas placas tectônicas geopolíticas, civilizações se chocam provocando mais destruições que os piores terremotos e tsunamis. Nos últimos anos, há uma discussão intensa sobre os conflitos armados, principalmente as guerras da Europa Oriental e do Oriente Médio. Como não poderia deixar de ser, o mote das conversas são os mortos. Quantos, até agora? Quem matou mais, que morreu menos…


Mas a morte não é apenas uma estatística, algo a discutir como se fosse o placar de uma final de campeonato. A morte é o principal argumento de intimidação de quem tem armas. Não há uma morte de direita e uma de esquerda. Morte é morte. Ponto.


Quando vejo na TV as assembleias da ONU ou que países buscam uma solução para os conflitos – sem abrirem mão dos seus interesses – fico pensando como são hipócritas seus representantes. Vestidos com ternos elegantes, sentados em cadeiras confortáveis, em volta de mesas belíssimas, em um salão climatizado – verdadeiros castelos de mármore e granito – onde se decide quem deve morrer. Teriam a mesma empáfia se estivessem nas praças de guerra, debaixo de bombas, entulhados em acampamentos de lona, lutando por um pão ou uma cuia de farinha? Se estivessem em um barco minúsculo, no meio do oceano, rezando para que uma chuva aliviasse um pouco a sede que desidrata e mata lentamente? Muito diferente de como se sentirão à noite, nos hotéis luxuosos onde se hospedam, talvez reclamando do vinho que lhes servirão no jantar.


Tantas crianças morrem durante uma reunião desses senhores da guerra. Quantas famílias destruídas, quanto futuro desperdiçado para sempre. Com um simples gesto de levantar a mão – tal como fazem os Césares com o polegar – selam o destino dos pobres infelizes que foram jogados na arena, para diversão de um público sedento de sangue.


Sempre que tragédias acontecem, grupos de artistas cantam belas músicas, poetas compõem lindos poemas. Pena que os mortos não possam ouvi-las.


O fotógrafo palestino Mohamed Salem ganhou o “World Press Photo 2024” – principal prêmio de fotografia jornalística do mundo – registrando o instante em que capturou a imagem de Inas Abu Maamar chorando, inconsolável, segurando nos braços e pequeno corpo sem vida envolto em um lençol, de sua sobrinha Saly de apenas 5 anos.


Quando muito, essa foto será emoldurada e pendurada nas paredes das salas que serão destruídas nos próximos bombardeios. ”

ExpoZebu Começou ontem em Uberaba, Minas Gerais, a 89ª ExpoZebu, a maior exposição mundial de bovinos de raças zebuínas. Estão inscritos 2.520 animais. Vai até o dia 5 de maio no Parque Fernando Costa.
O Rio Grande do Norte está presente com animais na pista de julgamento, como é o caso do plantel da raça Sindi, do criador Josemar França. Também o Nelore da Fazenda Montana, de Gilmar Lopes.
Outro destaque: a participação do criador Paulo Galvão Barreto, de Caraúbas, no concurso leiteiro. Raça Gir.

No Potengi Por estas bandas potiguares, a exposição da cidade de São Paulo do Potengi, a “25ª ExpoPotengi”, já tem data marcada: de 9 a 12 de maio. Caprinos, ovinos e bovinos. Das ribeiras do Potengi e de outras regiões do Estado. Festa montada no Parque Francisco Bezerra de Brito. Bons negócios, bons papos.

Cultura Boa notícia da semana: a Cooperativa Cultural Universitária, da UFRN, que existe derna de 1977, passa a ser reconhecida agora como “entidade de utilidade pública estadual”, projeto aprovado pela Assembleia Legislativa e tornado lei com a sanção da governadora Fátima Bezerra.

Literatura Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

  • Vem aí, em maio, o prêmio de literatura patrocinado pela Firjan Sesi e pela Academia Brasileira de Letras (ABL). O concurso é voltado para alunos do ensino médio da rede pública estadual do Rio, das escolas Firjan Sesi e para trabalhadores da indústria fluminense. Haverá três categorias: Conto, Crônica e Poesia. Os imortais da ABL vão escolher os vencedores, enquanto os prêmios serão tablets. ”

Democracia Do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, discursando na sessão solene da Assembleia da República, manhã de quinta-feira, 25, comemorativa dos 50 anos da Revolução dos Cravos: “Tenhamos a humildade e a inteligência de preferir sempre a Democracia, mesmo imperfeita, à ditadura”.

Chuva Na reta final de abril chovendo em todas as regiões, potiguares, maiores chuvas na região Oeste, segundo os números da Emparn. De segunda-feira, 22, até a manhã de sexta, 26, o município com maior chuva foi Grossos, 59 milímetros, seguido de Martins, 53, Almino Afonso, 48, Portalegre, 47, Campo Grande, 38, Lucrécia, 37, Pendências, 36, Jucurutu, 35, São Rafael, 31. Caraúbas, 30, Felipe Guerra, 29. Em Mossoró, 17 milímetros.


No Seridó, destaque para São João do Sabugi, 42 milímetros, Acari, 33, São Vicente, 30. A previsão da Meteorologia é de chuva acima da média nos meses de maio, junho e julho. Amém.

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