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Noite de Saudade

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Woden Madruga 
No meio da semana caiu na minha bacia das almas uma crônica de Hortêncio Pereira de Brito Sobrinho, seridoense do Acari, há muitas décadas de casa montada em Goiânia, ouvindo boas músicas e relendo a Revista do Rádio. Começa assim: 
“Feliz de nós que aportamos aqui e que trouxemos este sentimento de saudade aprendido em nossa infância, com os nossos queridos pais, e nas praças de nossas cidades, no meu caso, lá em Acari, Rio Grande do Norte. Sempre à noite, após a Hora do Brasil e até ás 22 horas, a difusora da Prefeitura de Acari divulgava o melhor do cancioneiro popular que aparecia no programa “Noite da Saudade”: canções românticas, sempre falando de amor bem sucedido ou não, mas falando de amor.
Me criei na raça, na Fazenda Ping’agua, pertinho de Acari. Aos 8 anos fomos morar na cidade, mas com o pé na roça. Meu pai, nos anos de 1930, havia morado no Rio de Janeiro, acompanhando seu irmão Hortêncio. Quando voltou, em 1939, casou-se, mas, como ele mesmo dizia, sem deixar o pensamento na boemia da cidade maravilhosa, dos seus cassinos, cinemas e rádios e com grande influência dos cantores (as), hoje chamados de velha guarda. Dessa forma, mamãe foi seguindo os passos românticos de papai e eu fui junto.
Em Acari, a difusora apresentava os pedidos dos ouvintes: “fulano de tal oferece ao broto de blusa azul e saia plissada a música (…)” Tive essa escola de bom gosto. Quando fui estudar interno em uma escola agrícola, de 1960 a 1963, fiz parte do pessoal da discoteca. Lá divulgava alguns assuntos da Revista do Rádio. Minhas primeiras revistas foram apresentadas por mamãe e papai que comprovam sempre que iam a Natal. Foi aí que o “meu acervo começou”.
Em 1964 fui morar e estudar em Natal. Namorava uma menina muito linda que morava na mesma rua dos pais do Edinho, componente do famoso Trio Irakitan (primeira formação com Joãozinho e Gilvan, todos norte-rio-grandenses). Sempre que iam a Natal conversavam com os pais da minha namorada e daí entrosamos uma ótima amizade, uma vez que eu era conhecedor de todas as músicas e de toda trajetória do querido trio. Isto devido, as Revistas do Rádio. A nossa amizade tornou-se robusta, tanto é que todas as vezes que o trio se apresentou em Goiânia, o Gilvan ia lá em casa fazer uma visita sentimental.
Ainda falando de Natal, lá havia as Radios Poty e Nordeste com transmissões de boas músicas, as duas com auditórios onde se apresentavam o cast natalense ou visitante. O tempo passou e, em 1968, fui morar no Recife. Em 1971, já trabalhando no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, fiz amizade com Fernando Spencer, cineasta pernambucano que sabia do meu acervo de revistas e sempre me consultava sobre matérias de cinema, teatro e música. Outra amizade foi com o pesquisador Renato Phaelante, coordenador da Fonoteca do Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira daquela instituição.
Em 1972 eu era universitário no Recife e fui selecionado para participar da XII Operação do Projeto Rondon, em Mineiros, aqui em Goiás. Lá conheci o Secretário de Educação do município e, através do dr. Martiniano, advogado estabelecido e bem-sucedido na região, fizemos uma boa amizade. Foi ele que me informou sobre um festival de cinema que aconteceria na cidade. Lembro-me bem do filme com Anselmo Duarte, o galã nacional da época, “O caso dos irmãos Naves”, lançado em 1967. Como eu havia assistido ao filme, dei detalhes ao Secretário de Educação. E com a conversa eu falei do meu acervo. Então ele me disse que tinha um monte de Revistas do Rádio.
Até hoje, quando viajo, levo a relação atualizada do meu acervo e pude ver que ele tinha uma grande quantidade de revisas que eu não tinha. Sem delongas, fiz uma proposta para comprar as revistas. Não deu outra, comprei em torno de 90 exemplares. Ainda quando encontro Revista do Rádio, hoje principalmente em sites de vendas, faço a compra. Dessa forma, o acervo da Revista do Rádio foi crescendo e hoje são 897 revistas. E naquele ano, lá em Mineiros, com o citado filme, iniciou-se outro grande acervo de filmes nacionais, antes em fita VHS e hoje em DVD. ”
Prêmio Camões 
O escritor português João Barrento, ensaísta e tradutor, é o vencedor do Prêmio Camões de Literatura-2023, o mais importante da literatura portuguesa. Vai engordar sua conta bancária com 100 mil euros. Ano passado, o ganhador do prêmio foi o brasileiro Silviano Santiago.
CCHLA-50 
O Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), da UFRN, está comemorando 50 anos de sua criação. Atualmente, sua estrutura está dividida em 12 departamentos, 24 cursos de graduação presencial e 3 de graduação a distância – mestrados e doutorados. Tudo começou na antiga Faculdade de Filosofia de Natal, fundada em 1955.
Chuva 
chegando Boa notícia, ótima, que nos chega através do Portal Ciência em Foco (“Notícia Já”):
“De acordo com o físico e meteorologista Rodrigo Cézar Limeira, outubro e novembro deverão marcar o retorno das chuvas isoladas ao semiárido dos estados da Paraíba. Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco. Em dezembro, a probabilidade de chuvas aumenta na região. Já em janeiro as chuvas serão acima da média. ”
Amém.
Padre João Maria 
A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras realiza amanhã, 16, a partir das 16 horas, uma sessão especial para celebrar os 120 anos do encantamento do Padre João Maria, o “Santo Potiguar”, patrono da cadeira 11, hoje ocupada pelo poeta Paulo de Tarso Correia de Melo.
Padre João Maria nasceu em Caicó em 23 de junho em 1848. Faleceu em Natal no dia 16 de outubro de 1905. 
Sindi 
Um dos grandes sucessos da Festa do Boi, encerrada ontem, foi a presença da raça zebuína Sindi: mais de 300 animais, 210 deles em julgamento na pista, 11 no torneio leiteiro. A campeã vaca adulta foi Ella I Fiv Montana JG, com média diária de 18,881 litros, do criador José Gilmar de Carvalho Lopes. A reservada campeã foi Fada WM, da Fazenda Queimadas de Baixo, Lagoa de Velhos, com 15,014. O prêmio de Melhor Úbere ficou para a vaca Palma-WM, também das Queimadas. Comemorações na terra de Fabião.
No leilão da raça, realizada na noite de quinta-feira, teve vaca Sindi arrematada por 100 mil reais. Viva!
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