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Lugar ideal

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Rubens Lemos Filho

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Qual o lugar ideal para ABC e América no Campeonato Brasileiro? Se depender da enquete que andei fazendo ao telefone com amigos torcedores dos dois clubes, é melhor ficar na Série C. Nem é triunfal tampouco vergonhoso.

Todos os dez escutados deploram a gangorra. A do ABC, subindo à segunda divisão num ano e caindo no outro. Os americanos estão revoltados com um time que, de campeão da masmorra (a Série D), a ela volta cabisbaixo igual ao amante dispensado pela mulher sem princípios. Querer o impossível é o inconsciente dizendo para não ser ouvido: você é um masoquista.


O formato de 20 clubes nas três primeiras divisões é correto e seletivo. Põe cada qual em seu canto. A Série D, que este ano reuniu 64 bagaços de todo o país, é desconsolo, desesperança e fracasso. O próprio América não exagerou nos festejos do título do ano passado.


O ABC é especializado em ejaculação precoce. Consegue figurar entre a faixa intermediária – é a mais difícil das divisões para na temporada seguinte descer a escada rolante para a terceirona, onde estará no ano que vem outra vez.


Contratando maus treinadores, jogadores de péssima qualidade e dirigentes sem o menor conhecimento da história dos dois clubes, ABC e América devem tratar de se estabelecer na Série C. O ABC vai lutar para ficar e o América, pela enésima vez, para tentar encontrar o mesmo caminho.


O poder econômico do futebol potiguar está perto dos clubes tradicionais da Série B do jeito que as caravelas de Cabral saíram para o Brasil chegando em 1500(há controvérsias). Os rivais se irmanaram na triste dependência de empresários inescrupulosos e de comandantes de campo de muita pose e raro talento.


Por enquanto, até por pressão psicológica, é interessante buscar a Série C. Times até abaixo da tradição e estágio para que, diante do imenso divã de uma arquibancada vazia, se possa refletir se vale a pena alegria parecida com gozo sem tesão.


Reclamaram demais quando, a partir de 1987, o Clube dos 13 separou os grandes dos pequenos. Naqueles dias havia timaços. Hoje, troquem as camisas que o péssimo da série A pode ser confundido com o ridículo da Série D. Todos estão nivelados, ainda assim a discrepância é gigantesca.


Até os anos 1980, o campeão potiguar enfrentava times grandes e via gênios povoando o Castelão. Mas raramente passava da primeira fase, acho que o América em 1983 e o ABC em 1984 foram exceções. O time rubro também, em 1973, quando conquistou a Taça Almir, de melhor das regiões Norte e Nordeste.


Valia demais sair de casa cedo para ver o Vasco de Roberto Dinamite, o Flamengo de Zico, o Botafogo de Paulo César Caju, a Máquina Tricolor do Fluminense, ainda que sem Rivelino, que jogou aqui apenas um amistoso em 1979, usando a camisa do ABC(1×1) contra o Vasco. Víamos Palmeiras, Corinthians, Santos, assisti a estreia do magnífico centroavante Careca pelo São Paulo.


Eram sonhos em 90 minutos. Os times fortes chegavam para passear, não existia hotel na Via Costeira e a boleirada – bem mais acessível e superior aos pernas de pau de hoje, desfilava de tanga em frente ao Hotel dos Reis Magos.


Positivamente, era importante. ABC e América, num jogo duríssimo, arrumavam a grana de toda a temporada, mas, na classificação final, passavam pelo ridículo dos derradeiros lugares. O América oscilou pela Série A em 1997 e 2007, sendo que a primeira campanha, primorosa, rima com a pavorosa do ano seguinte.


O ABC, exceção feita ao primeiro ano de disputas no Castelão em 1972, com Alberi poetizando a grama de tapete, fez bonito apenas em 2010, quando formou um ótimo time, armado pelo saudoso dirigente Flávio Anselmo, participou por participar.


Fiquemos na Série C. Contratemos psicólogos, pesquemos talentos que hoje são escassos, invistamos nas bases. Até a tal da SAF do América deu errado. Se o conhecimento for medido pela campanha pífia de 2023, o técnico Marquinhos Santos será outro “mais um.” É menos doloroso rodar o Nordeste de ônibus do que voltar de avião com bagagem sobrando em forma de gols tomados.

Depende de Hermano O ímpeto da (vitoriosa)oposição americana na fiscalização das contas do atual mandato vai depender do entusiasmo do presidente eleito Hermano Moraes. Ninguém está disposto a se expor na função(ingrata) de porta-voz.

Para cima Coitado do ABC. O Criciúma briga pelo acesso à Série A e o jogo de terça-feira será de cortar coração. O ABC, às vezes, dá a impressão de estar dormindo, jogadores se esbarrando.

SAF Se a cautela do presidente do ABC, Bira Marques, quanto à SAF era intensa, vai ser multiplicada. Pode pintar negócio estrangeiro. Até agora, nada atrativo.

Tiro Atiradores esportivos, não são bandidos. Praticam um esporte e estão sendo perseguidos. Clubes serão fechados e empregos perdidos.

Mossoró Feliz com o time que honra seu nome na segunda. Estadual.

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