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Jornal de WM

Woden Madruga 

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No rumo da África
Na gaveta dos papéis desarrumados encontro uma carta de Veríssimo de Melo, escrita no final de janeiro de 1996. Vai na íntegra:

“Natal, 30.1.1996.
Woden, meu abraço.
Faça a você mesmo a pergunta de conotação histórica: – Para que parte da África rumavam os aviões norte-americanos, durante a guerra, que saiam de Parnamirim? Verá que você – como todo mundo em Natal, praticamente – indicará o rumo errado. Todos dizem:

Claro, os aviões saiam daqui para Dakar, o aeroporto de Senegal.
Errado!
Os aviões quando saiam de Natal em direção à África jamais informaram o exato ponto para onde se dirigiam. Se você se recorda do noticiário antigo dos norte-americanos – os jornais informavam: “De um ponto da África” ou coisa semelhante. Jamais indicaram o ponto exato – naturalmente por uma questão de segurança. A história é longa e só o “expert” Lenine Pinto pode dar informações mais detalhadas.


A “coisa” me chamou a atenção após a leitura do livro do brasilianista Frank D.McCann Jr., “ALIANÇA BRASIL- ESTADOS UNIDOS – 1937-1945”, que acaba de sair pela Biblioteca do Exército. Lá está dito, com todas as letras, eu Hitler, logo depois da tomada da França, exigiu do Governo fantoche de Vichy a cessão do aeroporto de Dakar para a aviação militar alemã. Ele sonhava manter em Dakar o ponto fundamental para o salto sobre o Brasil e América do Sul consequentemente. Mas – aqui é que está algo que pouca gente sabe – e antes da queda da França? Os aviões que saiam de Natal iam mesmo ou não para Dakar? Lenine me informou que não poderiam ir, pois os norte-americanos tinham problema sério contra os franceses, apesar de serem aliados.


E para onde iam os aviões norte-americanos? Iam para um aeroporto em Gâmbia, faixa estreita de terra que fica abaixo um pouco de Dakar. Veja no mapa. De lá – após abastecimento – eles de dirigiam aos aeroportos do norte da África: em Marrocos, Tunísia, Argélia, arrendados aos norte-americanos. Ali eles aguardavam o grande momento para o salto decisivo de invasão da Europa – via Itália.

Além daqueles pontos onde tinham aeroportos, os americanos também construíram um outro aeroporto na Ilha de Ascenção, que fica próxima à África. E tinham aeroportos na Libéria. Estas informações – já hoje de importância histórica – precisam se retificadas. Os norte-americanos – durante a guerra – jamais foram Dakar. Antes da queda da França porque já havia problemas deles contra os franceses. Depois – impossível – pois os alemães já dispunham do aeroporto de Dakar, cedido pelo governo fantoche de Vichy.

Veja você como são as coisas. Todo mundo em Natal pensava errado sobre esse detalhe da guerra. Mas, creio que ninguém perguntou seriamente aos norte-americanos para que ponto eles se dirigiam ao sair de Natal. E, se perguntassem – claro – eles também não diziam por questões de segurança.

No meu artigo de domingo, na TRIBUNA, faço ligeira referência ao assunto. Mas, seria bom que você logo se adiantasse sobre o tema para que o povo de Natal saiba – inclusive os militares brasileiros – que nada sabia sobre o rumo dos aviões de guerra norte-americanos que se dirigiam em direção à África. Elmo Pignataro – o grande filatelista – sabia desse detalhe. Ele informou agora a Protásio Melo, que também nada sabia a respeito. Não é incrível?

É mexendo nas coisas da história que a gente vai descobrindo que nada sabe ao certo das mesmas coisas. Alguém informou errado – a primeira vez – e toda a população acreditou! Dê notícia sobre assunto. A função da imprensa é esclarecer ao público sobre a verdade dos fatos.


Agradece a atenção seu amigo e fã


Veríssimo de Melo.


Em tempo: Gâmbia fazia parte da Comunidade Britânica, na época. Hoje é um país independente. Veja que mais um mito da história da 2ª Grande Guerra está sendo destruído por esta minha colocação. ”

O Rei do Baião Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

Veja que legal. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, será a personalidade musical escolhida como o grande homenageado da edição 2024 do Universo Spanta, festival de música brasileira que acontecerá durante os finais de semana do mês de janeiro, em pleno verão carioca.

A homenagem acontece quando se completam 35 anos da morte do artista, e vai contar com show especial, além de outras ações em homenagem a Gonzaga e à cultura nordestina.

Na Academia Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, sediou nos dias 19 e 20 o Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras- 2023. A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras foi representada pela sua Secretária Geral, a acadêmica Leide Câmara.

Festa do Boi A Festa do Boi, encerrado domingo passado, não foi só um grande sucesso no mundo dos negócios e na qualidade genética dos rebanhos expostos, acolhendo expositores e criadores de vários estados. Teve gente vindo até do exterior, além das águas do mar Atlântico, como é o caso do angolano Adriano Paulo Matos Sebastião, criador de raças zebuínas em terras africanas. Dono de boa conversa.

Num desses papos, além das raças bovinas Sindi e Guzerá citadas com entusiasmo, foram lembrados os nomes de Pepetela, José Eduardo Agualusa, Ondjaki, João Melo e José Luandino Vieira, todos angolanos, incluídos no rebanho dos bons escritores em língua portuguesa.

Mais festa Políticos de todos os credos também foram vistos pelas alamedas do Parque Aristófanes Fernandes. A governadora Fátima Bezerra aproveitou um dia e almoçou por lá. O prefeito Álvaro Dias, que é pecuarista, esteve nos leilões. Deputados estaduais e prefeitos municipais andando pra lá e pra cá. O ex-governador Garibaldi Filho passeou um dia inteiro por lá, conversando com criadores, expositores e tratadores (vaqueiros), gente de todos os credos. Foi o político mais festejado.

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