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Lembrando Ticiano Duarte

Hoje, 21 de abril, é o aniversário de nascimento de Ticiano Duarte (Natal, 1931). Encantou-se no dia 8 de agosto de 2015, depois de participar do Festival Literário na Praia de Pipa, onde foi um dos expositores. Tinha 84 anos. Advogado, jornalista (foi editor da Tribuna do Norte), professor universitário, auditor do Tribunal de Contas, ex-secretário municipal na administração do prefeito Djalma Maranhão (Chefe da Casa Civil) e ex-secretário (Interior e Justiça) no governo Aluízio Alves. Boêmio, proseador excepcional, líder maçônico, imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Pego na estante o seu livro “Anotações do meu Caderno” que reúne crônicas que publicou nesta TN. Em homenagem à memória do querido e saudoso amigo transcrevo trechos de sua crônica “Território Sentimental”, um delicioso passeio por Natal do seu tempo:

“O que foi o ‘Grande Ponto’, no contexto da história de Natal? Local para onde convergiam os habitantes da pequena cidade, então em número de cinqüenta a oitenta mil. Patrimônio cultural e boêmio da capital do Estado, que ensaiava os primeiros passos de metrópole, no burburinho provinciano, mas marcante de um povo que sempre buscou o seu destino de transformar-se, como se transformou, em reqüestado endereço turístico, que derrama beleza ao pôr do sol. Emblema de acolhimento e calor humano.


Eu sou Xarias. Nasci na fronteira do “Grande Ponto”, na antiga rua Uruguaiana, que depois se chamou Idaletro de Freitas e hoje guarda o nome do General Osório. Portanto, sou orgulhosamente fronteiriço do “país” do “Grande Ponto”, onde aprendi, na sua universidade aberta, democrática e transparente, lições de menino, de adulto e de homem maduro.


Finda a Segunda Guerra mundial, que encheu a cidade de americanos, Natal começou a ganhar ares cosmopolitas e hábitos dos mais modernos do nordeste brasileiro. Era o progresso que vinha a toque de caixa (…) A rua João Pessoa abrigava no carnaval o desfile e o corso de automóveis, de blocos, de sujos, de foliões irreverentes.


No sobrado da esquina com a Princesa Isabel, ficava a sede do Santa Cruz, no térreo, o “Botijinha”, de Jardelino Lucena, pai. A Confeitaria “Cisne” começava a ser a triunfal cidadela da boemia da cidade. Ali se reuniam as tradicionais figuras de Luizinho Doublichen, Albimar Marinho, Djalma Cavalcante, Alcebíades Fernandes, José Pinto Júnior. Na esquina da Rio Branco, um pouco adiante, estava o “Natal Clube”, reunindo a elite da cidade: políticos, magistrados, empresários, profissionais liberais. Era o jogo de cartas, gamão, xadrez.


Na sua varanda, no primeiro andar do prédio, descortinava-se toda a Avenida Rio Branco, o seu desfile de final da tarde – mulheres bonitas e elegantes, no passeio pelas lojas.


Intelectuais, estudantes, jornalistas, advogados, médicos, empresários tomavam café no “São Luiz” ou no “Maia”. A sorveteria “Cruzeiro”, de Antônio China, era o local permanente de Leonardo Bezerra, Luiz Maranhão, Guaraci Queiroz, João Batista Pinto, Lenine Pinto, Newton Navarro. No encerramento do expediente, fim de tarde, a presença dos desportistas, discutindo a rivalidade América e ABC.


Meira Pires convocava Sandoval Wanderley para discutir teatro e de reboque a inesquecível figura de Jaime dos G. Wanderley. Walfran de Queiroz declamava a sua poesia rebelde, Gilberto Avelino já derramava o seu lirismo, evocando Macau, seu mundo encantado de menino filho de poeta maior.


Eutiquiano Reis, magistrado íntegro e imponente, solteirão e boêmio, postava-se em frente à Casa Vesúvio, do velho Maiorana. Falava pouco e ouvia muito, admirando as mulheres bonitas que por ali transitavam. Reservava uns minutos para deliciar-se na cerveja geladíssima do bar “Cisne” Albimar Marinho fazia discursos nos bares e aceitava o agradecimento em copos de cerveja. Foi um tempo provinciano, mas inteligente. A cidade crescia, modernizava-se.”

Livro A escritora Maria das Graças Brandão Soares está com novo livro na praça: “Netos – Tesouros do Baú da Vovó Goiosa”. Ilustrações de Fendy Silva. Na quarta capa ela conta:

Decidi abrir o meu secreto ‘baú de afagos’ e nele encontrei um verdadeiro tesouro da infância dos filhos e netos: cartinhas, poemas e por isso resolvi publicá-los. ”

Mais livro Manhã de quinta-feira, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa, houve o lançamento do livro “Memorial Político dos Veras Saldanha”, de autoria de Francisco Galbi Saldanha e Fabiano André da Silva Veras.

Cordel Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo: A Yellowfante, braço infantil e juvenil do Grupo Autêntica, também está lançando uma versão em cordel de “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, cuja obra acaba de cair em domínio público. A versão é de Josué Limeira e Vladimir de Barros. A dupla recifense já trabalhou na adaptação para o cordel de outros clássicos, como “A revolução dos bichos”, de George Orwell. ”

Mais cordel Por falar em cordel, Mané Beradeiro está com um novo no coreto da praça: “Casa Grande e Senzala – Entre os 90 e 100 anos, cordel biográfico”. Gilberto Freyre iria gostar: “Casa Grande e Senzala”/ É um livro universal/ Foi escrito por um gênio/ Nordestino colossal/ Homem de grande valor/ Nas letras desbravador/ Por isso fenomenal. ”

Música O músico e compositor Alexandre Moreira foi escolhido como o Instrumentista do Ano, na 21ª edição do Prêmio Hangar de Música, realizada dia 15 no Teatro Alberto Maranhão, promovido pelo Sebrae em parceria com o Sesc, Federação do Comércio, Prefeitura de Natal e Fundação José Augusto. Alexandre é craque no bandolim.

Chuva Terceira semana de abril seguindo com chuvas em todas as regiões do Estado, mais concentradas na Oeste. Pelos números da Emparn, do dia 15 até sexta-feira, 19, os maiores acumulados foram nos municípios de Patu, 75 milímetros, Campo Grande, 51, Olho d’Água dos Borges, 48, Pendências, 46, Almino Afonso, 45, Luís Gomes, 41, Rodolfo Fernandes, 36, Riacho da Cruz, 32, Mossoró, 28. Em Natal, o acumulado foi de 42 milímetros.

*Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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