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Djalma Maranhão

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Lembrando que amanhã, 27, segunda-feira, noite de lua cheia, é o aniversário de nascimento de Djalma Maranhão (Natal, 1915), um grande potiguar, um grande brasileiro. Professor de Educação Física, jornalista, político, deputado estadual e federal, prefeito de Natal por dois mandatos, realizando uma das administrações mais importantes da história natalense[CdM1] [CdM2] [CdM3] , investindo principalmente em Educação (“De pé no chão também se aprende a ler”) e Cultura, destaque para os terreiros do folclore. Como jornalista fundou vários jornais, entre eles o Diário de Natal, idos de 1939, quando tinha 24 anos.

Na ditadura militar de 1964 Djalma teve o seu mandato de prefeito cassado. Foi deposto e preso. Posto em liberdade por decisão unânime do Supremo Tribunal Federal, Djalma exilou-se no Uruguai, onde faleceria em 30 de julho de 1971, aos 56 anos de idade. Seu corpo foi transportado para Natal e sepultado no Cemitério do Alecrim.


Na estante pego o livro-álbum “Djalma Maranhão 100 Anos – Uma Fotografia”, organizado por Giovanni Sérgio Rêgo e Adriano de Souza. São 268 páginas, contendo 237 fotos. Uma obra importante que permite se fazer um rico passeio pela história potiguar, principalmente pelos caminhos da aldeia natalense. Fiquei todo ancho quando me vi numa dessas fotos. Foi numa solenidade (todos de paletó e gravata) no palco do Aero Clube: Djalma Maranhão discursando diante do microfone, ao lado o dr. Gentil Ferreira de Souza, presidente do clube (também ex-prefeito de Natal), e o seu famoso mordomo Boquinha. Do outro lado, o jurista dr. João Medeiros Filho e este escriba, que à época, final dos anos 50 começo dos 60, fazia parte da diretoria do Aero. Faz tempo e dá muitas saudades daqueles tempos.


Volto à estante e pego o livro “Cartas de um exilado”, publicado pela Editora Clima, em 1984. Além das cartas de Djalma endereçadas a familiares e amigos, tem um poema (não concluído) que ele escreveu no exílio com o título “Evocação de Natal”, que deveria ser lido em todas as escolas e lembrado em todas as rodas natalense. Em homenagem à sua memória, transcrevo alguns versos:


“Não te esquecerei, Natal,/ Os olhos do sol transpondo as dunas/ Iluminando a cidade,/ Que dormiu embalada/ Pelo sussurro das águas do Potengi./ Jerônimo, o que plantou o marco de tua fundação;/ Poti, o teu guerreiro nativista,/ Que nasceu ali em Igapó, antiga Aldeia Velha, / Brasil Colônia, Brasil Império./ Pedro Velho, teu grande chefe republicano.”


“Não te esquecerei Natal! / No lirismo dos teus poetas;/ O quase bárbaro Itajubá/ E o quase gênio Otoniel/ E também o alucinado Milton Siqueira,/ Jorge Fernandes esbanjando poesia/ Na mesa de um bar/ Era a imagem viva de um Verlaine./ A projeção dos teus intelectuais, / Que tem em Câmara Cascudo / Um nome regional com ressonância internacional;/ A tradição literária dos Wanderley, / Revivendo a tua boemia./ O saxofone de Tibiro./ Os violões de Heronides, Macrino, os irmãos Lucas./ Tuas modinhas – “Praieira dos Meus Amores” – / Deolindo, Cavalcanti Grande, Ávila, Carlos Siqueira, / Vitoriano, Jaime, Pedrinho, Saturnino,/ Jaime declamando sua poesia./ Tuas serenatas e Evaristo de Souza,/ O teu último grande boêmio.”


“Não te esquecerei, Natal! / Na tradição de tua Igreja, / A humildade de João Maria/ E a bondade do monsenhor Pegado,/ A cultura do Padre Monte/ E os sermões de Luís Wanderley, / A vocação social das irmãs Vitória, Gonzaga, Rosali,/ E também os ingênuos poemas de Dom Marcolino;/ Dom José Pereira, o célebre fundador do teu Arcebispado./ Anoto para o futuro as lutas de hoje/ Dos jovens sacerdotes/ Plasmados por Dom Eugênio e Dom Nivaldo, / Para os duros embates sociais,/ Na fidelidade às Encíclicas de João XXIII,/ Herdeiros do sacrifício de Frei Miguelinho.”


“Não te esquecerei, Natal! / A tua jovem Universidade, / Herdeira das tradições do velho Ateneu:/ João Tibúrcio, Torres, Celestino,/ Severino Bezerra, Clementino, Seu Emídio./ A tua Escola Doméstica/ Iniciativa inesquecível de Henrique Castriciano./ Centro altamente refinado de ensino./ E a Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler/ Ferramenta indestrutível de uma geração/ Que teima, deseja e atingirá/ As fontes do saber e da cultura,/ Quando um dia o ensino não for um privilégio.”


“Não te esquecerei, Natal! / O austero Forte dos Reis Magos/ Com os velhos canhões de fogo morto,/ A ponte metálica de Igapó,/ A alegre pensão de Maria Boa, / Onde uma geração se iniciou nos segredos do amor./ A Peixada da Comadre, no Canto do Mangue,/ E a Caranguejada do Arnaldo, / A Feira do Alecrim e o seu Clube do Sarapatel,/Os cegos tocando viola,/ A Carne Assada do Lira e do Marinho,/ Batidas de Maracujá nas baiucas da Quarentena,/ Cerveja bem geladinha no Carneirinho de Ouro/ E o café sempre requentado no Bar Quitandinha.”
“Não te esquecerei, Natal! ”

Mais literatura A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte realizará uma sessão especial no dia 1º de dezembro, uma sexta-feira, às 14 horas, em homenagem ao Dia Estadual da Literatura Potiguar.

Paróquia de São Paulo Quinta-feira que vem, dia 30, a Paróquia de São Paulo Apóstolo, do município de São Paulo do Potengi, estará comemorando seus 80 anos, criação do Monsenhor Expedito, o “Profeta das Águas” (seu primeiro pároco), hoje sob as bênçãos do Padre Ramos, lá se vão 23 anos. Será celebrada missa pelo arcebispo de Natal, Dom João Santos Cardoso, a partir das 19 horas. O município de Lagoa dos Velhos também faz parte da paróquia.

Buraco Passados quatro meses, finalmente a Caern tapou o buraco da rua Heráclito Villar, na descida para a Régulo Tinoco, Barro Vermelho. Um dia de serviço, dois trabalhadores. Foi esta semana. Mas não taparam um outro que está se abrindo na subida para a avenida Jaguarari. Vai demorar até quando?

Chuva Semana de chuvas pelos sertões do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. As mais fortes na Paraíba, entre os dias 20 e 21.No município de São Sebastião do Umbuzeiro, 110 milímetros; Zabelê, 85, Monteiro, 77, Patos, 49, Água Branca, 29, Juru, 27, Tavares, 11. No Ceará: Santa Quitéria e Jardim, 37 mm, Santana do Cariri, 33, Nova Olinda, 25, Crato, 22, Missão Velha, 20, Coreaú, 17, Farias Brito, 15, Juazeiro do Norte, de Padim Ciço, 14.


Pelas bandas do Rio Grande do Norte as chuvas foram mais fracas (mas, bem-vindas): Martins, 26 milímetros, Bodó, 12, Umarizal, 10, Currais Novos, 7,7 , Natal, 8,8, Lagoa Nova, 4,6.

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