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Lembrando Raul Cortez

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Na estante aposentada, mas não inativa, encontro o livro “O Teatro Brasileiro na visão de Meira Pires, Procópio Ferreira e Raul Cortez”, organizado por Maria do Nascimento Bezerra, e publicado pela Fundação José Augusto em 2011. Reúne entrevistas com esses três grandes nomes do teatro nacional. Mas há um texto que merece destaque especial: uma crônica assinado por Elenir Fonseca, com o título: “Raul Cortez, uma presença”. Passo a palavra à ilustre e elegante dama potiguar:

“A primeira vez que vi Raul, foi em Natal. No Teatro Alberto Maranhão. Ele encenava “Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá”. Um belo texto de Fernando de Mello sobre a solidão humana no exílio da cidade grande, cheia de ninguém.


No palco, a elegância do homem, e o talento do ator.


A força de sua interpretação encantava. Ele erguia a realidade do personagem a cada fala. Como se a história daquele homem que sonhava ser Greta Garbo, e por isso vivia o drama de uma indefinição, recriasse o próprio drama da realidade humana. Depois, um encontro nas coxias, e nunca mais nos separamos. Eu estava fascinada pelo homem e pelo ator; ele apaixonado por Natal.


Raul era paulista e ao mesmo tempo carioca. Entregava e dividia o seu coração entre uma cidade e outra. Só depois, compreendi que era um homem em travessia: nas suas duas cidades; nos palcos; entre a realidade e o sonho, na vida.


Tinha orgulho de ter o sobrenome Cortez, de origem norte-riograndense. Fez amigos e voltava sempre. Gostava do nosso mar, da luminosidade do céu nordestino, desse azul que se derrama no verão. Gostava das pessoas que conquistava.


Uma vez levei Raul para conhecer Nísia Floresta e almoçamos no restaurante de Olavo. Ele achou uma delícia e passou a ser parte da agenda todas as vezes que voltava a Natal. Gostava daqueles camarões vermelhos e brilhantes. Nos nossos encontros nos restaurantes de Natal, escolhíamos uma mesa mais reservada, quase escondida. Ele não gostava de ser incomodado, quando conversava. Construímos uma amizade de verdade, sem segredos. Ríamos muito de nós mesmos, de nossas loucuras que às vezes incendiavam o palco das nossas próprias vidas.


Quando fez a novela “Mulheres de Areia”, Raul passou seis meses no meu apartamento, no Rio. Repassávamos juntos os textos, o que nos trazia alegria, e o que confirmava a intimidade e confiança da nossa amizade.
Teria muito mais para falar e dizer sobre Raul. Afinal, tivemos uma amizade de trinta anos. Não é fácil traduzir e levar às pessoas a personalidade de um homem como Raul Cortez. A vida para ele era o palco. Vestia os personagens com inteligência e perfeição, sobretudo com a força de uma realidade que ele sabia soprar em cada gesto, em cada palavra, em cada silêncio. Raul é inesquecível. Ainda guardo nos ouvidos a sua voz bela e sensual. Por isso, por tê-lo comigo, como num sopro de vida de uma presença mágica, não deixei que fosse tão cedo. Ele ficou comigo. Porque juntos ainda temos os mesmos sonhos. ”

Na Academia Deu na coluna de Lauro Jardim, de O Globo:Falta um mês para a eleição a vaga de Alberto da Costa e Silva na Academia Brasileira de Letras. A disputa entre Lília Schwarez e o romancista e diplomata Edgard Telles Ribeiro é tida como dura, mas a historiadora é dada como favorita para ocupar a cadeira 9.

Inverno Para a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) a pré-estação chuvosa no Ceará (2023/24) ficou abaixo da média: “No período que compreende os meses de dezembro e janeiro as chuvas somaram 96,7 milímetros, quando a normalidade é de 129,9 mm. A diferença representa um desvio negativo de 25,5%. ”

Graduação na UFRN Em formato virtual, acontecerá no dia 19, o VI Seminário da Política de Melhoria dos Cursos de Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, promovido pela Comissão de Graduação e Pró-Reitoria de Graduação. Mote: “Perspectivas para a formação docente e discente – reflexões sobre ensinar e aprender”. O evento vai das 9 às 22 horas transmitido pelo Canal da UFRN no YouTube.

Carnaval Vou lendo Manuel Bandeira no seu poema “Sonho de uma terça-feira gorda”:
“Eu estava contigo. Os nossos dominós eram negros, e negros eram as nossas máscaras. / Íamos, por entre a turba, com solenidade, / Bem conscientes do nosso ar lúgubre/ Tão contrastado pelo sentimento de felicidade/ Que nos penetrava. Um lento, suave júbilo/ Que nos penetrava…. Que nos penetrava como uma espada de fogo… / Como a espada de fogo que apunhalava as santas extáticas.

Folia Hoje, domingo de carnaval, segundo as amplificadoras locais tem folia pelas ruas de Natal, cidade dos polos. São muitos polos, incluindo a Antártida (Antárctica ou Brahma?). É muito polo, gente! No bairro das Quintas, e por seus arredores e desvios (um deles vai bater em Macaiba) não se fala de outra coisa. Dosinho foi visto cantando por lá: “Eu não vou, vão me levando”. Grande Dosinho!

Chuva Segunda semana de fevereiro com poucas, pouquíssimas chuvas no Rio Grande do Norte. Muito finas, neblinas. A maior delas foi de 14 milímetros em Parnamirim, segunda-feira, 05. Nenhum acumulado de 20 mm de segunda até sexta.

No Ceará chove bem, principalmente na região do Cariri. Ótima semana. No município de Missão Velha um acumulado de 167 mm, Milagres, 156 milímetros; Aurora, 150 mm, Juazeiro do Norte, de Padim Ciço, 132 mm, Barbalha, 128 mm, Crato, 92 mm. Na Paraíba, chuvas finas, mais concentradas no Alto Sertão.

*Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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