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No rastro de Antônio Pinto

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Woden Madruga

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No começo da semana, dia 6, lua minguando, caiu na minha bacia das almas, um imeio de Geraldo Batista de Araújo, seridoense nascido no Acari, professor, escritor, criador e primeiro diretor da Editora da UFRN, tempos do reitor Onofre Lopes. Dos bons papos desta aldeia Cascudiana, Geraldo vem no rastro do poeta e jornalista Antônio Pinto de Medeiros, que foi o mote desta coluna de domingo passado. Começa assim:

“Prezado Woden:
Não tive o prazer de ser amigo nem de conhecer pessoalmente o cidadão Antônio Pinto de Medeiros, mas devo a ele um grande favor. Quando vim estudar em Natal para cursar o segundo ano do Curso Cientifico teria que fazer uma Exame de Complementação de Química. Mas não fui avisado por ninguém. Na relação afixada no quadro de aviso não havia o meu nome.


Em fevereiro do ano seguinte o inspetor federal Max Cunha de Azevedo mandou me chamar e me comunicou que eu teria que repetir o ano, pois o MEC não dava razão ao aluno.


Não me conformei e fui procurar o advogado Dr. Otto de Brito Guerra, que me disse que o MEC dá razão a quem está correto. Ele redigiu um Razoado e me mandou assinar. Disse que seria bom eu conseguir uma pessoa no Rio de Janeiro para acompanhar o processo. Indicaram-me o nome de Antônio Pinto que me atendeu muito gentilmente.


Com 15 dias o MEC comunicou ao Inspetor Federal que eu deveria continuar cursando o terceiro ano e faria em setembro o Exame. Devo este grande favor ao cidadão Antônio Pinto. Depois o dr. Max se tornou um grande amigo meu.


Antes que eu me esqueça meus parabéns por você.
Geraldo. ”


Tem mais traços no rastro de Antônio Pinto. Na estante ao lado pego o livro “De Autores e de Livros”, de Jaime Hipólito Dantas, outra referência importante de nossas letras. São artigos e crônicas publicadas na imprensa local, incluindo a nossa Tribuna do Norte. O livro saiu em 1992, esgotado há muito tempo, precisa de uma reedição, já. Antônio Pinto é o mote de um desses artigos, com o título “Sobre um Grande Esquecido”. Destaco trechos, começando pelo começo:

  • Nossos mortos acumulados no esquecimento são muitos, e Antônio Pinto de Medeiros está entre eles. Ninguém o cita nem ninguém menciona-lhe o nome. A ninguém talvez ocorre que no ano passado, 1980, fez dez anos da sua morte.
  • Morreu no Rio de Janeiro, já então esquecido dos de cá, muitos dos quais, principalmente por ignorância, nunca lhe reconheceram o talento. Ou simplesmente podem jamais ter tolerado tanta rebeldia junta, tanta tendência à provocação e tanta irreverência face ao convencional e ao rotineiro.
  • Os livros que Antônio Pinto de Medeiros publicou, duas coleções de poesias, apenas, estão há muito esgotados. Quem os terá em casa ou, pior ainda, quem os lê ainda hoje?
  • Chamava-se “Mirante” a secção, diária, que ele mantinha no Diário de Natal (…). Suas crônicas eram numa concisão exemplar, não chegando a ter muitas delas mais de quatro, cinco parágrafos. E ele escrevia à mão, numa caligrafia impecável, típica de escrevente de cartório.
  • Acredito que valeria a pena arriscar uma das nossas editoras a publicar uma seleção das crônicas de Antônio Pinto de Medeiros. Uma verificação, rápida que seja, revelará que elas não perderam sua atualidade. ”

Na Academia A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras: aniversaria terça-feira, 14. Chega aos 87 anos de sua fundação. Celebração às 18 horas com palavras e benção do Padre e Acadêmico João Medeiros Filho. Também acontecerá eleição para a nova diretoria. Aliás, reeleição: Diógenes da Cunha Lima, presidente; Jurandyr Navarro, vice; Leide Câmara, secretária-geral; Iaperi Araújo, secretário-adjunto; Armando Negreiros, diretor financeiro.
Diógenes está na presidência derna de 1984. Lá se vão 39 anos.

Graciliano Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

  • Passados 70 anos da morte de Graciliano Ramos, a editora Todavia vai reeditar algumas das principais obras do grande escritor alagoano. O primeiro título será “Angústia” (1936), que já sai em janeiro do ano que vem. Na sequência, virá o clássico “Vidas Secas” (1938).

Oceanos Foram anunciados (quarta-feira, 8) os nomes dos 10 finalistas do Oceanos Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa -2023. Cinco obras de Poesia e 5 de Prosa. Entre os vencedores, quatro brasileiros, todos na categoria Poesia: Cláudia Roquete-Pinto, Ricardo Aleixo, Guilherme Gontijo Flores e Prisca Agustoni. O quinteto foi fechado com o português Pedro Eiras. Na categoria Prosa, um trio português: Lídia Jorge, Joana Bértholo e João Tordo, e dois cabo-verdianos: Mário Lúcio Souza e Joaquim Arena.


Foram 2.654 livros inscritos, autores de 12 nacionalidades. O nome do ganhador será divulgado no dia 7 de dezembro.

Jabuti A semana também teve o anuncio dos finalistas do Prêmio Jabuti. Na categoria “Romance Literário” tem um potiguar: o mossoroense João Almino. Chegou lá com o seu romance “Homem de Papel”.

Chuva Começo da semana (dias 5, 6 e 7) com chuvas nos sertões do Ceará, Paraíba e Piauí. As maiores do Ceará foram na região do Cariri: Missão Velha, 44 mm, Jati 27 Ipaumirim, 26, Barbalha, 25, Juazeiro do Norte, 24, Aurora 21, Brejo Santo e Baixio, 20, Milagres e Umari, 19, Lavras da Mangabeira, 17.


Na Paraíba: Coremas, 80 mm, Nazarezinho, 73, Marizópolis, 71, São José da Lagoa Tapada, 56, Aguiar, 56, Cajazeirinhas, 46, Cajazeiras, 34, Igaracy, 30, São Bentinho, 27. No Piauí: Floriano, 75 mm, Canto do Buriti, 64, São José do Piauí, 58, Alvorada de Gurguéia, 43.

Buraco O tempo vai passando, 5 meses quase, e o buraco da Caern na rua Heráclito Vilar, no Barro Vermelho, continua aberto, atrapalhando a passagem de veículos e de pedestres. As reclamações dos moradores não são atendidas pela Companhia. A certeza que se tem é que a diretoria da Caern permanece na UTI.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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