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Lembranças

Dácio Galvão
Mestre em Literatura Comparada, doutor em Literatura e Memória Cultural/UFRN e secretário de Cultura de Natal

Foi através do professor-escritor Francisco Ivan -fã de J. Joyce e Guimarães Rosa- as primeiras referências do brasilianista da Universidade de Yale, Kenneth David Jackson. Logo procurei adquirir seu livro “A Prosa Vanguardista na Literatura Brasileira: Oswald de Andrade”. Ivan distribuía estímulos da produção do autor. Incluindo o trabalho “Haroldo de Campos: A Dialogue with the Brazilian Concret Poet” (University of Oxford), tradução do romance Serafim Ponte Grande (Universidade do Texas-Houston)… Articulou David Jackson para palestra em Natal. Daí, ficou cravado -para nós instigados por linguagens de rupturas literárias- a contribuição do pesquisador para a cultura brasileira. É dele o celebrado ensaio “Machado de Assis: a Literary Life”. Acentuando influência do Bruxo do Cosme Velho em escritos de José Saramago, Carlos Fuentes e Donald Barthelme.

Fato é: ganhamos de presente “Palavras em Rebeldia: uma antologia do jornalismo de Patrícia Galvão (Pagu)” organização de K.D. Jackson. Mulher revolucionária e pouco assimilada. Mesmo recebendo -com o poeta Augusto de Campos- homenagem na última edição da Festa Literária de Paraty-Flip e sua trajetória se convertendo em considerável fortuna crítica. O romance “Parque Industrial” de Pagu circula em língua inglesa por intradução de KDJ. Foi surpresa ganhar livro no final do expediente numa sexta-feira. Atitude do amigo Xisto Tiago de Medeiros Neto. Irmão do saudoso guitarrista Manoca Barreto. Ato inusitado. Recepção impacto. Aberto o envelope estampado de âncoras marítimas o volumaço se apresentou. Navio no cais. Pensei: Patrícia Galvão me persegue. Recentemente também ganhei “Dos escombros de Pagu: Um Recorte Biográfico de Patrícia Galvão”, de Teresa Freire. Agora esse mar ‘Palavras em Rebeldia’! Maravilha.

A discrição de XTMN um colaborador na edificação da importante escola de música -“Toque”- não sugere estranhamento. Pedagogia ‘Toque’ aplicou didáticas de improvisações e harmonias funcionais. Ele foi decisivo no nascedouro. Xisto Thiago nos remete a Pedro Xisto: poeta visual, haicaísta e teórico da literatura. Os dois “Xistos” -um nome próprio, o outro sobrenome- se formaram em Direito. Ambos, procuradores. Pedro em Pernambuco. Depois adido cultural do Brasil em vários países. Publicou: Logogramas, Haikais & Concretos… Tiago, procurador do Tribunal Regional do Trabalho-RN. Utiliza ferramenta da prosa gestual. Sim. A primeira linguagem humana. Ancestral. Diferenciada. Sobrecarregando atitude e conteúdo no horizonte do sensível. Na História de Nossos Gestos -“Gesto é anterior à Palavra” – Câmara Cascudo remonta milênios compilando esses códigos expressionais. Esse presentaço -antologia jornalística de PG- se completa em mais de 600 páginas. Abrangendo os anos de 1931 a 1963. Textos-pensamentos de mulher afirmativa. Real vanguarda. Vida-obra conspirando e inspirando cineastas, dramaturgos, poetas, caricaturistas… Tudo começou com Raul Boop, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.

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