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Lateral-esquerdo

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Rubens Lemos Filho

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Na edição de fim de semana, o parceiro Alex Medeiros deu uma nota sobre o terreno fértil do Rio Grande do Norte para a produção de craques até internacionais na lateral-esquerda. Tudo pela ausência injustificada do flamenguista Ayrton Lucas no timeco de Fernando Diniz.

Acrescentou Ney Andrade, Marinho Chagas, Anchieta e Nonato. Resolvi prosseguir no assunto por concordar integralmente com Alex, com quem converso dia sim, dia não, sobre futebol e política sem o risco do estrelismos ou vaidades babacas.


Daí, a nota que Alex publicou em sua coluna de fim de semana sobre o celeiro potiguar de craques da lateral-esquerda de talento até internacional, me obriga – com máximo prazer a falar um pouco mais sobre os mencionados: Ney Andrade, Marinho Chagas, o reinventor mundial da posição, Anchieta e Nonato.

Ney Andrade, galego(foto) cria das divisões de base alvinegras, me traz imediatamente a figura de um dos seus admiradores seletos: o jornalista Woden Madruga.

Ney Andrade, excepcional marcando e criando também de meio-campista, atiçou os olhos gulosos do poderoso Sport(PE) em 29 de março de 1958, sábado à noite, amistoso no superlotado e sempre acanhado Estádio Juvenal Lamartine.

O time do ABC, para o mestre Woden suspirar de saudade: Edson(Ribamar); Biró e Petita; Edmilson Piromba(depois ídolo no Fluminense(RJ)), Gonzaga e Ney Andrade; Gilvan, Jorginho, Tiquinho, Cileno(Nogueira) e Paulo Izidro. Técnico: Jaiminho.

Foi um dos maiores jogos do JL. O ABC venceu por 3×2, com dois gols de Paulo Izidro e uma obra-prima de Jorginho, ao girar de costas sobre o zagueiro Osmar e bater sem chances não para um goleiro, sim para uma lenda.

Era Manga, depois Botafogo(RJ), Internacional(RS), Nacional(Uruguai), Operário(MT), Coritiba(PR) e seleção brasileira no fracasso da Copa do Mundo de 1966. Ney Andrade, após uma aula de requinte, foi cumprimentado por vários jogadores do Leão.

Seguiu para o Sport em 1960, para encantar a guerreira massa rubro-negra na Ilha do Retiro. Do Sport para o Bahia em 1961. O “Galego” Ney Andrade tornou-se ídolo e tornou-se tricampeão estadual (1960/61/62) e campeão Norte/Nordeste(1961). Excursionou com o tricolor pela Europa. Passou pelo Fluminense(RJ) e encerrou a carreira em 1968. Vive em Salvador(BA).

Marinho Chagas é simplesmente o maior esportista do Rio Grande do Norte em todos os tempos. Loiro feito Ney Andrade, revolucionou futebol e costumes com uma habilidade que o fez, ainda que extraoficialmente, o melhor lateral-esquerdo do mundial de 1974. Marinho Chagas jogou numa seleção retranqueira e o seu lugar, por mérito, seria atuar na sensacional Holanda e seu carrossel.

Anchieta, que passou em 1974 pelo América(RJ), indicado pelo técnico Danilo Alvim, o Príncipe da seleção trágica de 1950, derrotada pelo Uruguai no Maracanã(1×2 na decisão), era um tímido garoto do bairro de Lagoa Seca em Natal. Falava pouco e jogava demais. Dono da camisa 6 do Alecrim, campeão invicto de 1968.

O ABC contratou Anchieta após a venda de Marinho Chagas ao Náutico em 1971 e, por mais que possa parecer assombroso, Anchieta não tremeu. Foi o titular dos três anos que construíram o célebre tetracampeonato, encerrado em 1973.

No futebol paraibano, destaque e títulos. Anchieta ostentava uma característica: não dava pancada. Desarmava o ponta-direita na técnica e entregava a bola aos dois criadores do ABC: Alberi e Danilo Menezes.

Quando jogava no Baraúnas de Mossoró, Nonato chamava a atenção da torcida ao desembarcar no Estádio Leonardo Nogueira de bicicleta, trazendo a mulher e a filha, demonstração de habilidade.

Atuou pelo ABC de 1988 até o início de 1990 quando seguiu para o Pouso Alegre(MG) e de lá para o Cruzeiro, no qual extrapolou em qualidade, marcando com serenidade, apoiando com fôlego e criatividade e fazendo gols ao cobrar faltas venenosas. Em várias pesquisas e enquetes é apontado o melhor em sua função na Raposa, em disputa acirrada com o argentino Sorín.

Ayrton Lucas é espetáculo , só não vê o técnico Fernando Diniz. Parece pirraça, o moleque é solista. E pra encerrar: abração, Alex. A Woden, o craque decano, peço bênçãos.

Amigos para sempre Baseado no que ocorreu desde a chegada da SAF no América, o ABC vai fazer tudo de um jeito comedido, calculado e se dando valor. O América, sem querer, ajudou o alvinegro.

Mossoró O campeão da Série B foi montado por um histórico torcedor do Baraúnas, João Dehon, que utilizou profissionais do Potiguar. É ótimo Mossoró aquecida no futebol.

Parabéns O Flamengo faz aniversário hoje. Na verdade, nasceu em 17 de novembro, mas adotou a data do feriado da Proclamação da República. E foi no 15 de novembro de 1972, que os rubro-negros tomaram 6×0 do Botafogo com direito a parabéns para você – para eles, os flamenguistas.

Massacre O massacre foi assistido por 46.279 torcedores. Jairzinho fez três gols, Fischer(2) e Ferreti. Detalhe: ninguém sabe para onde foram as fitas com as imagens do chocolate. Só existem fotos.

Melhor Marinho Chagas foi o craque do jogo. Arrasou o Flamengo.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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