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Lembrando Antônio Pinto

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Woden Madruga 

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Quinta-feira que vem, 9, é o aniversário do nascimento de Antônio Pinto de Medeiros. Professor, jornalista, cronista e poeta, das mais importantes referências da cultura norte-rio-grandense. Nasceu em Manaus (1919), menino em Mossoró, rapazinho em Natal. Seminarista, formado em Direito no Recife, professor do Ateneu, redator do Diário de Natal, onde dirigiu um suplemento literário. Foi diretor do Diário Oficial (governo Silvio Pedroza, de 1951-56), quando publicou livros de vários autores potiguares, entre eles o primeiro de Zila Mamede: “Rosa de Pedra”.

Foi imortal da Academia Norte-rio-grandense de Letras, ocupando a cadeira 15. Mas renunciou à imortalidade (fato inédito da história da Instituição), sendo sucedido por Eloy de Souza. No livro “Patronos e Acadêmicos”, Veríssimo de Melo traça o perfil de Antônio Pinto. Destaco alguns trechos:

  • Antônio Pinto de Medeiros era indefinível, enigmático e esfíngico – se assim se pode dizer. Convivemos vários anos, de perto, com ele, na imprensa natalense. Passou vários anos do Seminário, mas findou desencantando-se da batina e casou-se.
  • Enveredou pelo magistério secundário, em Mossoró e depois em Natal, ensinando latim, português, literatura. Afirmam seus ex-alunos que era excelente professor, apesar da irreverência crônica. Dava aulas de sandálias e camisa esporte, o que escandalizava os colegas mais velhos.
  • Nos suplementos literários da cidade destacou-se como crítico e poeta. E era implacável contra as nulidades. Antônio Pinto era um cético impenitente. Não acreditava em coisa nenhuma. Por isso foi incendiário, numa época em que todos ou quase todos eram bombeiros.
  • Espírito irrequieto, irônico, desabusado, assim mesmo todos reconheciam sua lúcida inteligência e brilhante cultura.
  • Eleito para a nossa Academia, após candidatar-se, surpreendeu a todos renunciando a sua cadeira, através de carta. Afirmara ser antiacadêmico, não desejando continuar no nosso cenáculo. Foi o primeiro e único dos nossos sócios resignatários.
  • Transferindo-se para o Rio de Janeiro, na década de 50, trabalhou vários anos nos Diários Associados, sobretudo em “O Jornal”, onde fez inclusive crônica de futebol. ”
    Tive o privilégio da amizade de Antônio Pinto. Conversas na redação do Diário de Natal e pelas calçadas do Grande Ponto, da Soverteria O Cruzeiros ao Bar e Confeitaria Cisne. Anos de 1950 moramos na mesma Rua São Tomé, Cidade Alta. Sua casa ficava na esquina com a Juvino Barreto (fundos do prédio do Diário Oficial do Estado, que ele dirigia). A minha, na esquina com a Rua Auta de Souza, o quartel do antigo 29º Batalhão dos Caçadores, do Exército (onde hoje é o Colégio Churchill), do outro lado.
    Era só descer a ladeira e ir ao seu gabinete, no prédio de A República, janela aberta para a Junqueira Aires, quase parede e meia com a casa do Mestre Luís da Câmara Cascudo. O papo ás vezes com a presença do seu filho Plinio, da nossa patota.
    Antônio Pinto faleceu no Rio de Janeiro em 9 de fevereiro de 1970. Ainda não tinha completado 50 anos. O historiador e pesquisador Claudio Galvão está escrevendo a sua biografia. Deve ser publicada no começo do ano que vem. Um livro esperadíssimo.

Vargas Llosa Deu nas folhas:

  • Mario Vargas Llosa vai se aposentar. O escritor peruano, Nobel de Literatura, anuncia que seu mais recente romance, “Le dedico mi silencio”, será o último. O motivo? Falta de tempo. Ao jornal peruano El Mercurio, Vargas Llosa disse demorar entre três e quatro anos para escrever um romance. Aos 87 anos, ele suspeita que não lhe resta tanto tempo de vida. Mas faz um acréscimo: vai parar só de publicar, pois pretende continuar escrevendo até o fim. ”

Política Nas conversas políticas desta aldeia potiguar o destaque da semana foi a reeleição do vice-governador Walter Alves para a presidência do diretório estadual do MDB, tendo o pai, o ex-governador Garibaldi Filho, como vice-presidente. O partido tem o comando de 48 prefeituras municipais. Ano que vem teremos eleições para prefeito e vereador.

Livro Amanhã, 6, lua em quarto minguante, acontecerá o lançamento do livro “Alfabeto Ecológico”, da dupla Diógenes da Cunha Lima e Roberto Lima, ambos poetas e imortais da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.
Será ás 17 horas no auditório da Escola de Música da UFRN. Ouviremos o coral “Os Serafins”.

Mais Livro Será quinta-feira, 9, a partir das 18 horas, na sede da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, o lançamento do mais novo livro da poetisa Salete Fernandes Pimenta Tavares: “Pedaços e Retalhos”.

Chuva Segundo os números da Emparn, o mês de outubro teve médias de chuvas abaixo do esperado em todas as regiões do Rio Grande do Norte. Era esperado média de 8,3mm. Só choveu 5mm (39,3% menos). Para o mês de novembro, já começado, e de dezembro, “a condição deverá permanecer a mesma, com poucas chuvas com a intensificação do El Ñino. ”

Buraco Já passa dos quatros meses o buraco da Caern, aberto no findar de junho na rua Heráclito Vilar, Barro Vermelho, onde há também outros buracos, muitos. Ninguém da Caern (Companhia de Águas e Esgotos do RN) passa por lá e nem atende as reclamações dos moradores do bairro.

Mais buraco Os buracos também se espalham pelas ditas estradas estaduais deste Rio Grande do Norte esburacado. São centenas de quilômetros, milhares de buracos. Do Litoral ao Alto Oeste, uma sofrência sem fim. Imagine uma ambulância conduzindo um paciente (?) por estas rotas de solavancos. Pelo que se constata a diretoria do DER permanece na UTI.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor. 

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